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BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quinta-feira que o governo mantém a previsão de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5 por cento para este ano, em uma visão que colocou como "conservadora".

De acordo com Padilha, os resultados abaixo do esperado no primeiro trimestre deste ano –a economia encolheu 0,13 por cento– levaram o governo a manter a previsão do final de 2017.

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"Nós vínhamos numa projeção do PIB crescendo 3 por cento, mas agora nesse primeiro trimestre não tivemos o crescimento esperado e nós do governo, de forma conservadora, estamos mantendo a previsão que tínhamos lá no final do ano passado", disse Padilha em entrevista a agências internacionais.

"Nossa previsão é que fique entre 2,5 e 3 por cento. Hoje, na análise feita, a tendência é projetando mais para direção dos 2,5. Nós, no governo, preferimos não trabalhar com número superior a 2,5 por cento", completou.

Na última projeção oficial do governo, feita no fim de março, a expectativa era de um avanço de 2,97 por cento. Na última terça-feira, uma fonte adiantou à Reuters que o próximo relatório de receitas e despesas, a ser publicado até o dia 22 deste mês, a projeção será de 2,5 por cento.

Questionado se as políticas econômicas do governo já não estão mais dando resultado, já que tanto o resultado do PIB quanto da geração de empregos foram piores nesse início de ano do que o esperado, Padilha afirmou que o cenário internacional não tem ajudado.

"Ele (o governo) está no rumo certo. O ajuste fiscal era absolutamente indispensável. A busca de geração de emprego tem apresentado resultados, as políticas estão acontecendo", disse Padilha.

"Mas não podemos desconhecer a circunstância econômica internacional. O mundo não vai da forma que gostaríamos que fosse para que pudéssemos ter um crescimento acima do que estamos tendo."

Apesar disso, defendeu o ministro, o momento de crise por que passa a Argentina, um dos maiores parceiros comerciais do país, não deve contaminar o Brasil ou os países do Mercosul.

ELEIÇÃO

Mesmo reconhecendo a dificuldade do presidente Michel Temer em conseguir aumentar sua aprovação e diminuir a rejeição ao governo, o ministro mantém a aposta de que Temer é o melhor candidato do MDB à Presidência, mesmo colocando o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como uma boa alternativa.

"O presidente Michel Temer é seguramente o que está mais habilitado a defender o seu governo e dar voz a todas essas realizações que tiveram curso nesses dois anos de governo. Mas não podemos ignorar também a existência do ministro Henrique Meirelles como uma das alternativas que dispomos para poder ter a defesa do legado das realizações do governo Michel Temer", disse Padilha.

O ministro acrescentou ainda que Temer pode vir a ser candidato na medida em que o partido consiga consolidar sua candidatura, mas não entrou em detalhes do que seria necessário para essa consolidação. Padilha admite, no entanto, que o governo não consegue capitalizar o que chama de avanços econômicos e colar as boas notícias na figura do presidente.

Exatamente um anos depois do surgimento das gravações das conversas entre o empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F, holding que controla a JBS, e Temer no Palácio do Jaburu, que levaram a duas denúncias contra o presidente, bloqueadas depois pela Câmara dos Deputados, Padilha admitiu que, mesmo com a defesa de Temer, o governo perdeu ética e moralmente.

"Houve uma perda de capital político, mas acabamos perdendo também do ponto de vista ético, moral, para que pudesse ser creditado ao presidente todos esses avanços. Todos sentem os avanços mas não creditam ao presidente", defendeu.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)
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