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(Repete texto publicado na sexta-feira)
Por Eduardo Simões
SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) – Com seu governo dividido em
antes e depois do escândalo provocado pelo áudio da conversa que
teve com o empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer
completa dois anos no cargo no sábado fragilizado politicamente,
abalado por denúncias e com um futuro nebuloso após deixar o
posto, sob avaliação de analistas de que sua administração ficou
aquém da expectativa.
Temer chegou ao cargo em maio de 2016, ainda como presidente
interino em meio ao processo de impeachment da então presidente
Dilma Rousseff. Na ocasião, prometia arrumar a economia, afetada
pela inflação crescente e pela recessão, e usar sua experiência
legislativa para aprovar reformas estruturantes no Congresso.
O cenário mudou drasticamente cerca de um ano depois, em 17
de maio de 2017, quando veio à tona uma conversa entre Temer e
Joesley, um dos donos da J&F, holding que controla a JBS
.
No diálogo, o presidente teria dado aval à compra do
silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo
Cunha, segundo a acusação formulada posteriormente pelo então
procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Também abalou o presidente a imagem, gravada pela Polícia
Federal em uma operação controlada, de seu ex-assessor especial
Rodrigo Rocha Loures correndo com uma mala de dinheiro recebida
por um executivo da J&F.
"Aquilo é um divisor de águas, sobretudo em relação à
capacidade do governo de levar à frente sua agenda de reformas",
disse à Reuters o consultor político e professor da Universidade
Católica de Brasília Creomar de Souza.
"Acredito que agora ele está muito mais naquela fase em que
o café começa a chegar frio nas reuniões e as portas demoram a
ser abertas para ele quando ele chega no Palácio", acrescentou.
A partir daquele episódio, Temer foi alvo de duas denúncias
criminais feitas por Janot, e que tiveram seu andamento barrado
pela Câmara dos Deputados.
"O presidente teve que trocar as reformas pela sua
manutenção no cargo. Quando teve aquelas duas votações para
impedir que ele fosse processado, ali o governo, em termos de
reforma, acabou", disse o cientista político Carlos Melo, do
Insper.
"Na eleição o Temer já será um ex-presidente em exercício. A
meu ver, bastante preocupado com seu futuro", disse Melo, que
avalia que a gestão Temer "ficou muito aquém do que prometeu,
muito aquém da expectativa que gerou".
Pesquisa Datafolha, divulgada em meados de abril, apontou
que o governo Temer é mal avaliado por 70 por cento dos
entrevistados, ao passo que apenas 6 por cento têm uma boa
avaliação da gestão.
Além disso, após deixar o Palácio do Planalto, as duas
denúncias contra Temer barradas pela Câmara poderão ser
retomadas e o presidente poderá responder às acusações fora do
cargo. Mais que isso, ele ainda é alvo de investigações –como a
do chamado inquérito dos portos– que podem resultar em novas
denúncias.

INFLAÇÃO E JUROS
Apesar da perda de fôlego político e do fracasso em entregar
algumas promessas, principalmente a reforma da Previdência,
analistas reconhecem que o governo Temer teve sucesso em
reverter expectativas econômicas, assim como a trajetória de
alta da inflação registrada no governo Dilma.
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que
criou um teto para os gastos públicos, a recuperação da
Petrobras , a criação de uma nova taxa referencial
para empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), a reforma trabalhista e a redução da taxa
básica de juros também foram citadas.
"É fato que o governo Temer retomou uma racionalidade da
política macroecônomica. A Dilma tentou fazer isso, mas questões
políticas a impediram de levar adiante, e o governo Temer
conseguiu colocar a economia nos eixos e avançar um pouco em
algumas reformas importantes. Não completou toda a agenda e o
que ficou faltando é muito importante", disse o analista Ricardo
Ribeiro, da MCM Consultores Associados.
"Cumpriu tarefas. Agora, legado eu acho exagerado. Não deixa
legado", avaliou.
O cenário, de algumas conquistas inegáveis, porém
insuficientes, na área econômica, e a sombra constante de
acusações fazem do presidente e de seu governo também incapaz de
desempenhar papel relevante na eleição presidencial de outubro.
Some-se a isso a tentativa fracassada, na visão de
analistas, de conquistar capital político com a intervenção
federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.
"Nós entramos em um ano eleitoral em que o governo tentou
usar todos os meios possíveis para construir uma lógica que
desse, no melhor dos cenários, a possibilidade de Temer ser
candidato à reeleição, e, no cenário médio, a possibilidade de o
governo ter um candidato forte que fosse da base do governo",
disse Creomar de Souza.
"Até o presente momento, nenhum dos dois cenários parece
possível", concluiu.
Ainda de acordo com o Datafolha de meados de abril, Temer
chega a, no máximo, 2 por cento da preferência do eleitorado. O
ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tenta viabilizar
sua candidatura pelo MDB e que adota discurso de defesa do
governo, consegue, nos melhores cenários, 1 por cento.
Pré-candidatos da base que deu sustentação a Temer em todos
esses dois anos ou em parcelas deste período, não parecem
dispostos a assumir a defesa da gestão do emedebista.

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(Edição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))


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