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Por Steve Scherer e Massimiliano Di Giorgio
ROMA, 14 Jun (Reuters) – Itália e França tentaram resolver
nesta quinta-feira uma disputa sobre imigração, enquanto o papa
Francisco pediu que políticos do mundo todo trabalhem em
conjunto para ajudar os refugiados e respeitem sua dignidade.
A Itália convocou um enviado da França na quarta-feira e
exigiu desculpas do presidente francês, Emmanuel Macron, que
havia dito que a medida de Roma de impedir o desembarque de um
navio de resgate de imigrantes em seus portos havia sido um ato
de "cinismo e irresponsabilidade".
Macron, em uma ligação telefônica na noite de quarta-feira
com o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse que não
teve a intenção de ofender "a Itália e o povo italiano", de
acordo com uma nota.
Os dois líderes confirmaram uma reunião de almoço na
sexta-feira para discutir "novas iniciativas" para a imigração,
um dia após o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini,
anunciar um "eixo" com a Alemanha e a Áustria para combater a
imigração ilegal.
"A França não quer a escalada do conflito, é
contraproducente. Precisamos manter o diálogo", disse uma fonte
próxima a Macron, enquanto o presidente visitava a cidade de
Rochefort, no oeste do país. A fonte acrescentou que Macron não
"aceitaria nenhuma retaliação".
Salvini prometeu continuar a bloquear embarcações
humanitárias estrangeiras nos portos italianos enquanto a Europa
tenta entender como dividir a responsabilidade de lidar com
migrantes que tentam adentrar a União Europeia a partir de zonas
de conflito e países empobrecidos, a maioria deles na África e
no Oriente Médio.
Mais de 1,8 milhão de migrantes chegaram à Europa desde
2014, e a Itália agora abriga mais de 170 mil em pessoas em
busca de asilo, assim como cerca de 500 mil imigrantes sem
registro. Uma cúpula da União Europeia irá discutir as regras de
asilo político do bloco no final deste mês.
O papa Francisco, que fez da defesa dos refugiados uma
plataforma de seu papado, repreendeu políticos por não
respeitarem a dignidade dos imigrantes e exigiu uma "mudança de
mentalidade".
Ao discursar em uma conferência sobre imigração no Vaticano,
o papa disse que países precisam trabalhar em conjunto e "parar
de considerar os outros como ameaças ao nosso conforto,
valorizando-os como pessoas cujas vidas, experiências e valores
podem contribuir imensamente para o enriquecimento de nossa
sociedade".
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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