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Por Alexandra Ulmer e Roberta Rampton

CARACAS/WASHINGTON (Reuters) – Críticos dentro da Venezuela e de fora do país denunciaram a eleição que reelegeu o presidente socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, como uma farsa que cimenta a autocracia, enquanto o governo dos Estados Unidos impôs novas sanções sobre o país produtor de petróleo.

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Maduro, de 55 anos, que sucedeu o falecido líder esquerdista Hugo Chávez, celebrou sua conquista na eleição de domingo como uma vitória contra o "imperialismo". Mas seus principais opositores alegaram irregularidades e se negaram a reconhecer o resultado.

A votação foi amplamente condenada no exterior. O presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um decreto que restringe a capacidade da Venezuela de liquidar ativos e dívidas estatais nos EUA.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, classificou as mais recentes sanções norte-americanas como "medidas ilegais".

A principal oposição da Venezuela boicotou a eleição, uma vez que dois de seus líderes mais populares foram impedidos de disputar, autoridades barraram diversos partidos políticos e o conselho eleitoral é composto por apoiadores de Maduro.

Maduro ganhou com 68 por cento dos votos – três vezes mais do que seu principal rival, Henri Falcón. O comparecimento foi baixo, de 46 por cento, ante 80 por cento na última eleição presidencial, em 2013.

    "A revolução chegou para ficar!", disse Maduro do lado de fora do palácio presidencial de Miraflores em Caracas. Ele se comprometeu a resgatar uma economia que sofre com estagnação, hiperinflação e uma escassez crônica de produtos, e que se depara com grandes compromissos de dívida enquanto sua produção de petróleo despenca.

"Não devemos nos curvar a nenhum império, ou ir correndo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), como fez a Argentina", disse a apoiadora do governo Ingrid Sequerra, de 41 anos. Ela usava uma camiseta com um logo dos olhos de Chávez, mentor de Maduro.

O petróleo dos Estados Unidos alcançou seu maior nível desde 2014 nesta segunda-feira em meio a crescentes preocupações de que a produção de petróleo da Venezuela poderia cair após a eleição e que o país pudesse ser atingido por mais sanções.

EUA CRITICAM ELEIÇÃO "FRAUDADA"

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, chamou a eleição de "uma fraude – nem justa, nem livre".

Ao explicar as novas sanções, autoridades dos EUA disseram que o governo Maduro manipulou a eleição e estava usando a fome como arma.

Nos últimos meses, Washington tem colocado uma série de sanções sobre companhias e indivíduos ligados ao governo de Maduro.

"O decreto de hoje fecha uma outra avenida para corrupção que nós observamos sendo usada: ela nega a autoridades corruptas da Venezuela a capacidade de avaliar e vender indevidamente ativos públicos em troca de propinas", disse uma autoridade-sênior do governo a repórteres em Washington.

Em nota, Trump pediu ao governo venezuelano que “restaure a democracia e realize eleições livres e justas”.

Outros países também deram indicativos de sanções, com a Espanha liderando as críticas da União Europeia à eleição.

"O processo eleitoral da Venezuela não respeitou os padrões democráticos mais básicos. A Espanha e seus parceiros europeus estudarão medidas apropriadas", disse o primeiro-ministro Mariano Rajoy pelo Twitter.

O "Grupo Lima", de 14 países das Américas, desde o Canadá ao Brasil, disse em uma declaração crítica que não reconhece a votação e rebaixaria as relações diplomáticas. O grupo deplorou a "grave situação humanitária" da Venezuela por trás do êxodo de imigrantes.

Em contraste, aliados esquerdistas regionais da Venezuela, como Cuba e Bolívia, enviaram seus parabéns.

Maduro também pode contar com o apoio de China e Rússia, que deram bilhões de dólares em financiamentos nos últimos anos.  

    (Reportagem adicional de Maria Ramirez, Andrew Cawthorne, Vivian Sequera, Girish Gupta, Luc Cohen, Felipe Iturrieta, Marco Aquino, Ben Blanchard, Lisa Lambert, Rodrigo Campos, Daniel Bases e Jessica Resnick-Ault)
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