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GENEBRA, 26 Jan (Reuters) – A agência da ONU para a defesa
dos direitos das crianças, Unicef, informou nesta sexta-feira
estar observando claros sinais de uma crescente crise de
desnutrição na Venezuela, mas não possui dados para dar uma
informação precisa e atacar o problema de forma eficaz.
"Embora números precisos estejam indisponíveis por conta de
uma quantidade muito limitada de autoridades da saúde ou de
dados sobre nutrição, há claros sinais de que a crise está
limitando acesso de crianças a serviços de saúde de qualidade,
remédios e comida", disse o porta-voz da Unicef, Christophe
Boulierac, durante entrevista coletiva da ONU em Genebra.
O governo da Venezuela não publica dados sobre emaciação
–baixo peso comparado com a altura da criança– desde 2009,
quando o número era de 3,2 por cento. A agência humanitária
Caritas colocou o número em 15,5 por cento em agosto, informou a
Unicef.
"Quando é sobre lutar contra desnutrição infantil, não é
hora de discutir, é hora de agir", disse Boulierac. "Agir para
lutar contra a desnutrição requer dados, e não há dados oficiais
suficientes no momento e não há coordenação suficiente."
Ele disse não ter informações que sugerem que a Unicef está
sendo impedida de fazer seu trabalho e que não é incomum ter uma
falta de dados.
O governo do presidente Nicolás Maduro diz que a Venezuela
está lutando contra uma conspiração da direita liderada pelos
Estados Unidos determinada a acabar com o socialismo na América
Latina, prejudicar a economia da Venezuela e roubar sua riqueza
petrolífera.
Mas críticos dizem que Maduro, que sucedeu Hugo Chávez em
2013 e disse nesta semana estar concorrendo à reeleição,
arruinou a economia do país, transformou a Venezuela em uma
ditadura e fraudou o sistema eleitoral para perpetuar no poder
seu Partido Socialista.
A Unicef disse que o governo havia tomado medidas para
mitigar o impacto da crise sobre crianças, ao fornecer pacotes
acessíveis de alimentos para as famílias mais vulneráveis,
transferências de dinheiro e impulsionar avaliações nutricionais
e serviços de recuperação.
Mas Boulierac disse que sem ação coordenada entre o governo,
agências humanitárias e a ONU, esforços para combater a
desnutrição serão ineficazes.
"É uma situação onde há uma crise econômica, hiperinflação,
preços exorbitantes, e também há uma crise sócio-política com
uma falta de acordo, diálogo para resolver as questões mais
urgentes."
(Reportagem de Tom Miles)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702))
REUTERS AC


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