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Por Tom Perry e Ellen Francis
BEIRUTE, 14 Abr (Reuters) – A oposição síria afirmou que os
ataques ocidentais no sábado não mudarão o curso da guerra de
sete anos, ao mesmo tempo em que o Exército disse que irá
esmagar resistência rebelde do país.
Os mísseis de Estados Unidos, Reino Unido e França tiveram
como alvo as armas químicas do presidente Bashar al-Assad e sua
capacidade de produzi-las como resposta a um ataque mortal com
gás venenoso perto de Damasco há uma semana, disse Washington.
Mas rebeldes e políticos da oposição disseram que as
potências ocidentais também deveriam atacar as armas
convencionais de Assad, que mataram muito mais pessoas durante a
guerra.
Algumas autoridades insurgentes disseram temer uma investida
contra o bastião rebelde de Idlib, que uma importante autoridade
iraniana indicou poderia ser o próximo alvo.
"Talvez o regime não use armas químicas novamente, mas não
hesitará em usar armas", disse o líder da oposição Nasr
al-Hariri.
Um combatente rebelde disse estar se preparando para novos
ataques como "vingança" do governo com seus aliados em
território rebelde no noroeste, incluindo a região de Idlib.
"Era esperado mais do ataque americano para afetar o rumo da
guerra e conter os crimes de Assad", disse ele à Reuters, da
província de Hama.
Damasco e seus aliados disseram que relatos de gás venenoso
em Douma foram criados como pretexto para ataques ocidentais.
Depois do suposto ataque com gás, que grupos de assistência
médica disseram ter matado dezenas de pessoas, rebeldes que
estavam em Douma finalmente entregaram a cidade. Isso garantiu
uma grande vitória para Assad, acabando com o último bastião
insurgente na região oriental de Ghouta, perto da capital.
A guerra segue favorecendo Assad desde que a Rússia
interveio em seu lado em 2015. Depois de controlar menos de um
quinto da Síria em 2015, Assad se recuperou para controlar a
maior parte do país com ajuda russa e iraniana.
Mohamad Alloush, chefe político da facção Jaish al-Islam que
controlou Douma, disse que os ataques ocidentais no sábado não
seriam suficientes.
"Enquanto esse regime e suas agências de segurança
existirem, os ataques químicos continuarão porque há segurança
das conseqüências que acabariam com isso", disse ele. "E (Assad)
está retratando o que aconteceu como uma vitória."
A Presidência síria postou um vídeo mostrando que Assad
chegaria para trabalhar no sábado pela manhã poucas horas após o
ataque liderado pelos EUA, vestido de terno e gravata e
carregando uma maleta.
Embora partes da Síria permaneçam além de seu alcance, a
insurgência atualmente não representa uma ameaça militar ao seu
governo.
A oposição elogiou o presidente Donald Trump por agir contra
Assad depois de criticar o ex-presidente dos EUA Barack Obama
por não ter imposto sua própria linha vermelha quando Assad foi
acusado de usar gás em 2013. Mas os oposicionistas querem mais.
"O ataque enfraqueceu o regime, mas não fortaleceu a
oposição", disse outro comandante rebelde.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702))
REUTERS AC


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