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(Repete texto publicado na noite de quarta-feira)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 22 Nov (Reuters) – Mesmo sob pressão da bancada do
PMDB da Câmara, o presidente Michel Temer decidiu adiar, ao
menos por enquanto, a substituição do tucano Antonio Imbassahy
pelo peemedebista Carlos Marun na Secretaria de Governo a fim de
garantir votos do PSDB na nova versão da reforma da Previdência.
A bancada de deputados do PMDB tinha levado a Temer o nome
de Marun –parlamentar de primeiro mandato, aliado do
ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ainda relator
da CPI da JBS– ao cargo para aumentar a participação da legenda
na Esplanada dos Ministérios.
O partido –que tem a maior bancada da Casa com 60
deputados– elevou a cobrança pelo cargo depois que o presidente
decidiu escolher o deputado Alexandre Baldy (sem partido-GO)
para o poderoso Ministério das Cidades no lugar do tucano Bruno
Araújo. Baldy, que deve se filiar ao PP, teve o apoio de
partidos do centrão e do atual presidente da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ).
Marun cumpre a exigência imposta pelo presidente de querer
ficar no governo até o final de 2018 e não se candidatar a um
cargo eletivo em outubro próximo. Interlocutores do PMDB
chegaram a confirmar que o deputado havia sido escolhido por
Temer e poderia tomar posse nesta quarta-feira juntamente com
Baldy.
No meio da tarde, a Secretaria de Imprensa da Presidência,
contudo, negou oficialmente a escolha de Marun e afirmou que
Imbassahy continuava no cargo e admitiu que as conversas sobre
uma eventual troca na Secretaria de Governo continuavam.
A dez minutos para o início previsto para a cerimônia de
transmissão de cargo para Baldy, a posse conjunta chegou a ser
anunciada oficialmente no Twitter, mas a postagem foi
posteriormente apagada.
"O perfil do Planalto no Twitter publicou de maneira
equivocada que o deputado Carlos Marun tomaria posse hoje na
Secretaria de Governo. O funcionário terceirizado responsável
pela publicação errada foi advertido e a mensagem, apagada.
Lamentamos o equívoco", informou, em nota, o Gabinete Digital do
Planalto.
O governo trabalha, segundo uma fonte palaciana, para
garantir os votos do PSDB na reforma da Previdência –o partido
tem a terceira maior bancada da Câmara, com 46 deputados– e
também o destino de Antonio Imbassahy, tido como um dos aliados
mais fiéis de Temer durante a crise política.
Na semana passada, líderes do PSDB –partido que deverá
desembarcar do governo em convenção marcada para o dia 9–
disseram à Reuters que o apoio à reforma da Previdência não era
incondicional.
Em reunião nesta quarta, a legenda decidiu orientar a favor
da reforma, mas não fechou questão sobre o assunto, o que
obrigaria os deputados a seguirem a determinação para evitar
punições partidárias.
"Nós votamos o texto original e entendemos que o governo
estar mandando um outro que representa um recuo. Mas é a
realidade política do Congresso", disse o presidente interino do
PSDB, Alberto Goldman.
Na avaliação dos aliados, o governo parte de um piso de 220
votos e todo apoio é importante para aprovar a reforma. Por ser
uma Proposta de Emenda à Constituição são necessários os votos
de 308 dos 513 deputados.
Ainda assim, a tendência –segundo no Planalto– é que Marun
vire ministro da Secretaria de Governo nos próximos dias, mas o
governo busca uma solução política a fim de não melindrar o PMDB
–pelo adiamento da escolha– e o PSDB de Imbassahy. Na manhã
desta quarta-feira, o presidente licenciado do PSDB e um dos
principais aliados de Temer, o senador Aécio Neves (MG),
reuniu-se com o presidente para tentar manter Imbassahy no
cargo.
Presente à solenidade de posse de Baldy, Marun afirmou que
há uma vontade do PMDB de que ele vire ministro, mas o convite
oficial e o agendamento da posse não ocorreu.
"Eu me sinto deputado federal, como era e continuarei sendo,
salvo se o presidente entender em contrário, se fizer o convite,
estarei à disposição", disse o deputado, ao dizer que seu nome
tem tido apoio de deputados de vários partidos, entre eles o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
"Sou e serei um apoiador da reforma da Previdência.
Obviamente não estou vinculando uma coisa à outra", disse Marun.
"Só fiquei feliz por saber que o boato da minha indicação fez a
Bolsa subir e o dólar cair", completou.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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