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A semana ultrapassada foi complicada para os mercados de risco em todo o mundo, com o presidente Donald Trump sendo bastante responsável por isso. Sua intenção de elevar alíquotas de importações sobre aço e alumínio acirrou a sanha de outros países contra o protecionismo americano e produziu inúmeras declarações de formadores de opinião e dirigentes importantes.

No Brasil, o destaque ficou por conta da retirada de recursos de investidores estrangeiros da B3, que em apenas quatro sessões de março, já sacaram R$ 2,2 bilhões. Acrescentamos que o ingresso de recursos em 2018 desses investidores rondou R$ 10 bilhões, e agora mostra somente R$ 3,1 bilhões de ingresso.

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No cenário externo, foram muitas as declarações contrárias ao estabelecimento de barreiras alfandegárias pelos EUA. Trump parece não recuar muito, exceto (até o momento), no que tange ao México e Canadá. Mesmo assim se houver acertos de novos termos para o NAFTA; mas cabe destacar ainda declarações mais recentes da China dizendo que adotará medidas apropriadas caso haja guerra comercial. Mario Draghi, Presidente do BCE, acrescentou que decisões unilaterais no comércio são perigosas. Mas o importante foram declarações do presidente da Câmara americana, Paul Ryan, a demissão do conselheiro Gary Cohn e de dirigentes do FED.

Aliás, cabe ilustrar que a China mostrou superávit em queda em sua balança comercial com os EUA para US$ 21 bilhões, e Trump deseja relações de trocas mais equilibradas. O PMI de serviços caiu para 51,7 pontos e foram fixados alvos na reunião do Conselho Nacional do Povo. O crescimento projetado em 6,5% (2017 foi 6,9%), inflação em 3,0% e déficit orçamentário em 2,6% do PIB. As reservas internacionais caíram US$ 27 bilhões em fevereiro depois de doze meses em expansão, atingindo US$ 3,13 trilhões.

No Japão, o presidente do BoJ (BC Japonês) Kuroda, não considera rever ou eliminar taxa de juros negativa e só deve discutir retirada de estímulos se a inflação estiver na direção de 2,0%. Mas pode ajustar políticas. O PIB do Japão no quarto trimestre cresceu 0,4% e a taxa anualizada para 1,6%. Na Austrália, o banco central manteve a taxa de juros em 1,5%, a Turquia em 8,0% e Canadá em 1,25%. A África do Sul registrou crescimento do PIB de 1,3%.

Na Itália, as eleições ocorridas no final de semana, mostraram crescimento do Movimento Cinco Estrelas e partidos populistas, mas ninguém conseguiu formar governo. Na Alemanha, as encomendas à indústria surpreenderam negativamente e encolheram 3,9% em janeiro, de esperados -1,5%. A produção industrial de janeiro encolheu 0,1% e o superávit comercial atingiu 21,3 bilhões de euros. No Reino Unido, muitos problemas ainda acontecem com relação ao Brexit, setor financeiro e fronteira das Irlandas. Mas o governo espera formalizar as condições do Brexit na reunião do Conselho Europeu. A produção industrial cresceu em janeiro 1,3% e déficit comercial de 12,3 bilhões de libras.

Na zona do euro, destaque para a decisão do BCE (BC Europeu) de manter as taxas de depósito e refinanciamento estabilizadas e acrescentar que devem ficar nesses níveis por muito tempo depois do fim da flexibilização monetária. A compra de 30 bilhões de euros mês será mantida até setembro e além, se necessário. Apesar disso, retiraram a frase de ampliar a flexibilização se a situação piorar. Na sequência, o presidente Mario Draghi deu declarações confirmando forte crescimento da região e maior que o previsto, inflação contida e projetou PIB de 2018 com +2,4% e inflação em 1,4% Disse ser necessário manter estímulo em grau amplo.

Voltando aos EUA, na semana tivemos índice de atividade em serviços em direções opostas em fevereiro. O PMI caiu e o ISM subiu. Encomendas à indústria de janeiro com -1,4%, déficit comercial de janeiro em US$ 56,6 bilhões (o maior em nove anos) e produtividade da mão de obra no quarto trimestre estável. Os dados do Livro Bege mostram que a economia americana segue em expansão forte, com emprego em alta moderada, salários em alta e crescimento de modesto para moderado. O crédito ao consumidor de janeiro expandiu US$ 13,9 bilhões. A criação de vagas em fevereiro foi de 313.000 (alta), taxa de desemprego de 4,1% e salário médio por hora com +0,15%.

No segmento doméstico, destaque para o processo político começando a entrar em ebulição. Além da indicação e aceitação de Rodrigo Maia como candidato à presidência. Isso depois de Maia ter feito declarações se descolando do governo e criticando Temer, Meirelles e Alckmin. Meirelles em NY disse que os investidores estão otimistas com o Brasil e viu crescimento da confiança. Criticou protecionismo americano dizendo que isso no Brasil não ampliou a competitividade.

Ainda do lado político, o ex-presidente Lula coletou outra decepção no STJ, com o julgamento de seu Habeas Corpus preventivo sendo negado pelo placar de 5×0. Algumas projeções indicam que Lula pode ser preso até o final do mês com o julgamento dos embargos no TRF-4. Saiu a pesquisa CNT com Lula novamente na dianteira das eleições com 33,4% das intenções seguido de Bolsonaro com 16,8%. O presidente Temer tem a desaprovação de 83,6% e a avaliação negativa de seu governo está em 73,3%.

O IBGE anunciou que a produção industrial de janeiro caiu 2,4%, mas subiu 2,8% em 12 meses. Foi a maior queda desde fevereiro de 2016, mas ainda assim mostrou recuperação tímida depois de três anos em queda. Só para dar ideia, ainda estamos 15,8% abaixo do pico de produção ocorrido em junho de 2013. A inflação oficial de fevereiro teve alta para 0,32% (de 0,29%) acumulando no ano 0,61% e em 12 meses 2,84%. Foi a menor taxa para fevereiro desde o ano 2000. Outros indicadores de inflação divulgados permanecem comportados. Esses indicadores junto com discurso do presidente do Bacen, Ilan Goldfajn, induziram expectativa de nova redução da taxa Selic na reunião do Copom do final de março. Mais que isso, o consenso de mercado começa a migrar para que nessa reunião o órgão deixe a porta aberta para mais queda.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA 86371 (+1,63) DOW JONES +3,24% NASDAQ +4,17% DÓLAR R$ 3,252

PERSPECTIVAS

O quadro econômico global ficou sob tensão a partir do anúncio feito por Donald Trump sobre tarifação de produtos siderúrgicos e alumínio. Nesse momento, ainda não é possível vislumbrar os impactos que acontecerão. Não se tem ideia das isenções que os EUA poderão aplicar para países, e nem se teremos retaliações por outros países e/ou regiões.

Sabemos sim que as repercussões contra estão em nível elevado, citando a forte oposição da China. O Brasil como segundo maior exportador de produtos siderúrgicos para os EUA pode ser impactado diretamente e ainda ter que rever projeções de superávit comercial para o ano em curso, já que as novas regras devem entrar em vigor em 15 dias. Extraimos consenso que quase nenhum país tenciona entrar agora com demandas junto à OMC, preferindo tentar o diálogo diretamente com os EUA. Isso foi expresso pela União Europeia que espera ser excluída da tarifação.

O certo é que o protecionismo não convém a ninguém e nem aos EUA, mas Trump precisa domar o déficit comercial que em janeiro foi o maior em nove anos (US$ 56,6 bilhões), ou mesmo seu déficit crônico com a China que em fevereiro foi de US$ 21 bilhões. De qualquer forma, será preciso ver a dimensão que isso tomará.

No Brasil, o processo eleitoral para sucessão de Temer foi “oficialmente” aberto com as pré-candidaturas lançadas de Bolsonaro, Rodrigo Maia e Ciro Gomes; além dos já candidatáveis Alckmin, Meirelles e o próprio presidente Temer (se sua aprovação melhorar). Isso vai provocar ruído nos próximos dias, até que o início de abril chegue e o quadro esteja definido, principalmente a situação de Lula.

Tudo isso significa que a volatilidade estará em pleno curso no mercado internacional e também local. Porém, seguimos acreditando que o cenário de recuperação econômica global vai impulsionar os mercados de risco no sentido da melhor precificação. No Brasil, seria importante que conseguíssemos ultrapassar o patamar de 86.200 pontos, para fixar tendência mais definitiva. Bom não perder a faixa de 84.500 pontos, sob pena de o mercado precipitar mais. Importante acompanhar o fluxo de recursos canalizado, notadamente o de investidores estrangeiros que voltaram a sacar forte.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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