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SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) – O presidente Michel Temer
pintou um quadro bem pior da situação fiscal do país do que o
próprio governo projeta, ao defender o teto dos gastos nesta
sexta-feira e afirmar que "talvez" em dez anos o país já tenha
conseguido "empatar" as despesas com as receitas.
"Veja que o teto de gastos públicos prevê um prazo de 20
anos para que na verdade nós possamos empatar, digamos assim,
aquilo que você arrecada com aquilo que você gasta, e revisável
daqui a 10 anos. A suposição é de que daqui a 10 anos talvez
haja esse empate que eu estou mencionando, portanto se pode
fazer uma revisão dessa emenda à Constituição Federal", disse
Temer em evento em São Paulo.
"Interessante, quando nós apanhamos o governo, num primeiro
momento o déficit (primário) era de 179 bilhões de reais, no ano
seguinte, 159 bilhões. Neste ano, deverá ser de 139 bilhões. Ou
seja, está diminuindo e diminuiu numa tal forma que não é
improvável que daqui a 10 anos nós possamos dizer 'agora já
empatamos, não precisamos mais do teto de gastos públicos'",
acrescentou.
Mas a própria equipe econômica trabalha com projeções
melhores, de que resultado primário poderá voltar ao azul a
partir de 2022, 2023, "dependendo da aprovação das reformas, que
vai repercutir no crescimento potencial, na melhora da
arrecadação, na continuidade do projeto de concessão, que vai
atrair mais investimento", disse o ministro da Fazenda, Eduardo
Guardia, no mês passado.
A emenda à Constituição que criou o teto dos gastos públicos
foi aprovada no final de 2016 e tem como principal objetivo
reequilibrar as contas públicas e garantir uma trajetória
declinante para a dívida pública. Previsto para durar 20 anos, o
teto pode ser revisto em 10 anos e limita o crescimento das
despesas à variação da inflação do ano anterior.
Falando em um fórum sobre "riscos de negócios
internacionais", o presidente abordou diversos temas em seu
discurso, desde criação de empregos, preservação ambiental até
um aparente apoio à participação da Rússia na guerra civil
síria.
Temer citou declaração do presidente russo, Vladimir Putin,
em livro com entrevistas suas ao cineasta norte-americano Oliver
Stone.
"Perguntaram sobre a Síria. Como é que é? Que história é
essa da Rússia entrar na Síria? Ele (Putin) disse: 'olha, se a
Rússia não entrar, o chamado Estado Islâmico toma conta daquilo
e vai criar um problema seriíssimo para a região e seriíssimo
certamente para os demais países, no particular para os EUA'",
disse Temer.

(Reportagem de Laís Martins
Texto de Alexandre Caverni
Edição de Iuri Dantas)

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