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Por Maher Chmaytelli e Raya Jalabi
BAGDÁ/MOSUL, Iraque, 12 Mai (Reuters) – Iraquianos votaram
neste sábado pela primeira vez desde a derrota do Estado
Islâmico, com o primeiro ministro Haider Abadi, aliado tanto dos
Estados Unidos como do Irã, tentando afastar os poderosos grupos
políticos xiitas que aproximariam o país de Teerã.
Os iraquianos expressaram seu orgulho diante da quarta
votação desde a queda do ditador Saddam Hussein, mas também
afirmaram ter poucas esperanças de que a eleição possa
estabilizar um país dominado por conflitos, dificuldades
econômicas e corrupção.
Repórteres da Reuters disseram que o comparecimento às urnas
parecia baixo em vários postos de votação em Bagdá e em
Fallujah, a oeste da capital, e em Basra, ao sul.
Os vitoriosos no pleito terão de lidar com o resultado da
decisão do presidente norte-americano Donald Trump de se retirar
do acordo nuclear com o Irã, medida que é vista pelos iraquianos
como passível de tornar seu país em um teatro de conflitos entre
Washington e Teerã.
Abadi, que chegou ao poder há quatro anos, depois que o
Estado Islâmico dominou um terço do país, administra
cuidadosamente a aliança do Iraque com os dois países. Os
Estados Unidos disponibilizaram apoio militar ao Exército
iraquiano para derrotar o Estado Islâmico, enquanto as milícias
xiitas apoiadas pelo Irã lutaram do mesmo lado.
Mas agora que a campanha militar terminou, Abadi enfrenta
ameaças políticas de dois principais desafiantes: seu
antecedente Nuri al-Maliki, e o líder do principal grupo
paramilitar xiita, Hadi al-Amiri, ambos mais próximos do Irã do
que ele.
Os três principais grupos étnicos e religiosos –a maioria
arábe xiita, a minoria sunita e os curdos– se desentendem há
décadas, com divisões sectárias profundas.
O Irã tem grande influência no Iraque como a principal
potência xiita na região. Os Estados Unidos, que invadiram o
Iraque em 2003 para derrubar Saddam, ocuparam o país até 2011 e
enviaram tropas de volta ao país para combater o Estado Islâmico
em 2014, também possuem muita influência.
A influência do Irã causa descontentamento entre os sunitas
e também entre alguns xiitas, que se cansaram de líderes
religiosos, partidos e milícias, e querem que o país seja
governado por tecnocratas.
Abadi é considerado favorito por analistas, mas a vitória
está longe de ser certa. Um engenheiro educado no Reino Unido
que se elegeu sem o auxílio de uma poderosa máquina política,
Abadi solidificou seu governo com a vitória sobre o Estado
Islâmico. No poder, ele buscou o apoio da minoria sunita, apesar
de ter alienado os curdos, reprimindo sua busca por
independência.
Mas ele fracassou na missão de fortalecer a combalida
economia do país, e não pode contar apenas com os votos de seus
pares xiitas. Mesmo se a Alliança para a Vitória de Abadi
conquistar a maioria das vagas no Parlamento, ele ainda
precisará negociar a formação de um governo de coalizão, que
deverá ser formado em até 90 dias após as eleições.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759))
REUTERS ES


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