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Resumo da semana do mercado financeiro

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Novamente encontramos completa dominância da crise política agindo sobre os mercados durante boa parte do período. Aquela percepção de que teríamos solução rápida para a crise começou a dissipar e os mercados registraram isso no início do período. No âmbito externo, não tivemos quase nenhuma trégua, com pressões renovadas sobre Trump em relação a demissões de secretários, problemas com seu genro e russos e, aspereza no trato com Angela Merkel da Alemanha. Além disso, a saída dos EUA do acordo climático de Paris. Acrescentamos eleições antecipadas na Itália e Reino Unido, com as oposições podendo ganhar espaço.

Nos mercados, notamos que commodities importantes tiveram quedas de preços, notadamente o minério de ferro na volta do feriado prolongado chinês, e petróleo por conta do noticiário de que a Líbia estava ampliando produção, mesmo após acordo dos membros da OPEP.

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No cenário local, tivemos inúmeras manifestações da cúpula do Executivo tentando passar ambiente de tranquilidade. Temer falou em diferentes ocasiões, o mesmo para outros ministros como Meirelles e Dyogo Oliveira. Mas do lado do Legislativo e Judiciário, a situação esteve sempre tensa. A base de apoio de Temer no PSDB começou a se movimentar no sentido de desembarque, não querendo nem esperar o dia 06 de junho, quando o TSE começa a julgar a chapa Dilma-Temer. A Reforma Trabalhista teve votação adiada na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e muita discussão sobre tentativa de Temer de manter foro privilegiado para seu ex-assessor, Rocha Loures.

No Judiciário, Edson Fachin, causou algumas derrotas ao presidente. Não deu mais prazo para que a Polícia Federal interrogue o presidente (mas pode não responder sobre gravações), desmembrou os inquéritos de Aécio (sorteado para Marco Aurélio ser relator), mas manteve Loures ligado a Temer e ainda tivemos novas escaramuças da Lava Jato. Temer blindou Moreira Franco temendo delação de Funaro e Palocci promete entregar empresas, Lula e outros na sua delação em troca de prisão domiciliar.

Na economia, três notícias mais importantes. O Copom reduziu a taxa Selic para 10,25% (queda de 1,0%), mas deixou claro que pode reduzir a velocidade nas próximas reuniões. Outra foi o PIB positivo do primeiro trimestre de 2017, em alta de 1,0% (trimestre contra igual período de 2016 -0,4%), interrompendo sequência de oito trimestres seguidos de queda. Porém, a agropecuária foi a grande responsável pelo feito com expansão de 13,4% (contra igual trimestre +15,2%). Foi muito concentrado no segmento agro, e não há qualquer garantia que isso se repita nos próximos trimestres. A produção industrial de abril melhorou com alta de 0,6%, mas mostra queda de 3,6% em 12 meses. Podemos dizer que devolveu parte da forte queda do mês anterior.

Nos mercados, os juros oscilaram bastante durante o período, o mesmo acontecendo com o câmbio (mas terminando comportado) e a Bovespa sem mostrar consistência fechou o mês de maio com queda de 4,1%. Os investidores estrangeiros alocaram liquidamente em maio R$ 2,81 bilhões e acumula ingressos no ano de R$ 6,3 bilhões. As commodities influíram decisivamente no comportamento de ações de siderúrgicas, Vale e Petrobras, e os juros nas do setor bancário. Destacamos ainda recordes históricos registrados para o Nasdaq e S&P durante o período.

No cenário externo, destacamos discursos bem mais moderados de dirigentes regionais do FED mostrando incertezas com a política econômica de Trump, mas ainda falando em inflação comportada, juros subindo mais duas vezes em 2017 e redução do tamanho do balanço do FED mais para o final do ano. Os dados do Livro Bege indicaram desaceleração do crescimento e queda no otimismo, além de mercado de trabalho comprimido. Os indicadores de conjuntura anunciados no período tiveram viés mais negativo, bem como o payroll divulgado no final da semana que mostrou criação de empregos de 138000, quando o esperado era 180000. A taxa de desemprego caiu para 4,3%.

Ao longo da semana, foram anunciados índices de atividade industrial para diferentes países. Na China, a atividade industrial caiu em maio para 49,6 pontos (abaixo de 50 pontos indica isso), na Índia desacelerou para 51,6 pontos e no Reino Unido para 56,7 pontos. Em compensação, na Alemanha houve expansão para 59,5 pontos em maio e na zona do euro alta para 57,0 pontos. Nos EUA, cedeu para 52,7 pontos e no Brasil subiu para 52,0 pontos. Indicadores mais fortes na Alemanha e zona do euro corroboram com a visão do BCE (BC Europeu) de que a economia está crescendo forte e acelerando e com inflação baixa.

Mas a região segue confusa com eleições no Reino Unido que devem sagrar Theresa May vencedora, mas que pode não ter apoio do parlamento e eleições antecipadas na Itália que pode ampliar a oposição. Na China, destaque para a valorização produzida na moeda yuan pelo PBOC, chegando na paridade em relação ao dólar de 6,80 baixo. No Japão, a produção industrial de abril expandiu 4,0%, no maior ganho percentual desde junho de 2011.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA -2,46 (62510) DOW JONES +0,57 NASDAQ +1,53 DOLAR -0,40 (R$ 3,254)

PERSPECTIVAS

Seguimos alertando para a grave crise política vivida pelo país. A semana, teoricamente, embute o julgamento da chapa Dilma-Temer das últimas eleições. O que pode esclarecer muita coisa. Porém, no nosso entender, a maior probabilidade é de que algum ministro peça vista do processo e o prazo para decisão se alongue bastante. Os agentes do mercado que acreditavam numa definição rápida já duvidam dessa tese. No mesmo dia, ainda teremos discussões dentro do PSDB para aprovar ou não o desembarque do partido da base de apoio de Temer.

PIB melhor impulsionado pela agricultura, inflação e juros cadentes e balança comercial com bom desempenho; já estavam completamente antecipadas nas previsões. Ocorre que agora teremos efeitos do “pós-Joesley” sobre a economia, e eles não são bons. Já há quem estime PIB novamente negativo no segundo trimestre.

No plano externo, teremos eleições no Reino Unido que pode tornar o Brexit mais sofrido. Além disso, a Itália segue com o espectro de eleições antecipadas e ascensão da oposição. Dois outros fatores devem ainda ser considerados: a situação de Donald Trump é sempre complicada e muito polêmica e agora isolacionista podendo afetar outras economias; e existe a expectativa de desaceleração mais forte na China que pode influir negativamente em economias emergentes, inclusive a nossa.

Do ponto de vista da análise técnica, não deveríamos perder patamar pouco superior aos 62000 pontos, sob pena de a Bovespa arrefecer ainda mais. Melhora mesmo só será sinalizada quando ultrapassar a faixa de 63300 pontos com consistência e tentar abrir objetivo para buscar a casa de 64000 e 66200 pontos. No mais, os mercados seguirão repercutindo os dados diários colocados no noticiário.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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