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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

(Repete texto publicado na noite de segunda-feira)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 20 Nov (Reuters) – O presidente Michel Temer
escolheu um deputado ligado ao presidente da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), para o Ministério das Cidades e ainda costura
para agradar a bancada de deputados do PMDB a fim de tentar
ampliar sua base de apoio para aprovar a versão enxuta da
reforma da Previdência, disseram à Reuters uma fonte palaciana e
dois parlamentares envolvidos nas tratativas.
O nome escolhido é o do deputado Alexandre Baldy
(Podemos-GO), que deixou o partido nesta segunda para se filiar
ao PP e assumir a pasta. Deputado federal de primeiro mandato,
Baldy foi o relator do projeto de repatriação de recursos.
Prevista inicialmente para ocorrer nesta segunda-feira, a
indicação de Baldy por nota oficial do Palácio do Planalto deve
ficar para a terça e a posse, para o dia seguinte, às 15h30,
segundo uma fonte. Ainda há acertos políticos de última hora a
serem feitos e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI),
está em viagem no exterior e só deve chegar ao país na terça.
A escolha de Baldy também agrada a partidos do chamado
centrão e reduz a influência do PSDB na Esplanada dos
Ministérios. Principal aliado de Temer, o partido iniciou um
processo de desembarque com a saída na semana passada de Bruno
Araújo da pasta das Cidades.
"É uma pessoa bem-quista na Casa e foi apresentado por dois
partidos importantes da nossa base, o PP e o DEM", afirmou o
vice-líder do PMDB Carlos Marun (MS), deputado próximo do
Planalto.
"Isso tudo está sendo feito para ter o respaldo da base e
aprovar a reforma", reforçou um dos vice-líderes do governo na
Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), que esteve pessoalmente com Temer
na segunda.
O acerto do nome ocorreu após uma série de conversas no
final de semana entre Temer, Maia, o próprio Baldy e outros
parlamentares aliados.
Inicialmente, o PP pressionava para emplacar no cargo de
ministro das Cidades o presidente da Caixa Econômica Federal,
Gilberto Occhi, mais ligado a Nogueira. Contudo, o nome de Baldy
começou a ganhar força nos últimos dias na bancada da Câmara e
com outras legendas da base.
Uma das preocupações no Palácio do Planalto, de acordo um
interlocutor de Temer, é não desequilibrar a correlação de
forças na Esplanada entre os partidos da base. Baldy não poderá
concorrer a um cargo eletivo em outubro de 2018. Ele ficaria até
o final do mandato presidencial e não teria como se beneficiar
pessoalmente das ações do ministério.
Atualmente, o PP tem 45 deputados e ocupa os ministérios da
Agricultura e da Saúde, duas pastas com grande orçamento, além
da presidência da Caixa. O partido foi um dos principais aliados
de Temer na rejeição das duas denúncias criminais contra ele na
Câmara. Procurados, Baldy e Ciro Nogueira não quiseram dar
declarações antes da oficialização do nome ao cargo.
No momento, segundo Carlos Marun, o governo admite não ter
os votos suficientes para aprovar a reforma. São necessários ao
menos 308 votos no plenário da Câmara, em dois turnos de
votação. Ele disse que o trabalho a ser feito envolve ampliar o
apoio na base com a conclusão das mudanças na Esplanada e a
apresentação do novo texto da Previdência provavelmente na
quarta-feira, para tentar votar a matéria daqui a duas semanas.
Conhecido por fazer as "planilhas" de contagem de votos,
Mansur disse que o Planalto vai partir de uma base de 220 votos
fieis, que sempre votaram com o governo nas reformas e na
rejeição das duas denúncias contra Temer, e trabalhará nas
próximas semanas para garantir o apoio necessário para as
reformas.
Ele ainda não começou a contar os novos apoios e deve
começar a fazê-lo com a conclusão da reforma ministerial
"pontual".

SECRETARIA DE GOVERNO
Temer, segundo interlocutores no Planalto e no Congresso,
está decidido a Secretaria de Governo –atualmente ocupada pelo
tucano Antonio Imbassahy– para o PMDB. Mas a escolha do nome
está emperrada.
Por um lado, auxiliares de Temer veem com simpatia o nome do
presidente do Conselho Nacional do Sesi, o peemedebista João
Henrique de Almeida Sousa. Ele foi deputado federal e ministro
dos Transportes e tem trânsito com a bancada do partido na
Câmara.
Contudo, deputados do partido enviaram sinais de veto a João
Henrique e começaram a defender a ideia de que o novo ministro
seja escolhido dentro da bancada. O líder do PMDB na Câmara,
Baleia Rossi (SP), reuniu-se com Temer na tarde desta segunda
para transmitir o desejo dos parlamentares. Entre os cotados,
estão Carlos Marun, Mauro Lopes e Saraiva Felipe, os dois
últimos mineiros.
Segundo uma fonte, Temer passou a avaliar o cenário de
colocar um deputado peemedebista na pasta, mas tem sinalizado
que defende o mesmo compromisso com o PP, que o escolhido fique
até o final do mandato presidencial.
Temer continua a fazer consultas com aliados a fim de
definir o nome.
"O presidente está pensando a respeito, não sei se tomou uma
decisão", disse Marun, ao destacar que as negociações para a
pasta das Cidades estavam mais adiantadas.
Entre os aliados há quem defenda, no entanto, um nome que
não seja do PMDB para assumir o ministério. A ideia seria não
fortalecer o partido.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

PSDB
Temer também passou a avaliar a possibilidade de deslocar
Imbassahy da Secretaria de Governo para o Ministério de Direitos
Humanos, hoje ocupado pela também tucana Luislinda Valois.
Segundo uma fonte, Temer tem muita consideração por Imbassahy,
mesmo diante da provável saída do PSDB do governo, e cogita
mantê-lo na Esplanada.
Inicialmente, essa mudança do tucano não vinha sendo
admitida no Palácio do Planalto. Mas a intenção de manter
Imbassahy próximo também visa a passar um sinal de que o
presidente conta com o apoio dos tucanos na votação da
Previdência, mesmo com o desembarque do partido esperado para 9
de dezembro, dia da convenção nacional da legenda.
"A gente tem proximidade com o PSDB. O partido passa por uma
briga interna, mas não quer dizer que estamos brigando com
eles", destacou Mansur, para quem é "muito importante" assegurar
ao menos 30 votos dos tucanos na apreciação da reforma da
Previdência.

(Edição de Maria Carolina Marcello e Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 61 3426-7022;
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