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Por Stanley White e Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO (Reuters) – O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e seu aliado mais próximo, o ministro das Finanças, Taro Aso, se tornaram alvos de uma pressão crescente nesta segunda-feira devido ao suposto acobertamento de um escândalo de nepotismo que vem atormentando o premiê há mais de um ano.

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Cópias de documentos vistos pela Reuters mostram que referências a Abe, à sua esposa e a Aso foram retiradas de registros do Ministério das Finanças que tratam da venda de terras do governo com desconto a um administrador escolar ligado à esposa de Abe, Akie.

Abe, atualmente em seu sexto ano no cargo, negou que ele e a esposa tenham prestado favores ao administrador escolar Moritomo Gakuen e disse que renunciará caso se encontrem provas de que o fizeram.

As referências editadas vistas pela Reuters não parecem indicar que Abe ou sua esposa intervieram diretamente no negócio.

A suspeita de acobertamento pode afetar o índice de aprovação de Abe e acabar com sua esperança de cumprir um terceiro mandato como líder de seu Partido Liberal Democrata (PLD). A vitória em uma votação que renovará a liderança do PLD em setembro pode encaminhá-lo para se tornar o premiê mais longevo do Japão.

As dúvidas também estão criando pressão para sua renúncia.

"Isso poderia abalar a confiança na administração como um todo. Sinto-me fortemente responsável como chefe da administração", disse Abe aos repórteres depois que o Ministério das Finanças relatou os documentos alterados.

"Peço desculpas a todo o povo".

Abe disse querer que Aso se empenhe em esclarecer todos os fatos e faça com que tais coisas não se repitam.

Em uma coletiva de imprensa separada, Aso disse que vários funcionários da divisão de seu ministério a cargo da venda se envolveram na adulteração dos documentos para fazê-los se conformarem aos testemunhos dados pelo então chefe da divisão ao Parlamento.

"Ficou claro que houve um acobertamento e uma falsificação", disse o líder do opositor Partido Democrático, Yuichiro Tamaki, aos repórteres, opinando que Aso deveria renunciar e que o Parlamento deveria realizar audiências sobre o caso.

Aso, de 77 anos, que também é vice-premiê e cujo apoio é vital para Abe, pediu desculpas pelas ações de sua pasta, mas disse não ter intenção de renunciar.
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