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Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – Em um movimento que deve antecipar a reforma ministerial do governo, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, pediu demissão nesta segunda-feira, pouco depois de fazer sua última cerimônia à frente do cargo, o lançamento do Cartão Reforma, na primeira baixa tucana na equipe do presidente Michel Temer.

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Com o partido ameaçando deixar o governo e o presidente confirmando que fará uma redistribuição dos cargos de primeiro escalão, Araújo alegou, em sua carta de demissão, que não tem mais apoio do PSDB para continuar no ministério.

"Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa", admitiu ele, na carta.

Ao sair a primeira denúncia contra Temer, em maio deste ano, o deputado chegou a pedir demissão, no dia mais crítico do governo Temer. No entanto, foi convencido a ficar e aguardar a decisão do partido.

O PSDB tem ainda outras três pastas: Direitos Humanos, com Luislinda Valois; Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores.

A saída de Araújo deve precipitar um rearranjo na Esplanada dos Ministérios com o aumento de espaço de partidos do centrão, que, ao contrário dos tucanos, votaram praticamente coesos na rejeição das duas denúncias contra Temer.

O presidente resistia a fazer uma reforma agora, mas foi avisado por aliados que somente assim poderia ter chances de aprovar uma reforma da Previdência "enxuta".

A expectativa de aliados é de que as mudanças na Esplanada sejam realizadas nas duas próximas semanas, a tempo hábil de se tentar votar a nova versão reforma no plenário da Câmara ainda este ano.

DISPUTA DE ESPAÇO

Nos bastidores, com a saída de Araújo, o PP é um dos partidos que pressiona o governo para ter o controle do Ministério das Cidades. O líder do partido na Câmara, Arthur Lira (AL), negou que a legenda esteja reclamando maior espaço na Esplanada.

Lira afirmou que a decisão de Bruno Araújo de pedir demissão pode "ajustar" o tamanho adequado das legendas da base aliada a fim de garantir um apoio "firme" para retomar a votação da agenda de reformas.

Questionado se a saída de Araújo pode acelerar o desembarque do PSDB do governo, o líder partidário disse que se trata mais de uma "questão interna" dos tucanos e que não cabe a ele comentar.

"Não é só a posição do Bruno, é uma rearrumação. Imagino que temos partidos que estão subrepresentados e outros superrepresentados e ministros que não representam voto nenhum no Congresso", disse ele, que defendeu que o colega tucano, Antonio Imbassahy, siga o mesmo caminho de Araújo e deixe a Secretaria do Governo.

A expectativa é que, se o governo for contemplar o PP nas Cidades, o ocupante do partido não seja um parlamentar que vá disputar as eleições no próximo ano. Isso porque, se entrar agora, terá de deixar o Ministério em abril, prazo para que os candidatos a cargos eletivos têm para se desincompatibilizar.

Dessa forma, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), ex-ministro das Cidades, não deverá voltar à Esplanada por ser candidato à reeleição.

Nesse cenário, o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, que já foi titular da pasta, é um dos nomes cotados para assumir o ministério mais uma vez. Occhi é mencionado pelo empresário Lúcio Funaro, em delação, de que teria, quando ocupou anteriormente cargo na Caixa, uma meta para distribuir propinas a membros do PP. Ele já negou em nota ter cometido qualquer irregularidade.

Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que o PP já tem um bom espaço na Esplanada e reconheceu que o governo não tem como atender a todo mundo. Ele defendeu que se resolva a questão dos espaços da base "rapidamente".

"Não pode demorar. Não estou nem contando voto (para a reforma da Previdência) sem resolver isso. Precisa resolver essa questão política", disse Mansur.
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