Clicky

RESUMO DA SEMANA – 22 a 26/01

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

O feriado na cidade de São Paulo em 25 de janeiro deixou a semana mais curta para os mercados no Brasil. Mas nem por isso menos excitante. Durante todo o período, tivemos enorme expectativa com o julgamento marcado pelo TRF-4 do ex-presidente Lula, muita volatilidade e estresse dos investidores. No âmbito externo, o estresse ficou por conta da curta paralisação de órgãos do governo americano (durou um final de semana), mas por conta de medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e declarações sobre o dólar.

No cenário local, houve ampla dominância das expectativas com o julgamento de Lula pelo TRF-4 em 24 de janeiro. Durante todo o tempo, as previsões indicavam que o placar seria de 3×0, mas com leves dúvidas na medida em que a data se aproximava. No final, o placar foi confirmado, e a surpresa ficou pelo agravamento da pena originalmente imposta por Sergio Moro para 12 anos e um mês.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Além disso, os juízes foram muito didáticos em seus votos, derrubando as teses da defesa (que já eram conhecidas). O presidente Lula discursou em São Paulo se comparando com Mandela e dizendo que irá se candidatar. Porém, sua candidatura já nasce desgastada e esgotados os recursos (de declaração e infringentes) o ex-presidente pode até ser preso. Lula teve o passaporte confiscado pela Polícia Federal. Temer e Meirelles estiveram no Fórum Econômico Mundial de Davos vendendo o Brasil para investidores (foco em infraestrutura), mas Temer discursou para metade da platéia, segundo noticiário.

Meirelles repetiu seus últimos discursos sobre melhora dos fundamentos da economia e postura das agências de rating. Ao que parece, Temer agora se concentrará em tentar aprovar a reforma da Previdência ainda em fevereiro. O ministro Marun diz ter 265 votos pela reforma na Câmara e cerca de 60 indecisos. O relator Arthur Maia quer votar com qualquer quórum e Meirelles diz que não foi fechada questão sobre os itens da reforma (?).

No ambiente econômico, o ministro Dyogo Oliveira falou sobre o insustentável déficit da previdência em 2017, que computado o setor público, ascendeu a R$ 269 bilhões. Segundo ele, isso coloca em risco a boa gestão dos recursos públicos. Dyogo falou sobre contingenciamento no orçamento, mas não deu números, alegando ser preciso vislumbrar o comportamento das receitas e despesas. Meirelles acrescenta que a projeção do mercado para o PIB de 2018 deve chegar até 3,0%, e a Fazenda estima que os investimentos diretos no país (IDP) deve atingir US$ 80 bilhões em 2018 (2017 foram US$ 70,3 bilhões). O Governo estuda como garantir o cumprimento da regra de ouro em 2019 e, para tanto, conta com a devolução de recursos pelo BNDES.

O IBGE anunciou a prévia da inflação oficial de janeiro pelo IPCA-15 em alta para 0,39% (anterior em 0,35%), menor que a prevista, e deixando a inflação em 12 meses em 3,02%. Destaque para a queda da energia no período de 3,97%. O índice de difusão da inflação subiu bem para 61,9%. O saldo da balança comercial até a terceira semana de janeiro estava positivo em US$ 1,8 bilhão. A arrecadação de 2017 teve alta real de 0,59% em R$ 1,34 trilhão. Desonerações de R$ 84,4 bilhões.

A Moody’s, uma das três maiores agências de classificação de risco do mundo, disse que o Brasil será o país que mais sentirá o aumento da dívida em 2019. Apesar disso, o CDS (Credit Default Swap) está em queda para cerca de 152 pontos. O Bacen anunciou que o fluxo cambial até 24 de janeiro estava positivo em US$ 4,2 bilhões, e compra de ações em US$ 2,5 bilhões. A FGV anunciou que a confiança do comércio subiu para 95,1 pontos, e a do consumidor para 88,8 pontos, ambas no maior patamar desde meados de 2014. O déficit em conta corrente de 2017 ficou em US$ 9,7 bilhões.

No cenário externo, a maior preocupação coube às medidas protecionistas anunciadas pelo governo de Trump, visando basicamente a China, ampliando tarifas para painéis solares e alguns eletrodomésticos. O noticiário internacional fala ainda em extensão para aços, e alumínio. Houve muitas críticas sobre isso em Davos por parte da China, Alemanha e outros países, incluindo a Índia, onde o primeiro ministro Narendra Modi, pregou o livre comércio. A China declarou promessa de abrir mercado para empresas estrangeiras e se manifestou contra o protecionismo, esperando que a tensão comercial com os EUA não amplie.

O governo chinês disse que vai monitorar investimentos externos maiores que US$ 300 milhões. Na Coreia do Sul, o PIB anualizado de 2017 ficou em 3,0%. No Japão, foi fechado acordo Transpacífico de comércio com outros dez países e pretendem estende aos EUA, que Trump detonou em seus primeiros atos de governo. O BoJ manteve a política monetária estabilizada, manteve projeção de PIB e Kuroda reafirmou flexibilização até que a inflação se aproxime de 2,0%.

Na Alemanha, a expectativa é de que até a Páscoa, Angela Merkel, tenha conseguido implantar governo de coalizão. O índice Zew de expectativas econômicas de janeiro subiu para 20,4 pontos. O PMI da atividade industrial de janeiro (preliminar) caiu para 61,2 pontos e serviços subiu para 57,0 pontos. O índice IFO de sentimento econômico foi para 117,6 em janeiro. Na zona do euro, o PMI industrial de janeiro caiu para 59,6 pontos e de serviços subiu para 57,6 pontos. A confiança do consumidor de janeiro subiu para 1,3 ponto, no maior patamar desde agosto de 2000. O BCE (BC Europeu) manteve a política monetária estabilizada (juros de -0,4%), a compra de títulos mensal de 30 bilhões de euros e, prevê ainda, juros nesse patamar por bom tempo, bem além do término do QE.

Nos EUA, começamos a semana com o governo travado pela não votação de teto da dívida pelo senado, mas logo no início do período a situação foi corrigida, com o Senado aprovando extensão, a Câmara voltando a aprovar e Trump sancionando. O PMI composto de janeiro caiu para 53,3 pontos e o industrial subiu para 55,5 pontos. As vendas de imóveis usados encolheram 3,6% em dezembro.

O PIB do quarto trimestre cresceu anualizado 2,6% menor que o previsto de 2,9%, e as encomendas de bens duráveis subiram 2,9%. O secretário de comércio americano culpou a China por atividades protecionistas e suas declarações desequilibraram o câmbio. Trump foi cometido em suas declarações em Davos e disse que podem voltar aos EUA cerca de US$ 4,0 trilhões.

RESUMO DA SEMNA
IBOVESPA +5,14 (85392) DOW JONES +1,71 NASDAQ +1,88 DÓLAR -1,97 (R$ 3,138)

PERSPECTIVAS

Como temos afirmado em todos os últimos comentários, na nossa visão, o processo ainda é de alta para ativos de risco. Reforçamos isso com o ingresso de recursos de investidores estrangeiros e locais, assumindo maior parcela de risco em renda variável na gestão de recursos. Não temos lembrança de fluxo tão grande e tão contínuo (23 pregões até 23 de janeiro) de estrangeiros para a B3 como nesse início de ano. Atingindo R$ 6,6 bilhões, algo como 49% de tudo que ingressou em 2017. Os locais estão sendo responsáveis por bom fluxo, já que estavam pouco expressivos em renda variável.

Fluxo de recursos elevado sendo canalizado e descompasso com novas ofertas de títulos, levam a conclusão de que os ajustes continuarão a ocorre pela reprecificação positiva dos ativos. Como pano de fundo de tudo isso, temos a recuperação da economia global, com destaque para a zona do euro e a incógnita de maior tração na economia americana pela reforma tributária de Trump. China, Japão e Índia mantendo crescimento e América Latina, segundo o FMI (sempre mais modesto) crescendo cerca de 2,5%. O mesmo FMI parece defasado em relação ao Brasil quando projeta crescimento de 2,0%.

No Brasil, temos duas grandes incógnitas que podem pesar nessa avaliação constantemente positiva. De um lado, o barulho que o condenado Lula em segunda instância e seu partido possam eventualmente fazer daqui para frente. E de outro, como o governo irá retomar a reforma da Previdência e medidas de ajuste. A reforma da Previdência não pode ficar para depois das eleições e tem que ser tentada ainda em fevereiro.

Já medidas como reoneração da folha de pagamentos, bloqueio de aumento de servidores, tributação de fundos exclusivo e contingenciamentos deveria ser “para ontem”. Da mesma forma, esperamos celeridade nas concessões e privatizações desonerando a estrutura e reduzindo o tamanho do Estado. Celeridade na privatização da Eletrobrás.

Pela análise técnica, já atingimos o patamar que vínhamos indicando como provável acima de 83.000 pontos do Ibovespa. Agora, só resta elevar a régua para patamar ao redor de 86.000 e, depois, o horizonte de 90.000 pontos. Porém, alertamos para seletividade nas aplicações e sangue frio com realizações de lucros não tão bem absorvidas em determinados períodos.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


Assuntos desta notícia