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RESUMO DA SEMANA – 9 a 13/04

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Semana de grande volatilidade nos mercados de risco de todo o mundo, com alternância de sinais, mas também com viés mais para positivo. No segmento internacional, Donald Trump deu as cartas dos mercados, e por aqui o Lado político e expectativa com votações no STF contaminaram. Mais para o final da semana o risco geopolítico voltou a subir.
No cenário externo dois eventos dominaram as preocupações. De um lado a continuidade dos atritos comerciais, e de outro o acirramento do risco geopolítico. A guerra política entre China e EUA seguiu forte com relação às sobretaxas impostas, com as declarações de dirigentes beirando a guerra comercial, como tem avaliado a OMC. Na realidade EUA e China não desejam isso. Trump só quer participar mais do enorme mercado chinês de forma mais isonômica e menor desequilíbrio em sua balança comercial. Só para lembrar, o superávit da China contra os EUA no trimestre chegou a US$ 58 bilhões.

O presidente da China Xi Jinping surpreendeu, e ao invés de anunciar mais retaliações aos EUA disse estar trabalhando em reformas e mudanças na economia, ciente de suas responsabilidades global, querendo globalização mais aberta e inclusiva, apoiando o livre comércio e implementando abertura de seu sistema financeiro. Trump agradeceu as palavras “gentis” de seu amigo Xi, dizendo que farão progresso juntos. Trump falou que quer tributação recíproca e empresas chinesas que produzem nos EUA estão tendo dificuldades para exportar para a China.
O PBOC (BC chinês), disse que não fará desvalorização competitiva do yuan e também anunciou que os investimentos diretos no país (IED) cresceram 2,6% em março com US$ 13,4 bilhões e atingiu no trimestre US$ 34,5 bilhões. Por lá a inflação medida pelo CPI (consumidor) anualizada caiu para 2,1% e no atacado (PPI) caindo para 3,1%. No Japão o BOJ (BC japonês) reafirmou sua política monetária agressiva que só mudará quando a inflação estiver na direção de 2,0%. Também avaliou que as regiões estão mostrando aceleração de crescimento.
Na Europa o BCE (BC europeu) falou em política monetária prudente, paciente e persistente e ainda necessária. Também alertou para os riscos de uma guerra comercial e euro forte. Aliás, alertada por todos os dirigentes do mundo. Na zona do euro a produção industrial de fevereiro encolheu 0,8% e o superávit comercial de fevereiro em 21 bilhões de euros. No Reino Unido a produção industrial de fevereiro cresceu 0,1%, bem menos que o esperado 0,6%. Já o déficit da balança comercial veio menor que o previsto em 10,2 bilhões de libras. Na Alemanha o superávit comercial caiu para 19,2 bilhões de euros e inflação pelo CPI comportada em taxa anualizada de 1,6%.
Nos EUA, além dos atritos comerciais direcionados primordialmente à China, o outro fator foi o aumento do risco geopolítico envolvendo uso de armas químicas na Síria que a Rússia não conseguiu controlar. Trump sinalizou ataques com misseis na Síria e dizendo para a Rússia se preparar. O presidente Putin disse que não fazia diplomacia pelo Twitter, mas navios russos deixaram portos da Síria. Depois Trump voltou a tuitar dizendo que não tinha afirmado ataque iminente e que várias opções estavam sendo discutidas. Essas idas e vindas de Trump mexeram muito com os mercados de risco. Trump coordenou aliança com Europa de represália.

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Outro fato que mexeu com os mercados foi o depoimento de Zuckerberg do Facebook no Congresso americano, admitindo culpa da empresa e sua pelo vazamento de cadastros, fato que ajudou na recuperação das ações de tecnologia. O FED também divulgou a ata a da última reunião de política monetária e por ela ficamos sabendo que dois membros queriam manter juros estabilizado. Mas todos admitem que a alta e apropriada no médio prazo. Acreditam que a reforma tributária vai impulsionar significativamente o crescimento e também advertiram para risco de guerra comercial.

Não ficou claro se teremos 3 ou 4 altas de juros em 2018 e a inflação pode ficar algum tempo acima de 2,0%, quando medida pelo PCE. A inflação de março pelo CPI ficou negativa em 0,1% e núcleo em +0,2%. O núcleo anualizado está em 2,1%. O preço dos importados ficou estável em março. Muitos boatos de demissão do procurador Mueller que investiga conluio com a Rússia na eleição de Trump.
No cenário local Temer deu posse para 10 novos ministros e a indicação de Moreira Franco para Minas e Energia provocou grande revoada de demissões de profissionais da área. O mesmo não aconteceu na Fazenda com Eduardo Guardia assumindo no lugar de Meirelles. O discurso de Guardia soou como música, falando em acelerar a privatização da Eletrobrás, fechar acordo de cessão onerosa com a Petrobras, acelerar reforma do PIS/COFINS e desoneração da folha de pagamentos e uso do mercado de capitais e investimentos privados. Mas nada disso será fácil.
Colnago do Planejamento e Guardia também anunciaram o projeto de LDO de 2019 (lei de diretrizes orçamentária), mantendo déficit do governo central em R$ 139 bilhões (1,84% do PIB), regra de ouro com R$ 254,3 bilhões e déficit da previdência de R$ 208,6 bilhões. A dívida bruta deve atingir 77,7% do PIB.
O IBGE anunciou vendas no varejo em queda de 0,2% em fevereiro, mas no bimestre alta de 2,3%. O varejo ampliado também caiu 0,1% em fevereiro e alta no ano de 5,9%. Ainda estamos 8,5% abaixo do pico ocorrido em outubro de 2014. A inflação oficial de março (IPCA) desacelerou para 0,09% (anterior em 0,32%), acumulando no a no 0,70% e em 12 meses atingindo 2,68%. O saldo da balança comercial até a primeira semana de abril mostrava superávit acumulado de US$ 15,4 bilhões.

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA -0,57 (84334) DOW JONES +1,80 % NASDAQ +2,76% DÓLAR 3,426 (+1,87%)

PERSPECTIVAS
A próxima semana deve ser ainda de intensa volatilidade por conta de risco geopolítico, atritos comerciais, retaliações, etc. Do lado interno as conturbações derivam da percepção que a economia começa a mostrar sintomas de arrefecimento. O lado bom disso e que poderemos ter ainda duas reduções da taxa Selic (maio e junho).
No meio de Síria, Rússia e Irã. No meio de confusões com fronteiras dura das Irlandas e confusões sobre o Brexit. Tendo ainda o quase incendiário Trump liderando a maior economia e Macron acelerando represálias na Europa; não é de se esperar mercados de risco mais tranquilos nos próximos dias.
Por aqui, estritamente no mercado, teremos vencimento de derivativos, o que sempre agrega grande volatilidade e disputas entre comprados e vendidos, especialmente quando o mercado está por muito tempo dentro de zona de congestão. Do ponto de vista político vamos abrir a semana com a primeira pesquisa pós prisão do ex-presidente Lula que pode conter algumas surpresas e até (quem sabe) espantar o risco de radicais ganharem maior expressão. Mas ainda é muito cedo. Definições só depois da Copa do Mundo.
Como temos lembrado, o índice mostra zona de congestão entre 83900 pontos e 85500 por muito tempo, e está mais próximo de romper no sentido da alta, o que poderia provocar rápido destravamento. Associado a isso temos o fato que os resultados de empresas americanas devem apresentar boa expansão no primeiro trimestre do ano, o que dá força para manutenção de “bull market”.
Aqui, a tendência é de acompanharmos isso, mas a prudência segue sendo lembrada. Sugerimos uso de derivativos para proteger posições, ao mesmo tempo que recomendamos aquisições progressivas de empresas com bom conteúdo fundamentalista e com horizontes temporais dilatados para retorno. Acreditamos que diante das taxas apuradas na renda fixa, investidores institucionais e pessoas físicas terão que arriscar mais para obter melhores retornos


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