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(Repete texto publicado na noite de quinta-feira)
Por Marcela Ayres e Pedro Fonseca
BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 1 Jun (Reuters) – Após 11 dias de
bloqueios e manifestações de caminhoneiros por rodovias de todo
país, o governo anunciou nesta quinta-feira que o Brasil está
retornando à normalidade com o fim da paralisação da categoria,
que teve suas principais demandas atendidas por meio de um
pacote com impacto bilionário.
Pela primeira vez, desde o início da paralisação dos
caminhoneiros em 21 de maio, não houve registro de pontos de
aglomeração de pessoas e veículos, ou qualquer outra
anormalidade no fluxo normal de veículo, em estradas do país, de
acordo com balanço da Polícia Rodoviária Federal, por volta do
meio-dia desta quinta-feira.
"Brasil está rodando e voando normalmente", afirmou o
ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio
Etchegoyen, a jornalistas, após reunião no Palácio do Planalto
do grupo instaurado pelo governo para acompanhar a situação do
desabastecimento provocado pela paralisação.
"Hoje de manhã operações importantes foram levadas a efeito,
trazendo as últimas boas notícias. Nós terminamos o dia ontem e
iniciamos hoje com o país voltando à normalidade", acrescentou.
O ministro reconheceu que o cenário ainda é de "filas em
alguns lugares", mas considerou que não houve "interrupção
dramática" nos abastecimento de gêneros de primeira necessidade.
O movimento dos caminhoneiros, que no auge das paralisações
chegou a realizar mais de 1.000 bloqueios em estradas de todos
os Estados e no Distrito Federal, provocou um desabastecimento
generalizado e afetou diversos setores da economia. Voos foram
cancelados, filas gigantescas se formaram em postos de gasolina
e muitas empresas chegaram a interromper a produção.
A greve começou a perder força na segunda-feira, depois que
um segundo acordo proposto pelo governo, desta vez atendendo à
maior parte das demandas dos caminhoneiros após uma recusa
inicial da categoria a uma proposta anterior, e finalmente
representantes do movimento recomendaram o fim da paralisação.
Os caminhoneiros em greve vinham mantendo resistência em
encerrar o movimento mesmo após o governo acionar o uso das
Forças Armadas para desbloquear rodovias e ameaçar impor multas
a quem se recusasse a desobstruir as vias.
A principal concessão feita pelo governo foi a redução do
preço do litro do óleo diesel em 46 centavos até o fim do ano
por meio de redução de impostos e por uma subvenção de 9,5
bilhões de reais da União, que irá ressarcir a Petrobras
por perdas com o diesel.
Para tapar o buraco, o governo anunciou uma série de
medidas, como reduções de benefícios tributários para
exportadores, empresas de refrigerantes e petroquímicas, além de
cortes de gastos públicos em áreas como saúde e educação.

Na avaliação do governo, a paralisação dos caminhoneiros
teria chegado ao fim antes não fosse por um locaute promovido
por empresas distribuidoras de combustíveis e transportadoras
que se aproveitaram do movimento para realizar um locaute,
quando empresários impedem funcionários de trabalhar, para
aumentar seus ganhos.
O Porto de Santos, o maior da América Latina, voltou a ter
movimentação de cargas nesta manhã por meio de uma operação
coordenada pelo Exército, após vários dias seguidos de
bloqueios, e cerca de 70 por cento do abastecimento de
combustível do país já tinha voltado ao normal, segundo a
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP).
No entanto, um representante da operadora de logística
Maersk Line disse que o acesso a Santos havia sido liberado, mas
os portões continuavam fechados. "Vimos algumas
importações-chave sendo liberadas de terminais no complexo de
Santos. Ainda assim, esperamos que os volumes de exportações do
Brasil continuarão sendo seriamente impactos pelas próximas
semanas", disse Antonio Dominguez, diretor para da costa leste
da América do Sul da Maersk.
Nesta quinta-feira a Polícia Federal prendeu um empresário
acusado de locaute no Rio Grande do Sul, na primeira operação
resultante de investigações realizadas durante a paralisação.

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Segundo o ministro Etchegoyen, não houve nenhum ato de
violência por parte do governo no emprego da força contra
aqueles que sabotaram o final da greve dos caminhoneiros. O
ministro lamentou a morte de um caminhoneiro com uma pedrada
lançada por um manifestante em Rondônia.
Ao participar de uma reunião com líderes evangélicos nesta
quinta, o presidente Michel Temer ressaltou que não houve
confrontos entre as forças de segurança e os grevistas, e
ressaltou a importância do diálogo para solucionar a crise.
Temer disse que se sentia "iluminado por Deus" por
participar de evento com religiosos no mesmo dia que o país
começava a retornar à normalidade. "Acho que fui chamado no dia
de hoje iluminado por Deus… para comemorar a pacificação do
país, acho que foi isso que nós fizemos", afirmou.

PETROLEIROS
Além do fim da paralisação dos caminhoneiros, também foi
anunciada nesta quinta-feira a suspensão da greve de 72 horas
convocadas por petroleiros contra o que afirmam ser um processo
de privatização da Petrobras , assim como contra a
política de preços adotada pela estatal.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) recomendou aos
sindicatos da categoria o fim da greve depois que o Tribunal
Superior do Trabalho (TST) declarou a greve ilegal e estabeleceu
multas de 2 milhões de reais por dia de paralisação.
De acordo com os sindicatos, 21 plataformas da Petrobras na
Bacia de Campos –responsável por cerca de metade da produção de
petróleo do Brasil– tinham aderido à greve, que também atingiu
refinarias e terminais.
Em comunicado após o anúncio da FUP, a estatal confirmou que
a greve de petroleiros acabou e que todas suas unidades estão
operando, acrescentando que não houve impacto sobre a produção e
nem risco de desabastecimento.

(Com reportagem adicional de Laís Martins em São Paulo
Edição de Maria Pia Palermo)
(([email protected]; 5561-3426-7021; Reuters
Messaging: [email protected]))


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