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BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) – O presidente Michel Temer pediu
apoio neste domingo aos líderes e presidentes de partidos da
base para aprovar a nova versão da reforma da Previdência e
destacou a importância de se votar a proposta a fim de que o
Brasil não vire uma Grécia, segundo relatos de duas lideranças
que participaram do encontro feitas à Reuters.
No jantar promovido na residência oficial do presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundo as fontes, Temer fez um
contundente apelo aos dirigentes para apoiar o texto que não é
para o governo dele, mas para o país.
Ficou decidido, no encontro, que os dirigentes vão fazer uma
avaliação com as bancadas até a quarta-feira sobre o real apoio
à reforma. Somente após isso é que o governo vai decidir se,
caso tenha uma margem de segurança para apreciar a matéria,
tentará colocá-la em votação na quarta-feira da próxima semana,
dia 13.
Na reunião, conforme os relatos, o presidente disse que a
delação da JBS e a atuação do Ministério Público Federal
atrapalharam o calendário de votação da Previdência. Ele não
citou nominalmente, porém, o empresário Joesley Batista e o
ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, dois dos seus
principais algozes.
Durante o encontro, o presidente do PTB, Roberto Jefferson,
defendeu que os partidos fechem questão em favor da versão
enxuta apresentada pelo deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA),
relator da reforma. Quando isso ocorre, parlamentares que votam
contra a orientação partidária podem ser punidos internamente
até mesmo com a expulsão da legenda.
Jefferson adiantou e disse que o PTB não vai receber, na
janela do troca-troca partidário prevista para março, nenhum
parlamentar que votar contra a reforma. O presidente do PP,
senador Ciro Nogueira (PI), manifestou-se na mesma linha de que
pretende recomendar o fechamento de questão e barrar a entrada
de quem votar contrariamente à reforma.
Conforme relatos, essa posição, contudo, não foi consensual.
Representantes do PSD, do PR e do DEM, por exemplo, reconheceram
as dificuldades internas para fechar questão.
O líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), afirmou à Reuters
que disse ao presidente que considerava "muito difícil" garantir
um fechamento de questão na votação. Ele avaliou que não deve
conseguir repetir o apoio que a bancada deu, nas duas votações
em que foram rejeitadas as denúncias contra Temer feitas por
Janot, na reforma da Previdência.
O presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, disse que
vai reunir a bancada tucana até a quarta-feira para tentar
fechar questão. No mês passado, o partido –que poderá deixar
formalmente a base de apoio a Temer em convenção no sábado– já
havia recomendado voto a favor do texto, embora deputados tenham
apresentado sugestões de novas alterações à proposta do relator.
Na saída do encontro, o anfitrião Rodrigo Maia adotou um tom
mais otimista para a votação da reforma do que na semana
passada, quando disse que estava "muito longe" de se conseguir
os 308 votos mínimos para apreciar o texto. "Há um compromisso
dos presidentes de partidos, dos líderes, com a reforma, ficou
claro isso hoje. Vamos trabalhar. Eu espero que a gente consiga
votar a reforma ainda este ano", disse.
À Reuters, o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB),
disse que o ambiente para a votação melhorou, mas destacou que é
preciso alinhar o "pensamento" dos líderes e presidentes de
partido com os deputados da base. "Nosso maior desafio é buscar
os 40 votos que a gente precisa fora da base de apoio na votação
da denúncia", calculou Efraim Filho, ao frisar que, no jantar,
não houve qualquer contabilidade de apoios para a votação.
Mesmo com o jantar e o esforço do governo de tentar
conquistar apoios, o líder do PR continua pessimista com a
perspectiva de se votar a proposta. "Não mudou muito o apoio que
precisamos para votar", confessou José Rocha, que dias atrás já
havia dito que a reforma não será votada este ano.
O esforço do governo é tentar votar o primeiro turno da
reforma no plenário da Câmara na próxima semana e o segundo, na
semana seguinte, antes do início do recesso parlamentar. A ideia
inicial era tentar votar o primeiro turno esta semana, mas o
calendário foi adiado diante da constatação de que o governo não
dispõe de votos para aprovar a matéria.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))

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