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Por Iuri Dantas
SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) – A agenda econômica do
pré-candidato à Presidência Alvaro Dias (Podemos) defende forte
ajuste fiscal, com uma reforma da Previdência começando pelos
servidores públicos, que também serão o foco em outra frente,
com reduções de gastos por meio de mudanças na forma de
contratação e demissões, além de cortes no número de
ministérios, secretarias e órgãos federais.
As medidas estão sendo desenhadas ainda, disse à Reuters o
economista Gustavo Grisa, um dos conselheiros do partido
envolvido diretamente na elaboração do plano econômico, que
trará também a privatização de praticamente todas as estatais
federais num prazo mais longo.
"Estamos num momento de viés liberalizante, precisamos
preparar um choque para o Brasil ser mais produtivo", disse o
economista.
Alvaro Dias tem entre 3 e 5 por cento das intenções de voto
na pesquisa Datafolha realizada no mês passado, a depender do
cenário, números próximos do ex-governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin (PSDB). Em recente entrevista à Reuters, o senador
defendeu a necessidade de um Estado menor, mas sem abrir mão de
programas sociais.
Grisa avalia que o governo do presidente Michel Temer adota
políticas na direção correta, mas tem falhado na política
fiscal, que deveria ser mais rígida em cortes de despesas
obrigatórias e de pessoal. Ao mesmo tempo, o economista afirma
que na visão de Alvaro Dias é preciso elaborar uma proposta de
reforma da Previdência, vital para o ajuste das contas públicas,
que enfrente o déficit causado pelo funcionalismo público.
A pré-campanha do senador ainda não tem uma posição definida
sobre o tema, que será estudado em reuniões com especialistas no
assunto, mas Grisa ressalta que é preciso abordar a reforma
eliminando de vez a paridade de reajustes entre ativos e
inativos e a possibilidade de se aposentar com o salário
integral. Também, estão sobre a mesa como modificar a forma de
contratar e demitir servidores públicos.
"Precisa fazer reforma, não é modelo do Temer e tem que
começar cuidando da questão da Previdência pública", listou
Grisa. "Depois da Previdência, e com privatização rodando, vai
criando condições para retomada de investimentos ao mesmo tempo
em que vai completando ciclo de reformas durante o mandato."
Em sua abordagem macroeconômica, o Podemos visa o
fortalecimento do chamado tripé econômico: resultado fiscal
forte, câmbio flutuante e sistema de metas de inflação.
"São três linhas populistas que não vamos fazer: mexer com o
câmbio, adotar uma política industrial e imaginar o Banco
Central com duplo mandato, sendo responsável também pelo
crescimento da economia", assinalou.

PRIVATIZAÇÃO
O presidenciável, de 73 anos, conheceu Grisa, de 44 anos, em
2009, quando foram apresentados por amigos em comum, e os dois
se tornaram próximos por visões econômicas em comum. Grisa é
economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem
MBA pela Thunderbird School of Global Management.
O programa de privatização do pré-candidato, num primeiro
momento, foca nas estatais de menor porte e cujas vendas não
seriam tão complexas. As maiores, explica Grisa, poderiam ser
vendidas em um "segundo momento", citando o Banco do Brasil
, a Caixa Econômica Federal , a Petrobras
e mesmo a Eletrobras , cujo processo de
privatização já está em tramitação no Congresso Nacional.
"Queremos criar o maior programa de desestatização da
América Latina durante o próximo mandato, abrir a possibilidade
de privatização ou parceria público-privada da maioria absoluta
das cento e quarenta e sete estatais."
A privatização do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) não foi discutida pelos economistas
que aconselham o pré-candidato, disse Grisa.
A atuação do Estado seria alvo de forte ajuste fiscal no
início do governo, com redução do número de ministérios,
despesas correntes e de gastos com pessoal, afirmou o
economista.
Outro ponto que a equipe do pré-candidato do Podemos
pretende alterar são as contratações públicas, com mudanças na
lei de 1993 que rege as licitações, com reforço da fiscalização
e do controle, com maior autonomia da Controladoria Geral da
União.
"Estamos na preparação de um choque institucional para
ajudar a economia do Brasil a fluir melhor e se modernizar. Um
modelo de uma visão muito próxima do programa centrista do
(Emmanuel) Macron na França, bem social-liberal", definiu o
economista.
"O programa se posiciona entre a linha mais democrata do
PSDB e princípios liberalizantes. É um liberalismo light",
acrescentou.

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(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; +55 11 5644-7757; Reuters
Messaging: [email protected]))


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