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RESUMO DA SEMANA – 15 a 19/01

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Reforçamos o que temos dito em todos os últimos comentários. O fluxo de recursos para o mercado acionário global está fazendo a diferença. Praticamente todas as principais bolsas do mundo estão batendo recordes históricos, ou atingindo o maior patamar em anos, caso, por exemplo, da bolsa de Tóquio no maior nível em 26 anos. Do lado de recordes, aparecem Hong Kong, Mumbai, todos os três principais índices americanos e o Ibovespa.

Não temos o que questionar: os mercados assumiram nesse início de 2018 as melhores performances em anos. De nossa parte, já tínhamos mapeado que isso poderia acontecer. Basta ver o volume de recursos de investidores estrangeiros alocados na Bovespa até 16 de janeiro. Atingindo R$ 4,9 bilhões, algo como 36,6% de tudo que foi colocado ao longo de 2017. Dentre outros fatores, por trás de tudo isso, está o desempenho da economia global, agora mostrando boa recuperação.

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Lembramos que isso está ocorrendo mesmo considerando que as negociações sobre o Brexit, que se tornaram mais duras, e que Angela Merkel está padecendo em fechar coalizão para formar seu governo (outra eleição ainda não descartada). Além dos efeitos do movimento separatista da Catalunha. Isso sem contar novas sanções ao Irã e todos os problemas do oriente médio e Coreia do Norte. Também há os transtornos sobre elevação do teto da dívida americana que agrega mais estresse.

A semana não englobou a divulgação de muitos indicadores de conjuntura em países, exceção para a China. Os investimentos não financeiros no exterior encolheram 29,4% em 2017, mas os investimentos externos diretos (IED) expandiram 7,9%, em US$ 136,4 bilhões. A dívida de governo locais cresceu 7,5% em 2017 para US$ 2,5 trilhões, e esse é um ponto nervoso para ser observado.

Seguindo ainda na China, o PIB de 2017 mostrou expansão de 6,9%, sendo essa a primeira vez em sete anos que há expansão em relação ao ano anterior. A produção industrial de dezembro anualizada teve alta de 6,2%, mais que o previsto. Mas as vendas no varejo cresceram 9,4%, quando o previsto era 10,1%. Os investimentos em ativos fixos urbanos encerraram 2017 com expansão de 7,2% e as vendas de moradias com alta de 11,3% com preços de novos imóveis em elevação de 5,8%. No Japão, o BoJ fez boa avaliação de economia e de algumas regiões, ao mesmo tempo em que discute mudanças na política monetária, que não parecem ser para o curto prazo. Apesar disso, foi suficiente para derrubar as cotações do iene.

Na Alemanha, a inflação medida pelo CPI (Consumidor) para dezembro ficou em 0,6% com expansão anualizada de 1,7%. O PPI em 2017 de alta para 2,6%. O CPI para o Reino Unido registrou alta de 0,4% e anualizado 3,0%. Na zona do euro, o CPI de dezembro foi de 0,4% e taxa anualizada de 1,4%, bem longe da meta.

Nos EUA, continuamos com a celeuma ao redor da elevação do teto da dívida. Durante o período, vários dirigentes regionais do FED falaram todos no mesmo tom. Somente Charles Evans de Chicago é que disse ser apropriado menos de três altas de juros em 2018, mas ele votou contra elevação na última reunião. Se estudam alternativas sobre como avaliar a inflação e consequente política monetária. O índice de atividade de NY em janeiro teve contração para 17,7 pontos (anterior em 19,6 pontos), a produção industrial subiu 0,9% e anualizada 3,6% e os dados do livro Bege mostraram que a economia segue com bom impulso. A construção de novas residências em dezembro encolheu 8,2% e o índice de atividade do FED de Filadélfia caiu para 22,2 pontos.

No cenário local, a pesquisa semanal Focus veio tranquila com destaque para o PIB de 2018 crescendo na margem para 2,70% e a produção industrial expandindo para 3,20%. Durante a semana, a Moody’s praticamente referendou o rebaixamento feito pela S&P, mostrando cética sobre o adiamento da reforma da Previdência e indicando alta probabilidade de descumprimento da regra de ouro, negativo para o rating do país.

O Bacen divulgou que o fluxo cambial até 12 de janeiro ficou positivo em US$ 1,86 bilhão, com fluxo financeiro de US$ 3,2 bilhões. Uma semana depois do rebaixamento pela S&P o governo autorizou a abertura do bônus global 2047, com captação de cerca de US$ 1,0 bilhão e vai testar mercado.

No plano político, nada mudou muito. O governo Temer ainda não conseguiu cassar a liminar que impede Cristiane Brasil de assumir o Ministério do Trabalho, e o presidente demorou em afastar quatro vice-presidentes da Caixa Econômica, só fazendo depois de muita pressão, inclusive do Bacen. Com isso (felizmente), a captação que o FGTS faria na Caixa de R$ 15 bilhões foi meio detonada e deixará de trazer novos constrangimentos ao presidente.

Rodrigo Maia em visita aos EUA deu declarações sobre a situação do país e crescimento, e mostrou não acreditar muito em quórum para aprovação da reforma da Previdência marcada para 19 de fevereiro. Meirelles voltou a falar sobre candidatura e economia melhorando repetindo discursos anteriores. Espanto para suas declarações de amizade com o ex-presidente Lula, talvez na tentativa de angariar votos. Lula em evento declarou que se o PT quiser, será candidato. E que eleições sem ele seria fraude.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA +2,54 (81365) DOW JONES +0,86 NASDAQ +0,95 DÓLAR -0,28 (R$ 3,20)

PERSPECTIVAS

A próxima semana será de longo estresse e de resultados improváveis. O período embute o julgamento de Lula pelo TRF-4, uma das vertentes definidoras que temos destacado. Um placar de 3×0 contra o ex-presidente pode levar os mercados de risco a alavancarem, descontado o que já teria subido por conta dessa expectativa. Placar diferente disso pode provocar saídas precipitadas, e reversão da tendência de curto prazo da B3, dólar e juros. Pior que isso vai acontecer na véspera do feriado paulista, e se atrasar a decisão os mercados podem não ter tempo para ajustar.

A outra vertente representada pela reforma da Previdência vai, a nosso julgamento, ficando cada vez mais distante e pouco provável. As últimas notícias mostram isso. Não que fosse fundamental para o ajuste, mas uma forma de sinalizar que vamos continuar a perseguir reformas, mesmo com o processo eleitoral logo ali na frente. Podemos citar que nesse ambiente outras agências de risco irão rebaixar a nota de crédito do país. Se a S&P não fez efeito, as três na mesma direção certamente farão.

Com isso, a tendência do fluxo de recursos é para escassear, e vai ser mais difícil captar recursos. Além de mais caro. Os planos de recuperação da economia estarão adiados e a roda da economia pode girar em sentido contrário. Isso sem falar no estresse do processo eleitoral. A abertura de captação do Brasil feita na semana para US$ 1,5 bilhão em global 2047 pode ter sido um teste para sentir como os investidores se posicionaram perante o rebaixamento da S&P, mas pode ser antecipação ao rebaixamento que ainda viria das outras agências.

De qualquer forma, a curta semana se mostra com comportamento improvável. Até agora a tendência era claramente de alta e com forte entrada de recursos. A partir disso, só conhecendo os resultados e discussões.

Fazendo uso da análise técnica, diríamos que quedas novamente até 80.000 pontos não causariam danos maiores. O problema é o que acontecerá no julgamento. Do ponto de vista positivo, o horizonte de curto prazo estaria próximo de 83.000 pontos, podendo ter paradas intermediárias.

Vamos precisar de boa dose de sorte nas operações e muito “sangue frio” para suportar a volatilidade.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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