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Por Shoon Naing
YANGON, 10 Out (Reuters) – O governo de Mianmar adotou nesta
terça-feira a primeira iniciativa para melhorar as relações
entre seguidores de religiões diferentes desde que uma irrupção
de episódios de violência em agosto inflamou tensões e
desencadeou um êxodo de cerca de 520 mil muçulmanos para
Bangladesh.
Os muçulmanos rohingyas continuam fugindo mais de seis
semanas depois que insurgentes rohingyas atacaram forças de
segurança em Rakhine, Estado do oeste de Mianmar.
A Organização das Nações Unidas (ONU) qualificou a repressão
militar feroz aos ataques dos rohingyas como uma faxina étnica
destinada a expulsá-los de Mianmar.
Uma nova leva de refugiados entrou em Bangladesh nos últimos
dias, inclusive cerca de 11 mil na segunda-feira. Alguns
relataram uma fome crescente em Rakhine, além de mais ataques
grupais contra muçulmanos em vilarejos.
Apesar das críticas internacionais crescentes à crise de
refugiados, a campanha militar é popular entre a maioria budista
de Mianmar, onde existe pouca solidariedade com os rohingyas e
os muçulmanos em geral e o nacionalismo budista cresceu nos
últimos anos.
O partido da líder do governo, Aung San Suu Kyi, deu o
primeiro passo para acalmar a animosidade entre as comunidades
realizando orações ecumênicas com budistas, muçulmanos, hindus e
cristãos em um estádio na maior cidade de Yangon.
"Isto é pela paz e a estabilidade", disse Aung Shin,
porta-voz do partido, à Reuters. "Paz em Rakhine e paz em toda a
nação".
O tráfego ficou difícil ao redor do estádio e monges
budistas e freiras lotaram as arquibancadas, além de milhares de
outras pessoas.
Os rohingyas haviam depositado suas esperanças de mudança no
partido de Suu Kyi, mas vêm mostrando desconfiança diante da
pressão nacionalista budista. A legenda da líder do país não
apresentou nenhum candidato muçulmano na eleição de 2015, que
venceu com facilidade.
Os rohingyas não são classificados como uma minoria nativa
de Mianmar e por isso não têm direito à cidadania, conforme uma
lei que liga a nacionalidade à etnia.
(Reportagem adicional de Wa Lone)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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