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RESUMO DA SEMANA – 05 a 09/02

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RESUMO DA SEMANA – 05 a 09/02

O período ultrapassado pode ser considerado de turbulência de curto prazo para os principais mercados de risco em todo o mundo. Liderado por fortes precipitações na bolsa americana e desequilíbrio no segmento de câmbio. Nos EUA, tivemos estresse com a percepção de que a velocidade de alta dos juros poderia acelerar. Além de nervosismo com a elevação do teto da dívida americana pelo Congresso e o memorando sobre o caso da Rússia que não inocentou Donald Trump. Ao contrário, o noticiário deu conta da possibilidade de hackers russos terem mapeado os eleitores americanos.

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Desequilíbrios na Europa com Angela Merkel na formatação de seu gabinete de governo, e Theresa May fragilizada e com negociações duras com a União Europeia sobre o Brexit. Boa parte de tudo isso acabou sendo resolvido no correr da semana, não necessariamente pela melhor via. Merkel foi obrigada a ceder o ministério das Finanças nas negociações de coalizão e começa seu novo mandato desgastada. A União Europeia disse que não haverá união aduaneira no pós Brexit e Trump ficou feliz com o acordo do Congresso sobre o orçamento nos próximos dois anos.

Ainda no exterior, algumas “tempestades em copo de água” sobre mudanças na política monetária por parte dos bancos centrais. Kuroda do BoJ (BC Japonês) diz que manterá poderoso relaxamento monetário até que a inflação caminhe mais definitivamente para a meta de 2,0%, mas existem dissidências por conta do impacto acumulativo dos juros baixos sobre o sistema financeiro. O BOE (BC Inglês) manteve a política monetária estabilizada, elevou levemente a projeção de crescimento do PIB em 2018 e 2019 para 1,8% e declarou que a inflação deve ficar abaixo de 2,0% até o primeiro trimestre de 2021. O BC da Índia também manteve a política monetária estabilizada e juros em 6,0%.

O mesmo ocorre com o BCE que vem mantendo a política monetária estabilizada, mas com dissidências como a de Weidmann do Bundesbank que vem pedindo que encerre o QE a partir de setembro. Diante de tudo isso e, considerando as altas recentes em praticamente todos os mercados, os investidores passaram a realizar lucros recentes desequilibrando os mercados. Ao ponto do Dow Jones cravar a maior queda histórica em pontos do índice.

A semana na área econômica foi marcada pela divulgação de índice PMI de serviços em janeiro para diferentes países, todos acima de 50 pontos (o que mostra expansão da atividade) e expandindo movimento e indicando economias mais fortes. Na China, o índice subiu para 54,7 pontos e o superávit da balança comercial encolheu para US$ 20,3 bilhões, já com alguma preparação do prolongado feriado de Ano Novo. As reservas internacionais subiram para total em janeiro de US$ 3,16 trilhões.

Na zona do euro, as vendas no varejo de dezembro caíram 1,1%, quase como o previsto. Na Alemanha, as encomendas à indústria de dezembro cresceram 3,8%, quando o esperado era alta de 0,6%. Porém, a produção industrial encolheu 0,6%, mas registrou alta em 2017 de 2,3%. O saldo da balança comercial foi superavitário em 21,4 bilhões de euros. Destacamos ainda que o BOE (BC Inglês) ampliou sua projeção de crescimento em 2018 e 2019 para 1,8%, muito em função da recuperação forte da economia global.

Nos EUA, a semana foi marcada por inúmeras declarações de presidentes regionais do FED, com postura mais prudente e destacando que a volatilidade dos mercados não deve interferir no comportamento da economia. Muitos falaram sobre alta gradual dos juros e olho na inflação, mas suavizaram declarações quanto a ampliar o número de elevações para quatro em 2018 e três em 2019. Disseram que os EUA precisam colocar a questão fiscal em ordem (Kashkari de Minneapolis).

Tomou posse o novo presidente Jerome Powell em substituição a Janet Yellen. Suas declarações foram na mesma direção da antecessora. O déficit comercial ampliou para US$ 53,1 bilhões em dezembro, o maior em nove anos, e os índices de atividade tiveram comportamento de desaceleração, tanto para o ISM de serviços de Chicago e composto do PMI, ambos em janeiro.

Mercados tumultuados, o índice Vix, tido como do pânico, observou forte elevação, e chegou a atingir pontuação de mais de 50, só vista na época de eleição de Trump. O mercado de commodities mostrou enorme volatilidade e o petróleo voltou a mostrar quedas seguidas para o WTI em NY. Isso mexeu com as ações ligadas ao segmento no Brasil, principalmente Petrobras, Vale e siderúrgicas. Tivemos oscilações pontuais decorrentes da divulgação de balanços de empresas importantes referentes ao quarto trimestre de 2017, tanto no exterior como no mercado local.

No segmento local, na volta do recesso do Congresso Nacional, o tema “Reforma da Previdência” esteve no topo das preocupações. Declarações de todos os lados, mas nenhuma evolução. O governo continua não tendo votos para aprovação na Câmara (308), o relator leu seu parecer e divulgou mudanças. A data de votação em 20 de fevereiro continua mantida. O presidente do Senado foi praticamente o “coveiro” da reforma dizendo que aprovar agora poderia significar uma reforma defeituosa e falou em novembro. Mas o fato é que os mercados já não estão mais dando a importância devida, depois de tantas mudanças (mais poderiam vir) e da pequenez que aparenta.

Ainda ano âmbito político, o candidato Geraldo Alckmin se apresentou como reformista e privatista, ele que em outras eleições tinha evitado esse tema. Gilmar Mendes soltou Sérgio Côrtes, secretário de Sérgio Cabral. O ministro Fux, empossado no TSE, praticamente acabou com as pretensões de Lula candidato, ao declarar que ficha suja está fora do jogo democrático.

Na área econômica, o Copom reduziu mais uma vez os juros básicos com a Selic agora em 6,75%, mas deixou mais claro que o ciclo de queda pode estar encerrado. Porém, a divulgação da inflação oficial de janeiro pelo IPCA em 0,29% e taxa em 12 meses de 2,86%, colocaram novamente a possibilidade de nova redução no futuro caso esse quadro permaneça. A primeira prévia do IGP-M de fevereiro registrou alta de 0,16% e deflação em 12 meses de 0,34%. As vendas no varejo de dezembro cresceram 2,0% em 2017, e queda em dezembro de 1,5%.

RESUMO
IBOVESPA -3,53 (81073) DOW JONES -6,31 NASDAQ -6,02 DÓLAR + 2,33 (R$ 3,295)

PERSPECTIVAS

Como temos insistido, os mercados de risco atravessam fase complicada de realizações precipitadas e desequilíbrios em praticamente todos os países e em diferentes segmentos. Vai ser preciso buscar novo ponto de equilíbrio para firmar nova tendência. Apesar dos percalços de curto prazo na economia americana e europeia citados em nossos comentários, acreditamos que o cenário básico irá prevalecer, qual seja: a economia global está em franca recuperação, e isso afeta positivamente a produtividade e lucratividade de empresas, alterando preços relativos dos ativos para melhor.

Se os bancos centrais estão estudando mudanças na estrutura da taxa de juros e em programas de flexibilização, decorre dessa aceleração global e normalização dos indicadores, não necessitando tanto de mais estímulos. E assim, conseguindo “andar com as próprias pernas”. Nossa leitura é que o momento pode ser oportuno para formação de carteiras, com compras progressivas de empresas com bom conteúdo fundamentalista e níveis elevados de governança corporativa. É exatamente nesses momentos de desequilíbrios que surgem as possibilidades de auferir ganhos extraordinários, inclusive no curto prazo. Contudo, destacamos que o horizonte para retorno deve ser sempre de mais longo prazo.

Ressaltamos ainda que com os juros em queda é possível pensar novamente em estruturar carteiras para recepção de dividendos e juros sobre o capital (JCP) de forma mais competitiva e duradoura. Não recomendamos, no entanto, incursões especulativas sem realizar proteção, já que a volatilidade deve permanecer elevada nos próximos dias.

No Brasil, o risco é ainda maior com os mercados só voltando a operar na parte da tarde de quarta-feira de cinzas, enquanto em outros países funcionarão normalmente. Fazendo uso da análise técnica, diríamos que o Ibovespa pode ter suporte na faixa próxima de 80.500 pontos, mas para aliviar tensões teria que voltar a superar inicialmente o patamar de 83.800 pontos.

Bom Carnaval para todos os nossos clientes e parceiros. E cabeça fria!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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