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BRASÍLIA, 30 Abr (Reuters) – O presidente Michel Temer
desistiu da viagem que faria no início de maio a quatro países
asiáticos, e permanecerá no Brasil enquanto é alvo de
investigação da Polícia Federal por suspeita de recebimento de
propina no chamado inquérito dos portos.
Temer visitaria Cingapura, Tailândia, Indonésia e Vietnã de
7 a 14 de maio.
De acordo com o Palácio do Planalto, o presidente decidiu
cancelar a viagem à Ásia para acompanhar a votação de proposta
no Congresso que remanejará recursos do Orçamento da União para
cobrir a inadimplência da Venezuela e de Moçambique em operações
nas quais o Brasil é o garantidor de crédito.
Se Temer deixasse o país, os presidentes da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), teriam de
se licenciar do cargo ou também sair do país devido a regras
eleitorais, o que prejudicaria a tramitação da proposta
orçamentária.
A decisão de cancelar a viagem foi tomada após a Polícia
Federal ter solicitado ao ministro Luís Roberto Barroso, do
Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 60 dias do
inquérito dos portos, que investiga se Temer cometeu crimes na
edição de um decreto ano passado que mudou regras portuárias.
Temer é investigado nesse inquérito sob suspeita de ter
recebido propina, por meio do então assessor especial, Rodrigo
Rocha Loures, para editar um decreto que beneficiou a empresa
Rodrimar em alterações legais para a área portuária.
Na semana passada, Temer afirmou, em um firme
pronunciamento, ser alvo de uma "perseguição criminosa
disfarçada de investigação", e disse que, se pensam
"ilusoriamente" que irão derrubá-lo, não vão conseguir.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu
Texto de Pedro Fonseca
Edição de Camila Moreira)
(([email protected]; 55 21 2223-7128; Reuters
Messaging:[email protected]))

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