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RESUMO DA SEMANA – 01/01 a 05/01

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O ano de 2017 não pode ser considerado ruim para o mercado acionário local diante de todo o imbróglio político ocorrido e dificuldade de aprovação de mudanças que pediam o concurso do Legislativo. Do ponto de vista da economia, o segundo semestre se apresentou bem melhor, principalmente no que tange ao processo inflacionário e juros básicos em queda, além de melhora em outros indicadores de conjuntura. Na B3 tivemos valorização do índice pouco inferior a 27% e os investidores estrangeiros alocaram liquidamente R$ 13,4 bilhões, com leve queda de 6,3% em relação ao ano de 2016.

Já entrando no ano de 2018 o movimento de rali prosseguiu e a B3 conseguiu emplacar nove pregões seguidos de valorização, aproveitando-se do bom momento externo, especialmente de recordes históricos sucessivos dos três principais índices do mercado americano (Dow Jones, Nasdaq e S&P 500). Para respaldar esse movimento dos mercados de risco no plano local e internacional tivemos alguns fatores que passamos a destacar.

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Temos que considerar o reposicionamento de carteiras dos investidores institucionais e gestores de recursos de forma mais geral. Como constantemente alertamos, os investidores estavam operando no limite mínimo em renda variável, e a virada de ano acionou postura de maior exposição ao risco, até por conta de que erros cometidos podem ser revertidos em base anualizada. Notem que em finais de ano ninguém quer arriscar mais nada.

Por aqui os investidores mostraram certo alívio pelo fato de que, até aqui, a agência de classificação de risco S&P não reavaliou a classificação do Brasil até a virada do ano de 2018. Também reforçaram apostas de que o ex-presidente Lula, no julgamento pelo TRF-4 em 24/01 possa ter placar adverso de 3X0, situação que excluiria de concorrer para presidente no final de ano, aclarando um pouco a situação eleitoral. Também cacifaram fichas na possibilidade de o governo conseguir começar a votar a reforma da previdência a partir de 19/02. Ainda que emagrecida, mas com boa sinalização para investidores em todo o mundo. Aliás, na semana que passou o terceiro ministro de Temer pediu para sair (potencialmente existem 12 ministros), o que facilita acelerar a reforma ministerial e obter os 308 votos necessários para aprovar a reforma na Câmara.

Do lado externo, destacamos dois aspectos importantes. O risco geopolítico observou redução durante a semana, pelo menos no que tange à Coreia do Norte. Por conta dos jogos de inverno o diálogo entre as Coreias foi restabelecido. Apesar disso, prosseguem as pressões sobre o Irã e Palestina, principalmente por parte dos EUA. Também consideramos que indicadores anunciados nas duas últimas semanas da economia global deixaram claro a recuperação e estimularam aplicações de risco em diferentes segmentos.

Na China a expectativa é de o país seguir crescendo ao redor de 6,5% nos próximos anos, com o governo mudando algumas políticas e estimulando investimentos no exterior, a partir de incentivos fiscais. No Japão, tanto o primeiro ministro Shinzo Abe, como Kuroda do BOJ (BC japonês), foram otimistas com a extinção do processo deflacionário e crescimento. Situação semelhante para a Índia que segue crescendo forte e mais organizada.

Os indicadores PMI da indústria e de serviços (também o composto) referentes a dezembro vieram em alta para praticamente todos os países (em aceleração) e todos acima de 50 pontos, o que significa expansão da atividade. Nos EUA indicadores PMI também em expansão e outros índices de atividade.
Nos EUA ainda destacamos a divulgação da ata do FED que elevou a taxa de juros básica para o intervalo entre 1,25% e 1,50%. Há certa divisão entre os membros sobre inflação baixa e reforma tributária de Trump influindo no comportamento dos juros, mas a leitura da ata segue indicando pelo menos três altas (pode ser quatro) em 2018, começando em março próximo. Também boas indicações de que republicanos e democratas estão chegando ao consenso sobre elevação do teto da dívida, outra situação pendente importante. A criação de vagas de dezembro ficou aquém do esperado em 148000, a taxa de desemprego manteve o patamar de 4,1%, e o déficit da balança comercial em novembro expandiu para US$ 50,5 bilhões.

No segmento local, os recessos no Legislativo e Judiciário deram certa trégua aos problemas e noticiário, mas o governo segue perseguindo obter votos necessários para a reforma da previdência, mesmo considerando declarações desastradas do novo ministro Carlos Marun. FHC também deu suas opiniões erráticas comparando o candidato Alckmin ao “par de oito no pocker”, e depois tendo que voltar atrás.

Na economia a nova pesquisa Focus veio positiva. O ano de 2017 fechou com superávit na balança comercial maior que o previsto, em US$ 67 bilhões, fruto de exportações de US$ 217,7 bilhões e importações de US$ 150,7 bilhões. De qualquer forma foi recorde e a corrente de comércio internacional aumento. Já o fluxo comercial de 2017 ficou positivo em US$ 625 bilhões, com fluxo financeiro negativo em US$ 52,3 bilhões e comercial positivo em US$ 52,9 bilhões. Os bancos encerraram 2017 vendidos em US$ 23,3 bilhões. E o Bacen relatou ganhos com operações de swap cambial de R$ 7,03 bilhões. A produção industrial de novembro cresceu 0,2% e no ano 2,3%, mostrando retomada gradual, mas ainda inferior em 16,7% ao pico de junho de 2013.

Falando de ações, a Embraer está sendo assediada pela Boeing, mas o governo brasileiro não quer abrir mão da Golden Share e não quer a transferência do controle acionário. Já a Petrobras anunciou ter consolidado proposta para encerrar a ação movida por investidores nos EUA, pagando US$ 2,95 bilhões em três parcelas anuais. Destaque ainda para o fluxo de recursos de estrangeiros nas primeiras sessões de 2018.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA +3,28% (78911)* DOW JONES +2,00%** ASDAQ +3,20%** DÓLAR R$ 3,23 (%)
Faltando meia hora ** faltando uma hora

PERSPECTIVAS

Dos pontos importantes relatados em nossos comentários da semana para justificar o comportamento dos mercados de risco, na nossa visão o fator mais importante foi mesmo o reposicionamento de carteiras neste início de exercício. Isso é valido para o ambiente local e internacional, com os gestores de recursos ampliando a exposição ao risco. Como dissemos, isso justifica boa parte da alta generalizada dos mercados acionários no mundo. Citamos não só os sucessivos recordes dos índices americanos, mas também, por exemplo, o fato de o índice Nikkei ter atingido o maior patamar desde janeiro de 1992.

De outra feita, as fundações de seguridade que tiveram resultados melhores em 2017 (nossa projeção) ficam bastante estimuladas para absorver parcelas de risco maiores e com isso cobrir parte do déficit atuarial de exercícios anteriores. Isso é válido também para outros gestores de fundos multimercados. Essa ampliação de risco é completamente amparada na recuperação da economia global e menor risco geopolítico.

Dessa forma, depois de tantas altas e valorizações, existem lucros recentes a serem apropriados e é possível que, em determinados momentos, a pressão vendedora seja maior. Com isso queremos dizer que vai ser preciso manter e ampliar o fluxo canalizado para ações. Temos que considerar ainda que a situação local não é exatamente como “céu de brigadeiro”, e a volatilidade vai permanecer elevada por um bom tempo.

Lembramos que existem dois vetores fundamentais para continuidade do processo de alta: o julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4 em 24/01 e o encaminhamento da votação da reforma da Previdência, marcada inicialmente para 19/02.

No segmento internacional, seguimos afirmando que não vemos nenhum grande retrocesso capaz de mudar a direção dos mercados de risco. Porém, não podemos descartar o risco geopolítico, basicamente representando por Coreia do Norte, Irã e Palestina, principalmente. Todavia, até isso parece ter declinado no momento.

Do ponto de vista da análise técnica, depois de termos ultrapassado o recorde anterior que vínhamos afirmando que seria superado, descortinamos agora o patamar inicial de 79200 que deve ser consolidado, mirando em seguida o patamar de 80000 pontos.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Leia mais: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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