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Por Jim Finkle e Heather Somerville
TORONTO/SAN FRANCISCO, 23 Nov (Reuters) – O vazamento de
dados de milhões de usuários do Uber pode atingir a venda de
ações da empresa para o grupo japonês Softbank , uma
operação em que a companhia asiática poderá investir até 10
bilhões de dólares para ter uma participação de pelo menos 14
por cento no serviço de transporte urbano por aplicativo.
O Uber revelou na terça-feira que a empresa pagou 100 mil
dólares a hackers para destruir dados de mais de mais de 57
milhões de usuários e motoristas que foram roubados da
companhia. A empresa também informou que sob o comando do
ex-presidente Travis Kalanick preferiu não revelar a falha de
segurança às vítimas e autoridades sobre o episódio ocorrido em
outubro de 2016 e descoberto no mês seguinte.
Mas o momento do anúncio não poderia ser pior, depois que a
companhia divulgou no mês passado um acordo preliminar com o
Softbank que prevê a compra pelo grupo japonês das ações detidas
por atuais acionistas da empresa.
A revelação do roubo dos dados pode fazer o Softbank querer
alterar o preço do acordo com o Uber. Uma fonte familiarizada
com o assunto disse que o SoftBank pretende manter o acordo para
investir no Uber, mas pode buscar termos melhores. O grupo
japonês ainda não tomou uma decisão final sobre renegociação,
disse a fonte.
Outra questão é o futuro de Kalanick, o co-fundador que
levou o Uber a se tornar uma potência global, mas o fez adotando
táticas agressivas e controversas. Em junho, ele foi forçado por
acionistas a sair da presidência da companhia, diante de
preocupações de investidores de que seu estilo de liderança
prejudicasse a empresa. Ele se manteve no conselho de
administração e com uma participação significativa no Uber.
Kalanick soube do vazamento dos dados dos usuários em
novembro passado e estava ciente do pagamento de 100 mil dólares
a hackers, de acordo com uma pessoa próxima ao assunto. Kalanick
não quis comentar o assunto e o Uber não respondeu a perguntas
da Reuters.
Governos ao redor do mundo iniciaram investigações na
quarta-feira após a revelação da empresa e pelo menos dois
processos coletivos foram encaminhados nos Estados Unidos contra
a companhia por não revelar as falhas de segurança, expondo os
usuários a risco.
Porém, especialistas legais afirmaram que o Uber
provavelmente enfrentará impactos financeiros limitados por
conta do vazamento dos dados. A empresa poderá conseguir
minimizar os efeitos dos processos por causa de acordos com
clientes e motoristas que obrigam o estabelecimento de
arbitragens como forma de solução de disputas.
A professora de administração Cynthia Clark, da universidade
de Bentley, afirmou que os riscos vinculados ao vazamento de
dados podem afetar a oferta pública inicial de ações (IPO) do
Uber, prevista para 2019.
Enquanto isso, Steven Rubin, advogado especializado em
questões envolvendo segurança digital, afirmou que o Uber deverá
esperar a partir desta semana mais auditorias e mais autoridades
avaliando a companhia.
(Por Jim Finkle e Heather Somerville; reportagem adicional
Diane Bartz, Greg Roumeliotis e Alastair Sharp)
((Tradução Redação São Paulo 56447764)
REUTERS NS AAJ


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