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A agência de classificação de risco, S&P apresentou o relatório sobre o desempenho dos principais países da América Latina para as operações estruturadas no primeiro trimestre deste ano.

De acordo com o levantamento, a América Latina registrou queda de 8% no volume total de emissões de operações estruturadas no primeiro trimestre de 2018, as quais somaram US$3,0 bilhões, de acordo com as estimativas, apesar da melhora geral nas condições econômicas na região. “Acreditamos que a depreciação das moedas locais responda por uma queda de 5%. O maior volume de emissões no México e Argentina não foi suficiente para compensar o declínio observado no Brasil e Colômbia. Contudo, as principais transações já indicaram uma transição da composição de risco do portfólio para novas tendências de ativos, o que deverá levar a uma maior diversificação de ativos no futuro, como já observado nas emissões realizadas em abril”, explicam os analistas no relatório.

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Entre essas transações, estão a primeira emissão de títulos lastreados em financiamentos imobiliários residenciais (RMBS – residential mortgage backed securities) indexados à inflação na Argentina e a retomada das securitizações tradicionais de crédito ao consumidor pelos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil, além da primeira securitização internacional de títulos empacotados avaliada em ‘AAA’, lastreada em debêntures denominadas em reais líquidas de imposto de renda, beneficiando-se de uma apólice de seguros fornecida por uma entidade suíça relacionada ao governo.

Brasil
Para o Brasil, 2018 começou com um volume mais baixo de emissões comparado aos mesmos períodos de 2016 e 2017, quando houve um forte aumento nos Certificados de Recebíveis Agronegócio (CRA), representados por títulos corporativos empacotados. Apesar das condições econômicas mais favoráveis e das taxas de juros baixas em comparação ao histórico, as emissões de menor volume dominaram o mercado brasileiro. No acumulado do ano até abril, os títulos corporativos empacotados continuaram liderando o volume de emissões, seguidos pelas transações lastreadas em recebíveis de cartão de crédito, recebíveis comerciais e, por fim, obrigações de empréstimo garantidas. ” Além disso, devido ao expressivo montante de emissões por muitos dos principais emissores corporativos no ano passado, esperamos que leve algum tempo até que estes acessem os mercados de capitais novamente. Dito isso, esperamos uma maior diversificação de ativos no futuro à medida que taxas de juros mais baixas continuem liderando a retomada do crescimento da originação de crédito para diversas classes de ativos, trazendo os financiamentos residenciais e as LIGs mais próximos à realidade. A expansão dos credores online também pode criar uma nova classe de originadores”, consideram.

Argentina
Na Argentina, os recebíveis de cartões de crédito dominaram as emissões nos primeiros meses do ano, seguidos por títulos RMBS e empréstimos ao onsumidor sem garantias (unsecured). Com a rápida originação de financiamentos imobiliários Unidades de Valor Adquisitivo (UVA), que são indexados à inflação, já avaliamos a primeira emissão de RMBS desde 2011. “Em nossa opinião, múltiplos originadores recorrerão à securitização como a melhor fonte de financiamento de longo prazo para suas originações contínuas. Da mesma forma, os ambiciosos planos de infraestrutura do governo com base em parcerias público-privadas (PPP) também trarão oportunidades de securitização, uma vez que buscam financiamento nos mercados de capitais mediante emissões de títulos empacotados lastreados em certificados recebidos do governo federal como fonte de pagamento. Acreditamos que essas emissões alcançarão um volume multibilionário”, avaliam

México
No México, conforme esperado, surgiu uma janela de oportunidades no ciclo pré-eleição, quando alguns originadores garantiram as condições de financiamento a fim de evitar as incertezas políticas no segundo semestre do ano. Nos primeiros meses de 2018, incluindo abril, foram realizadas duas transações de ABS no México e um add-on classificado pela S&P Global Ratings.
Também foi realizada uma transação lastreada em empréstimos ao consumidor sem garantias.
Leasings e empréstimos de equipamentos e créditos ao consumidor serão os principais tipos de securitização para o futuro. “Esperamos que o mercado de RMBS mexicano continue fraco, enquanto as instituições financeiras se beneficiam de uma ampla liquidez; entretanto, as entidades relacionadas ao governo (GREs – government-related entities; Infonavit e Fovissste) poderão realizar emissões caso as originações continuem crescendo.”

Colômbia
As emissões colombianas caíram para US$110 milhões no primeiro trimestre de 2018, com apenas uma emissão de RMBS em março. Na tentativa de diversificar as fontes de funding (captação de recursos) e como resposta à política monetária restritiva do banco central, os principais bancos comerciais do mercado aumentaram sua participação como originadores.

Emissões internacionais
Por fim, os primeiros quatro meses de 2018 também marcaram o retorno de securitizações brasileiras no mercado internacional. Atribuímos o rating ‘AAA’ a uma operação de títulos empacotados, sendo a primeira garantida por uma entidade suíça vinculada ao governo. “Atribuímos o rating ‘BB-‘ à terceira emissão da Rio Oil Finance Trust denominada em dólar, refletindo os reforços estruturais de todas as séries como resultado da aprovação de um sexto waiver. Esperamos que surjam novas classes de ativos em toda a região em função das PPPs na Argentina e possíveis oportunidades pontuais para originadores que buscam financiamento em moeda estrangeira, apesar da fraca atividade de emissões no Peru, Chile e outros mercados fronteiriços nos últimos anos”, afirmam.

Em uma visão prospectiva, vários ativos em alta poderão impulsionar as emissões
Os analistas acreditam que, à medida que o mercado de securitização latino-americano continue a se desenvolver, surgirão novos tipos de ativos mais sofisticados e diversificados, participantes de mercado mais experientes, e oportunidades de crescimento em países cujo mercado ainda é incipiente, os quais poderão se beneficiar sobremaneira dessa fonte alternativa de funding.

No Brasil, o mercado do agronegócio espera que os rendimentos da safra de 2018-2019 fiquem em linha com o recorde registrado em 2017, o que pode sustentar a alta demanda por capital do setor.

O crescimento da originação de RMBS indicará em breve a necessidade de alternativas de funding, enquanto novos originadores do segmento das fintechs poderão acessar progressivamente o mercado de securitização.

“Esperamos novas emissões de RMBS na Argentina, com financiamentos imobiliários indexados à inflação conforme cresça o volume de originação, juntamente com operações empacotadas lastreadas em certificados de infraestrutura emitidos pelo governo para financiar projetos de PPP em todo o país. No México, esperamos que leasings ou empréstimos de equipamentos e crédito ao consumidor continuem sendo os principais tipos de securitização, como visto em 2017. Na Colômbia, esperamos que os portfólios de financiamento imobiliário continuem performando de forma satisfatória em um ambiente inflacionário estável (cerca de 4%). Os mercados internacionais potencialmente verão transações pontuais dos mercados fronteiriços”, finalizam o relatório assinado pela analista principal, Cathy de la Torre, e pelo analista de negócios, Leandro Albuquerque.


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