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BEIRUTE, 12 Mar (Reuters) – No momento em que o Exército da
Síria avança cada vez mais em Ghouta Oriental sob a proteção de
bombardeios massacrantes, os 400 mil civis que a Organização das
Nações Unidas (ONU) diz morarem no enclave estão se reunindo em
porões escuros para fugir das bombas incessantes.
Sob tetos rachados que se curvam para baixo devido à força
dos ataques anteriores, eles esticam lençóis através dos porões
para criar quartos para famílias inteiras.
"Olhe para isso. É completamente inabitável. Não é seguro
colocar nem galinhas aí dentro. Não há banheiro, só uma privada,
e há 300 pessoas", disse um homem em um abrigo de Douma, o maior
centro urbano da região.
Como as outras pessoas do abrigo, ele não quis se
identificar por medo das represálias no momento em que o
Exército tenta tomar o bastião rebelde.
O presidente sírio, Bashar al-Assad, e a Rússia, sua aliada
mais poderosa, disseram que a ofensiva em Ghouta Oriental é
necessária para acabar com o domínio dos insurgentes islâmicos
sobre os civis no local e com o disparo de morteiros contra a
vizinha Damasco.
Mas a intensidade da ofensiva, que o Observatório Sírio dos
Direitos Humanos disse ter matado 1.160 pessoas em três semanas,
provocou a condenação de países ocidentais e apelos de agências
da ONU por uma pausa humanitária.
O ataque começou com um dos bombardeios mais intensos da
guerra, quando aviões de guerra, helicópteros e artilharia
dispararam uma avalanche quase constante de mísseis, bombas,
foguetes e projéteis.
A ação visou uma área sitiada desde 2013, onde a escassez
profunda de alimentos e remédios vem provocando uma desnutrição
grave e a disseminação de doenças.
Depois que as bombas começaram a cair três semanas atrás, as
pessoas passaram a temer sair dos abrigos até mesmo para buscar
os parcos suprimentos de comida restantes.
O abrigo foi montado em dois andares de um subsolo e está
lotado. Há crianças pequenas por todo lado, conversando e
brincando nos corredores labirínticos surgidos entre os lençóis.
Dentro dos quartos improvisados, colchões finos e cobertores
se espalham pelo chão. Algumas pessoas tentam dormir. Em um
canto, um homem se senta para receber atendimento de um médico
que foi ao local para tratar os ferimentos que ele sofreu em um
ataque a bomba anterior.
"Trezentas pessoas vivendo em perigo e somos forçados a
viver assim… velhos e jovens e doentes", disse o homem.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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