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LONDRES, 14 Fev (Reuters) – Atrasos do governo, incertezas e
falta de financiamento deixaram o sistema britânico de
fronteiras e imigração despreparado para a saída do Reino Unido
da União Europeia, de acordo com um relatório parlamentar sobre
o Brexit divulgado nesta quarta-feira.
A falta de clareza quanto às intenções no tocante à
imigração está criando ansiedade para os cidadãos da UE no Reino
Unido e colocando as autoridades já sobrecarregadas da imigração
em uma posição impossível, acrescentou.
"O governo não parece ter noção do desafio burocrático
imenso que está enfrentando ou de quanto tempo e recursos
precisa para se planejar para o Brexit", disse o documento.
O relatório do Comitê de Assuntos Internos da Câmara dos
Comuns criticou os atrasos na publicação do assim chamado
Documento Branco, em que Londres delineia seus planos para a
imigração após a separação do bloco.
O gabinete da primeira-ministra britânica, Theresa May,
disse estar estudando várias opções para o sistema imigratório
pós-Brexit, e que apresentará seus planos iniciais "à medida e
quando estiverem prontos".
Mas o comitê disse que deixar de estabelecer os objetivos
para a imigração rapidamente privará o Parlamento e todos os
afetados da chance de debater os planos antes de eles serem
finalizados.
"Isto é inaceitável. Esperávamos que estas questões fossem
respondidas no muito adiado Documento Branco, mas sua publicação
foi adiada ainda mais e agora pode não surgir antes do final
deste ano".
May alertou que os cidadãos europeus que chegarem ao seu
país após o Brexit no ano que vem podem perder alguns direitos,
criando atrito com a UE quanto ao tratamento que receberão
durante qualquer período de transição que anteceda a saída
britânica do bloco.
Reduzir a imigração foi uma das principais razões para os
britânicos votarem a favor da desfiliação da UE em 2016, na
esteira de um grande influxo de cidadãos da união, especialmente
de países mais pobres do leste da Europa.
"Faltando pouco mais de um ano, o governo ainda é incapaz de
delinear detalhes cruciais sobre o registro dos atuais moradores
(da UE)", disse o relatório.
Um fracasso na definição rápida de planos detalhados para o
registro de cidadãos estrangeiros e para o período de transição
tornará impossível para as autoridades da imigração e das
fronteiras fazer seu trabalho devidamente, alertou o relatório.
O governo precisa esclarecer urgentemente se quer
verificações adicionais nas fronteiras depois de março de 2019,
a data da separação da UE.
(Por Stephen Addison)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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