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(Repete texto publicado na noite de quinta-feira)
Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 14 Set (Reuters) – O presidente Michel Temer
classificou de "marcha irresponsável" a apresentação de uma
segunda denúncia pelo procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, e afirmou que ele tenta encobrir suas falhas com a nova
acusação.
"Ao fazer esse movimento, tenta criar fatos para encobrir a
necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram
sua equipe e em relação às quais há indícios consistentes de
terem direcionado delações e, portanto, as investigações", diz a
nota distribuída pela Presidência da República.
Temer acusa ainda Janot de "não cumprir com obrigações
mínimas de cuidado e zelo em seu trabalho, por incompetência ou
incúria" e colocar em risco o instituto da delação premiada.
"Ao aceitar depoimentos falsos e mentirosos, instituiu a
delação fraudada. Nela, o crime compensa. Embustes, ardis e
falcatruas passaram a ser a regra para que se roube a
tranquilidade institucional do país", diz o texto.
Ainda segundo a nota, a segunda denúncia –na qual Temer é
acusado de chefiar uma organização criminosa e de obstruir a
Justiça– está "recheada de absurdos" e o presidente "tem
certeza de que, ao final de todo o processo prevalecerá a
verdade e não mais versões, fantasias e ilações".
Como fez na primeira denúncia, Temer preferiu não falar no
primeiro dia. O presidente, no entanto, deve fazer um
pronunciamento nesta sexta-feira, depois de falar com seus
advogados.
A defesa do presidente apresentou nesta mesma quinta-feira
uma petição ao STF pedindo que a denúncia só seja enviada para
que a Câmara dos Deputados decida sobre a autorização para o
Supremo na próxima quarta-feira. Isso porque o pleno da corte
precisa concluir a decisão sobre se as provas colhidas na
delação dos executivos da J&F podem ser válidas, já que
descobriu-se que houve ocultação de informações.
Nesta quinta-feira, Temer passou o dia fora de Brasília, em
viagens ao Tocantins e Pará. Chegou de volta ao Palácio do
Planalto próximo das 17h30, mesma hora em que a denúncia de
Janot chegava no Supremo Tribunal Federal.
Em seguida, Temer reuni-se com os ministros da Casa Civil,
Eliseu Padilha (Casa Civil) –também denunciado– e Antonio
Imbassahy (Secretaria de Governo), além do líder do governo na
Câmara, Aguinaldo Ribeiro, e o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
O Palácio reagiu sem surpresa à apresentação de uma segunda
denúncia contra Temer, esperada há semanas. Nos últimos dias,
com os crescentes vazamentos de informações sobre a delação do
empresário Lúcio Funaro, acusando Temer de comandar um esquema
de recebimento de recursos ilegais, auxiliares do presidente já
mostravam o tom da reação.
A ordem no Planalto é, como mostra a nota, desqualificar os
delatores, os procuradores e a própria denúncia. Funaro é
chamado de mentiroso e, com a derrocada da delação dos
executivos da J&F, bater na tecla de que as informações
prestadas por eles são ilegais e mentirosas e a atuação da PGR,
política.
Escalado para fazer a primeira defesa pública de Temer,
Marun confirmou que não houve surpresa com a denúncia e a Câmara
terá facilidade em derrubá-la, mas que certamente irá atrapalhar
o cronograma do governo.
"Eu tenho que reconhecer que com relação ao avanço do
governo as denúncias já nos atrapalharam bastante e vai nos
atrapalhar mais uns 20 dias", disse.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre
Caverni)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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