Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito
BRASÍLIA, 14 Nov (Reuters) – A decisão do presidente Michel
Temer, de antecipar para as próximas semanas a reforma
ministerial, incluindo todos os ministros candidatos em 2018,
pode esbarrar em alguns casos complexos e de difícil
substituição, que incluem desde o ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles –visto como garantia da política econômica– a
ministros investigados que ficarão sem foro privilegiado.
De acordo com uma fonte palaciana, apesar da decisão do
presidente de tentar fazer apenas uma reforma, será inevitável
uma segunda etapa.
"Alguns casos são muito complicados para se fazer uma troca
apenas política agora. O mais provável é que haja sim uma
segunda etapa em março", disse.
Uma eventual substituição de Meirelles seria a mais
complicada. Principal nome da política econômica, o ministro é
visto pelo mercado como um fiador do ajuste fiscal e da reforma
da Previdência, que tem negociado diretamente. Apesar da
garantia de auxiliares próximos ao presidente de que a política
econômica não mudaria, uma saída de Meirelles agora não cairia
bem com o mercado.
No entanto, o ministro tem repetido que neste momento não é
candidato e tem até março para decidir. "Ele não pode sair agora
por uma questão política. É preciso garantir o ajuste, as
medidas fiscais pelo menos até a virada do ano", disse a fonte.
Outro caso complicado é o do ministro de Minas e Energia,
Fernando Coelho Filho, que é candidato em seu Estado e chegou a
sair do PSB para continuar no governo quando o partido abandonou
a base.
Coelho está à frente do processo de privatização da
Eletrobras e é visto na área como peça essencial para
levar adiante a negociação com o Congresso que levará a venda da
estatal.
Outro que possivelmente ficará até o período de
desincompatibilização é o ministro das Relações Exteriores,
Aloysio Nunes Ferreira. Tucano, o chanceler ficaria no governo
na cota pessoal do presidente. Aloysio já informou sua equipe no
Itamaraty que tentará a reeleição como senador em São Paulo e
irá deixar o cargo em algum momento, mas o próprio Temer
pretende mantê-lo por mais tempo.
Entram na lista de complicações, ainda, ministros que
perderão o foro privilegiado e já estão na lista de investigados
pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. É o caso de
Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações)
e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços).
Nenhum dos dois têm cargo eletivo hoje.
Esses, no entanto, não estão sendo, ao menos por enquanto,
sendo analisados. Segundo uma outra fonte, o presidente planeja
terminar as conversas com todos os possíveis candidatos, líderes
e presidentes de partidos para organizar o mapa das
substituições até o final da próxima semana.

DUAS ETAPAS
Na base, as reclamações já começaram e vários parlamentares
já se colocam no lugar de "exceções". O próprio partido do
presidente, o PMDB, se vê fora de uma lista precoce de
reformáveis, mas fontes palacianas garantem que esse não é o
caso.
O presidente do PR, Antonio Carlos Rodrigues, afirmou à
Reuters que vai se reunir com Temer em breve para definir a
presença do partido que dirige na reforma ministerial. O PR
comanda o Ministério dos Transportes com o deputado federal
licenciado Maurício Quintella Lessa. Segundo Rodrigues,
Quintella será candidato ao Senado por Alagoas.
O dirigente do PR, contudo, não quis adiantar se vai
defender a permanência Quintella no cargo até às vésperas do
período de desincompatibilização. "Vou ouvir presidente",
limitou-se a dizer.
Apesar do discurso oficial de uma mudança única e ampla
agora, um vice-líder do governo afirmou, sob a condição do
anonimato à Reuters, acreditar que haverá duas etapas da reforma
ministerial.
Segundo essa fonte, a primeira é para acomodar a pressão dos
partidos da base decorrente do espólio do provável desembarque
do PSDB do governo –iniciado pela saída do titular das Cidades,
Bruno Araújo– e tentar garantir votos para aprovar a reforma da
Previdência.
A segunda etapa, prevista para ocorrer até o início de
abril, vai trocar os demais ministros que não saíram e vão ser
candidatos ao mesmo tempo em que deve se consolidar o arco de
alianças de partidos para a disputa à sucessão de Temer em
outubro de 2018.
O líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira (PB), disse que não
considera que haverá uma reforma ministerial ampla agora, mas
sim mudanças pontuais, sendo complementadas até abril.
"Aqueles ministérios em que for fazer a substituição o mais
razoável é fazer uma mudança definitiva", disse.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))


Assuntos desta notícia

Join the Conversation