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Por Anthony Boadle
PACARAIMA, Roraima, 23 Nov (Reuters) – Uma tribo indígena
que viajou centenas de quilômetros para fugir da crise econômica
da Venezuela encontra-se em um limbo perto da fronteira com o
Brasil depois que foi expulsa das ruas da cidade amazonense de
Manaus.
Fugindo da fome e das doenças em sua terra natal no delta do
rio Orinoco, no nordeste venezuelano, mais de 1.200 membros da
tribo waraos migraram para o norte do Brasil para viver e
mendigar nas ruas.
As autoridades brasileiras, organizações não-governamentais
e igrejas ajudaram a fornecer abrigo temporário na fronteira,
mas o futuro dos waraos continua incerto. A tribo insiste que
não voltará ao país comandado pelo governo socialista do
presidente Nicolás Maduro, onde uma recessão profunda levou à
escassez de produtos básicos.
"As crianças estavam morrendo doentes na Venezuela. Não
havia remédios, nem comida, nem ajuda", disse Rita Nieves, uma
cacique da tribo matrilinear.
Integrantes dos waraos ainda estão fazendo a jornada árdua.
Rita usava suas melhores roupas quando cruzou de volta para a
Venezuela para enterrar um bebê de 3 meses que havia acabado de
morrer nos braços da mãe na viagem de ônibus de mil quilômetros
rumo ao Brasil.
"Estamos ficando aqui porque as coisas não mudaram na
Venezuela", disse ela, sentada em um armazém convertido em um
espaço comunal para 220 waraos na pequena cidade fronteiriça de
Pacaraima, em Roraima.
Crianças brincavam entre redes penduradas em estruturas de
metal erguidas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados (Acnur). Do lado de fora, mulheres cozinhavam um
caldo com fogo de lenha e homens sentados ouviam seu xamã falar
sobre as virtudes do buriti, palmeira usada para a confecção de
cestos e redes, enquanto fumavam um cigarro de palha.
Os waraos vivem há séculos no delta do Orinoco, mas alguns
começaram a partir quando o suprimento de peixes diminuiu devido
ao desvio das águas para aprofundar rotas comerciais para as
exportações venezuelanas de minério de ouro e bauxita.
Muitos foram para cidades para vender artesanato e mendigar
nas ruas. Mas quando a economia entrou em crise, começaram a se
mudar para o Brasil no ano passado, muitas vezes simplesmente
atravessando a divisa sem documentos.
No ano passado cerca de 500 waraos chegaram às ruas de
Manaus, onde pediram esmolas a motoristas e venderam artesanato
nos faróis. Muitos dormiam sob uma passagem elevada de uma
rodovia até as autoridades municipais acabarem com a mendicância
e transferi-los para abrigos de que não gostaram.
"Eles começaram a ficar por aqui, dormindo nas ruas, e
causaram uma emergência humanitária", disse a secretária de
serviços sociais de Pacaraima, Isabel Davila.
A cidade forneceu um armazém abandonado com sanitários,
chuveiros e uma cozinha, construída com financiamento da Igreja
Mórmon.
(Reportagem adicional de Sebastian Rocandio e Nacho Doce)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS TR


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