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Por Walter Bianchi
MAR DEL PLATA, Argentina, 23 Nov (Reuters) – Dor, lágrimas e
fúria tomaram o ambiente da base naval da cidade de Mar del
Plata, onde há dias os familiares dos 44 tripulantes do
submarino argentino desaparecido esperam notícias e acabaram
recebendo nesta quinta-feira a pior de todas.
"Fiquei viúva com um bebê de 11 meses", disse a jornalistas
com a voz embargada Jessica Gopar, esposa de Fernando Santilli,
um dos tripulantes a bordo do ARA San Juan, que desapareceu na
semana passada no Atlântico Sul após relatar falhas elétricas.
Dois relatos indicam que houve uma explosão no mesmo dia em
que desapareceu o submarino militar e em um lugar próximo à
última posição que o submarino havia relatado, anunciou nesta
quinta-feira um porta-voz da Marinha da Argentina.
"Não voltaram e não vão voltar nunca mais. E não sei se seus
corpos vão voltar, isto é o que mais me machuca, porque não sei
se poderei levar uma flor", lamentou Gopar.
Familiares se abraçavam em um parque da base de Mar del
Plata, uma cidade costeira a 400 quilômetros de Buenos Aires e
para onde se dirigia o submarino militar antes de desaparecer.
Depois de receber a notícia sobre explosão, uma jovem caiu
de joelhos no estacionamento do prédio e imediatamente foi
abraçada por um jovem que buscou consolá-la.
"Estão todos mortos", disse entre soluços Luis Tagliapietra,
pai de um tripulante, à rádio La Red, e acrescentou que uma
autoridade da base lhe confirmou as mortes por uma explosão em
profundidade de 200 metros a 1.000 metros. "Não há ser humano
que sobreviva a isto".
Muitos acreditam que o caso pode ter sido uma consequência
dos escassos recursos e da falta de capacitação das Forças
Armadas da Argentina, desde o fim de uma ditadura militar no
início da década de 1980.
"Mataram meu irmão, filhos da puta!", gritou em frente às
câmeras da Reuters um homem de dentro de um carro ao sair da
base.
Entre os tripulantes do ARA San Juan estava Eliana María
Krawczyk, primeira mulher a alcançar a patente de oficial de
submarinos em um país sul-americano.
A Marinha disponibilizou há dias um grupo de psicólogos e um
psiquiatra para auxiliar os mais de 100 familiares que passaram
os últimos dias e noites em um edifício da base naval à espera
de novidades sobre seus entes queridos.
(Reportagem adicional de Maximilian Heath, Juliana Castilla
e Jorge Otaola)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS TR


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