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Resumo da Semana do Mercado Financeiro

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Mais uma semana positiva para os mercados de risco no Brasil, bem de acordo com o que estamos prevendo faz tempo. Mesmo considerando que o noticiário não foi tão favorável, principalmente o político. No âmbito externo, tivemos menor aversão ao risco por conta da diminuição da crise geopolítica e redução dos efeitos de furacões nos EUA. Mais para o final da semana, a Coreia do Norte realizou outro teste com míssil.

No ambiente local, tivemos muitos eventos relacionados com a corrupção, na última semana de Rodrigo Janot à frente da PGR. Janot encaminhou denúncia contra políticos, o presidente da JBS Wesley Batista foi preso (Joesley já estava), o STF negou suspeição de Janot pedida pela defesa de Temer. A casa do ministro Blairo Maggi foi vasculhada e o presidente Lula prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro. O presidente Temer foi objeto de nova denúncia e ligação com o “quadrilhão” do PMDB da Câmara (chefe junto com Cunha), e outros caciques do PMDB também foram denunciados.

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Destaque especial para o depoimento do ex-presidente Lula que como rotineiramente não sabe de coisas cruciais e distribui algumas culpas para seu ex-ministros Palocci e a finada esposa Marisa. Se disse entristecido com as mentiras contadas por Palocci na semana anterior e disse que Marisa é que cuidava do apartamento anexo ao que mora, nada sabendo do pagamento de aluguéis. Também nada sabia sobre o terreno do Instituto Lula.

Com as tensões políticas ganhando corpo, o governo manteve a estratégia de tentar tirar o foco do presidente. Todos os ministros da área econômica deram inúmeras declarações e participaram de diferentes eventos, sempre dando ênfase a situação de recuperação da economia. Todos demonstrando que apesar do quadro político instável estavam trabalhando para organizar o país. O ministro Henrique Meirelles foi objeto de grande especulação sobre sua eventual pré-candidatura a presidente em 2018 pelo PSD, mas negou isso em manifestações posteriores, dizendo-se focado em ajustar a economia.

Na área econômica, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen veio bem positiva com inflação de 2017 em queda para 3,14% (anterior em 3,38%), PIB subindo para 0,60% (de 0,50%), Selic de final do ano em 7,0% e produção industrial crescendo para 1,10%. A ata da última reunião do Copom que reduziu a Selic em 1,0% para 8,25% veio dentro do esperado. O Bacen parece querer reduzir a velocidade de queda dos juros, mas deixou uma fresta aberta para manter queda de 1,0%. Os mercados passaram a trabalhar com redução de 0,75% na reunião de 25 de outubro, mas admitem a possibilidade da taxa de final do ano ser inferior aos 7,0%.

O saldo da balança comercial até a segunda semana de setembro estava positivo em US$ 1,38 bilhão, gerando superávit comercial acumulado em 2017 de US$ 49,48 bilhões. Registramos a divulgação do IBC-BR pelo Bacen (uma prévia do PIB) no mês de julho, com expansão de 0,41% com ajuste, maior que o esperado e o melhor desde dezembro de 2015. No ano, está positivo em 0,14% sem ajuste. O IBGE divulgou o volume de serviços prestados em julho em queda de 0,8%, e queda no ano de 4,0%. Foi a primeira queda desde o mês de março. Destaque ainda para os serviços prestados às famílias que cresceram 0,9%. O governo retomou o discurso de reformas da Previdência e Tributária, essenciais para seguir adiante mais equilibrado.

No segmento acionário, a B3 anunciou que o volume médio transacionado no mês de agosto subiu 19,7%, ficando em R$ 8,8 bilhões/dia. Os investidores estrangeiros, até a sessão de 12 de setembro, tinham alocado recursos no montante de R$ 2,88 bilhões, deixando o ingresso líquido do ano em R$ 13,86 bilhões. Destaque para os sucessivos recordes de pontos registrado pelo Ibovespa no correr da semana e boa absorção (até aqui) de vendas por realizações de lucros. O dólar oscilou bastante, mas manteve valorização.

No segmento externo, durante o final de semana anterior, a Coreia do Norte não cometeu nenhum deslize, mas mais para o final da semana voltou a ameaçar “afundar o Japão e reduzir os EUA a cinzas e escuridão”, e lançou míssil sobre o Japão. Foi pedida nova reunião do conselho de segurança da ONU.

Na China foi anunciada bateria de dados do mês de agosto tendo como característica a desaceleração da atividade. A produção industrial arrefeceu em agosto para taxa anual de 6,0%, com leve expansão de 0,46% no mês. As vendas no varejo cresceram no ritmo anual de 10,1%, quando em julho mantinham 10,4%. Investimentos em ativos fixos urbanos em alta nos oito meses de 7,8% (anterior em 8,3%) e vendas de residências desacelerando para ritmo anual de 14,2% (anterior em 15,9%).

Nos EUA, Trump quer aprovar até o final do ano sua reforma tributária e quer que seja decisão bipartidária. Na economia, o PPI (Atacado) de agosto mostrou inflação de 0,2%, menor que o previsto, mas o CPI (Consumidor) cresceu 0,4% com núcleo em 0,2%, e colocou de volta maior probabilidade de alta de juros em dezembro pelo FED. Em compensação, o índice de atividade de NY caiu para 24,4 pontos em setembro, a produção industrial encolheu 0,9% em agosto e vendas no varejo em queda de 0,2%.

Na Alemanha, o governo prevê ritmo menor de crescimento no segundo semestre e a inflação pelo CPI de agosto subiu 0,1% com taxa anualizada de 1,8%. Na zona do euro, a produção industrial de julho expandiu 0,1%. No Reino Unido, a taxa de desemprego do trimestre encerrado em julho caiu para 4,3%. O banco central inglês (BOE) manteve a política monetária estabilizada com taxa de juros em 0,25% e compra de ativos de 435 bilhões de libras, mas deixou expresso que deve promover mudanças nos próximos meses.

RESUMO DA SEMANA
B3 +3,66 (75756) DOW JONES +2,16 NASDAQ +1,38 DÓLAR +0,65 (R$ 3,113)

PERSPECTIVA

Continuamos a acreditar que a tendência primária da B3 segue sendo de alta. Claro que assusta a aceleração recente e batimento de recordes sucessivos, principalmente quando colocamos na análise o comportamento da economia e, principalmente, o ambiente político. Em períodos de recordes, normalmente temos a oferta crescendo, mas junto com ela ocorrem fluxos adicionais de recursos canalizados.

Num ambiente praticamente dado de encolhimento dos juros e com a economia mostrando alguma recuperação recente é justo e mais confortável que os investidores ousem um pouco mais em suas aplicações, na tentativa de obter retornos mais atrativos. O importante nessa fase é atentar para os fluxos que ingressam e cotejar com eventuais pressões vendedoras e realizações de lucros recentes.

Vai existir momentos em que a oferta de títulos será integralmente absorvida, e outros onde isso não acontecerá. Isso posto, queremos dizer que ainda teremos muita volatilidade acontecendo nos mercados e investidores ainda mais tensos. Porém seguimos indicando que a tendência primeira é de alta e há espaço para formar posições de longo prazo em empresas que possam sair na frente na recuperação, maduras, com boa governança e política conhecida de distribuição de resultados.

Depois de ter atingido sucessivos recordes e de ter vazado o patamar de 75000 pontos, continuamos a acenar com o objetivo mais próximo de 77000/78000 pontos. Há quem esteja projetando faixas mais elevadas, mas preferimos ir avaliando os momentos e cenários. Porém nada disso será válido se o governo não instruir bem e conseguir avançar com reformas que são essenciais para ordenar nossa economia. Em termos de análise gráfica, o risco de perdermos o patamar de 74000 pontos, pode acelerar quedas.

No segmento externo, nossa maior preocupação é com o risco geopolítico protagonizado por Coreia do Norte, EUA e Trump, se não conseguir emplacar suas reformas. Mas até isso, parece estar melhorando.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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