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Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA, 8 Mai (Reuters) – Diante da desistência do
ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa,
principal aposta do PSB para a disputa pela Presidência da
República, o partido não tem, no momento, preferência por outro
pré-candidato, mas irá considerar as possibilidades no campo da
centro-esquerda levando em conta a conjuntura do país e suas
estratégicas candidaturas a governos estaduais, disse o
presidente da legenda, Carlos Siqueira.
Encarado até então como um dos possíveis candidatos com
maior potencial eleitoral e uma boa colocação nas pesquisas,
Barbosa anunciou na manhã desta terça-feira, por meio do
Twitter, que não pretende mais disputar a Presidência, jogando
um balde de água fria na expectativa de boa parte do PSB.
“Não vamos ter preferência de imediato por ninguém, porque
precisamos consultar as pessoas. Temos 10 candidatos a
governador de Estado. Não vamos brincar de fazer política, vamos
tomar decisões sobretudo que, em primeiro lugar, entendamos que
seja melhor para o país e, em segundo lugar, que seja benéfica
para o partido”, disse Siqueira à Reuters.
“Existem candidaturas importantes para governos estaduais
que nós não vamos abrir mão de ter apoios”, acrescentou.
Siqueira comentou que, ainda na semana passada, em uma longa
reunião com Barbosa para discutir, entre outros pontos, a
contratação de assessoria de imprensa e jurídica, o ministro
disse ainda não estar convencido sobre sua candidatura.
Na manhã desta terça, antes de dar publicidade à sua decisão
de não entrar na disputa, Barbosa ligou para Siqueira.
“Ninguém pode ser candidato sem querer. Isso precisa, além
de tomar gosto pela candidatura, de muita determinação, uma
mudança radical de vida, compreendo perfeitamente”, disse o
presidente do PSB. “Ele agradeceu, foi muito gentil, foi tudo na
paz, tudo conforme nós combinamos, só que ao invés de dar certo,
não deu. Deu na desistência dele.”
Os próximos passos do PSB serão definidos, diz o presidente,
a partir de uma larga consulta interna e de uma reunião da
Executiva do partido, mas não há “pressa” para essa definição.
“Isso não é assim correndo, deixa a poeira baixar, absorver
a decisão e fazer as consultas internas, que são necessárias. E
depois vamos convocar a Executiva e tomar a decisão”, afirmou.
Uma fonte que acompanha as negociações do partido afirmou
que o PSB já havia sido procurado pelo PDT. Em troca de apoio ao
pré-candidato Ciro Gomes, os pedetistas ofereciam alianças à
dezena de candidatos estaduais do PSB.
“Foi um aceno importante, considerável”, disse a fonte,
lembrando que há identificação entre os dois partidos, que
integram o mesmo campo ideológico.
O PDT teve um “namoro” com os socialistas em Pernambuco, mas
daí a uma aliança nacional há um longo caminho. Outras propostas
são consideradas e há de se levar em conta as conversas do PDT
com o PT.
Além de Pernambuco, terra de figuras históricas do partido
como Miguel Arraes e Eduardo Campos e onde o PSB buscará um novo
mandato de governador para Paulo Câmara, os socialistas também
têm uma eleição importante em São Paulo, onde Márcio França
tentará permanecer no Palácio dos Bandeirantes.
Em solo paulista, no entanto, França articula aliança com
uma ampla gama de partidos de todo o espectro político e é
aliado do pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin,
de quem foi eleito vice em 2014. França, que assumiu o Estado em
abril, após a renúncia do tucano para disputar o Planalto, já
defendeu a candidatura de Alckmin, embora o PSDB no Estado tenha
lançado João Doria para o governo local.
O alinhamento ideológico e programático pesará de maneira
determinante na decisão a ser tomada pelo PSB em termos de
aliança nacional, diz a fonte, para quem a decisão, além de
programática, deverá ser pragmática.
Segundo a fonte, uma aliança com a ex-senadora e
pré-candidata da Rede, Marina Silva, está fora de cogitação.

(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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