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Por Lisandra Paraguassu
LIMA, 14 Abr (Reuters) – O presidente Michel Temer afirmou
neste sábado que a sociedade brasileira não pode tolerar a
corrupção e que a democracia é a melhor maneira de fazer frente
a "esse mal" como, segundo o presidente, demonstra a experiência
brasileira.
O combate à corrupção é tema central da Cúpula das Américas,
escolhido pelo país anfitrião, o Peru, que recentemente viu seu
presidente eleito em 2016, Pedro Paulo Kuczynski, renunciar por
acusações de desvio de recursos públicos.
Com duas denúncias contra si por corrupção bloqueadas pelo
Congresso, e ainda enfrentando uma investigação por supostamente
ter beneficiado empresas no chamado Inquérito dos Portos, Temer
afirmou na sexta-feira que não havia constrangimento em tratar
do assunto e que as instituições no Brasil tem funcionado.
Em discurso na plenária dos presidentes, Temer não citou os
casos que afetam a si, boa parte do primeiro escalão de seu
governo, seu partido, o MDB, parte da sua base de apoio e também
a oposição.
"Não se pode tolerar a corrupção. A corrupção corrói tecidos
sociais, compromete a gestão pública e privada, tira recursos
valiosos da educação, saúde e segurança", discursou Temer. "O
combate à corrupção é imperativo da democracia, democracia que é
a melhor arma pra fazer frente a esse mal, é o que demonstra a
experiência brasileira".
Temer disse ainda que a democracia "produz instituições
autônomas e instrumentos eficazes pra combate efetivo aos
desvios de conduta e desvirtuamento das funções públicas".

FORO PRIVILEGIADO
Mais tarde, em entrevista a jornalistas brasileiros, Temer
foi perguntado se era favorável à ação que tramita no Supremo
Tribunal Federal – e deve ir a plenário em 2 de maio – que acaba
com o foro privilegiado para autoridades.
"Sou favorável que o Legislativo decida", disse o
presidente, em mais uma estocada que se soma às constantes
reclamações do presidente contra o Judiciário. No dia anterior,
Temer já havia reclamado do que chamou de "invasão de
competência" da Justiça nas atribuições do Executivo.
Uma proposta de Emenda Constitucional que mantém o foro
apenas para os presidentes dos três poderes e o vice-presidente
da República foi aprovada no ano passado pelo Senado e está
parada desde novembro nas comissões da Câmara.

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(Reportagem de Lisandra Paraguassu; edição de Aluísio Alves)
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