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Por Luc Cohen
BUENOS AIRES, 22 Nov (Reuters) – A busca por um submarino
argentino desaparecido no Atlântico Sul há mais de uma semana
destacou os recursos reduzidos e falta de treinamento
enfrentados pelas Forças Armadas da Argentina desde o fim de uma
ditadura militar no início da década de 1980.
Conforme a segunda maior economia da América do Sul tropeçou
de uma crise para a seguinte em décadas recentes, financiamentos
militares não foram uma prioridade para governos com dinheiro
limitado, e um incidente como o desaparecimento do ARA San Juan
era um problema esperado para acontecer, disseram analistas
militares e políticos.
"Violações de direitos humanos cometidas pela ditadura
quebraram o vínculo entre a sociedade e as Forças Armadas",
disse Andrei Serbin Pont, diretor-pesquisador do think tank
CRIES, em Buenos Aires. Ele disse que um novo pensamento sobre a
função militar na sociedade já deveria ter acontecido.
"A maioria dos argentinos não liga muito para as Forças
Armadas, logo, políticos não estão particularmente interessados
em manter quaisquer tipos de políticas militares ou políticas de
defesa", disse.
Desde a derrota na Guerra das Malvinas para o Reino Unido em
1982 e a queda da ditadura no ano seguinte, gastos militares
caíram de 2,16 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para uma
mínima de 0,87 por cento em 2011, de acordo com dados do Banco
Mundial.
Embora tenham crescido para 0,96 por cento do PIB no ano
passado, gastos continuam bem atrás do Brasil e Chile, que
gastaram 1,3 por cento e 1,9 por cento de seus PIBs,
respectivamente, em suas forças militares, segundo os dados.
Ainda é muito cedo para determinar a causa do
desaparecimento do ARA San Juan e uma intensa operação de busca
e resgate continuava nesta quarta-feira. Mas a frota de
submarinos da Argentina tem estado entre as áreas militares mais
afetadas pela falta de recursos.
Em 2014, a frota passou um total de somente 19 horas
submersa, versus os 190 dias necessários "para cumprimento de
necessidades operacionais e de treinamento", de acordo com
relatório de maio de 2016 da publicação especializada Jane's
Sentinel.
"O fato de que houve tão pouco uso de submarinos era um
indício de que claramente havia um problema esperando para
acontecer", disse Evan Ellis, um professor pesquisador com foco
na América Latina no Instituto de Estudos Estratégicos da Escola
de Guerra do Exército dos EUA.
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, prometeu melhorar
as capacidades dos 26 mil membros das Forças Armadas durante sua
campanha em 2015. O relatório "Estado do Estado" de seu governo
em 2016 destacou que 70 por cento do orçamento do Ministério da
Defesa foi gasto em salários e pensões, em vez de investimentos.
"As condições nas quais eles trabalham são praticamente
impossíveis. Estou falando sobre todas as Forças Armadas", disse
Elisa Carrio, membro sênior da coalizão de Macri, Mudemos, em
recente entrevista televisionada.
Mas desde que assumiu a Presidência em dezembro de 2015,
Macri não aumentou significativamente a situação de
financiamento. O orçamento de 2018 pede um aumento de 14 por
cento em financiamentos para o Ministério da Defesa, abaixo da
inflação esperada para 15,7 por cento.
Em março, o então ministro da Defesa da Argentina, Julio
Martinez, disse à Reuters que a Argentina não tinha dinheiro
para comprar aeronaves ou substituir uma frota envelhecida.
(Reportagem adicional de Eliana Raszewski e Nicolas
Misculin)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759))
REUTERS ES


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