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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 14 Fev (Reuters) – O presidente da Associação
Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix
de Paiva, afirmou nesta quarta-feira à noite que os
desdobramentos da entrevista do diretor-geral da PF, Fernando
Segovia, à Reuters vai ditar o respaldo da categoria ao chefe da
corporação.
Na entrevista concedida na última sexta, Segovia indicou que
o chamado inquérito dos portos, que envolve o presidente Michel
Temer, pode ser arquivado por falta de provas. Destacou que até
o momento não há indício de crime contra Temer e ainda apontou
que o delegado responsável pelo caso, Cleyber Malta Lopes, pode
ser alvo de investigação interna pelas perguntas que ele fez ao
presidente.
Paiva e outros quatro representantes da ADPF e da Federação
Nacional de Delegados da Polícia Federal (Fenadepol) reuniram-se
com Segovia nesta quarta a pedido dele mesmo.
No encontro, segundo o presidente da ADPF, Segovia disse ter
sido mal interpretado e que houve distorções interpretativas em
relação ao que afirmou na entrevista. Reconheceu, entretanto,
que não deveria ter falado de investigações ainda em andamento.
O chefe da PF foi questionado sobre a possibilidade de o
delegado responsável pela apuração ser punido, mas, conforme
Paiva, Segovia disse ter comentado o assunto "em tese".
"Ele disse que sempre fala que toda a representação que
chegar na polícia, se confirmado o excesso, poderia haver
punição", disse, segundo o relato do dirigente.
Na conversa, Segovia garantiu-lhes que nunca fez nenhuma
intervenção em investigações e não fará.
Paiva afirmou que ele e outros presentes ao encontro
externaram o fato de estarem muito incomodados com ele falando
numa entrevista de uma investigação em andamento, ainda mais com
a sensibilidade do caso.
Para o presidente da ADPF, o sentimento atual é de aguardar
os desdobramentos do caso, como as explicações que ele deve
prestar ao ministro Roberto Barroso, do Supremo Tribunal
Federal, na segunda-feira, para a entidade se posicionar.
Questionado se ficou satisfeito com as explicações dadas,
Paiva afirmou que não tem como ficar satisfeito diante da crise
criada. "Se não tivesse falado, não teria essa crise toda. Por
mais que tenha sido mal interpretado ou distorcido, o mal-estar
já ocorreu e a Polícia Federal sangra desde sexta-feira com o
mal-estar criado."
"Se houve algum tipo de intenção de ajudar o presidente, foi
um tiro no pé e só coloca mais pressão no inquérito", disse ele,
que comanda a entidade com 2,3 mil delegados da PF. Ele destacou
que há uma crise de confiança na categoria.
Perguntado se a entidade dá respaldo político a Segovia, o
presidente da ADPF afirmou que não é possível falar isso porque
é preciso uma discussão mais ampla da diretoria juntamente com a
representação da associação, que está nas 27 unidades da
Federação.
Paiva disse que o grupo que atua nos inquéritos da Lava
Jato, com quem conversou, está "insatisfeito". Para ele, esse
grupo é extremamente técnico e se houver qualquer tipo de
pressão eles vão agir conforme a lei manda.
O dirigente afirmou ainda ter conversado com o delegado
responsável pelo inquérito dos portos antes de ele retornar ao
país –estava em viagem ao exterior– e que Cleyber Malta Lopes
disse apenas que vai tomar pé da situação quando voltar.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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