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Por Lisandra Paraguassu
LIMA, 12 Abr (Reuters) – O governo brasileiro cobrou dos
Estados Unidos uma resposta à proposta de uso da base de
Alcântara, entregue a Washington há quase um ano e até agora sem
resposta, disseram à Reuters fontes que acompanharam a reunião
entre o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes
Ferreira, e o Secretario de Estado interino dos EUA, John
Sullivan.
"Nós apresentamos um resumo de 10 pontos que estamos
esperando resposta. Alguns avançaram outros não. Na questão de
Alcântara estamos esperando e cobramos uma resposta", disse à
Reuters uma das fontes.
A proposta brasileira para uso da base substituiu o texto
que foi rejeitado pelo Congresso no ano 2000 por ser considerada
muito intrusiva pelos parlamentares, já que dava acesso total à
base pelos norte-americanos com pouco retorno tecnológico para o
país.
"Nossa contraproposta avançou nas questões que preocupavam o
Congresso e acho que cobre bem as preocupações americanas com
propriedade intelectual, proteção à tecnologia", disse uma das
fontes. "O que foi dito agora é que a proposta já passou por
todas as agências americanas e em seguida eles estarão prontos
para negociar."
O governo brasileiro apresentou a propostas no início de
junho de 2017. Desde então, diversas empresas demonstraram
interesse em lançar foguetes da base em Alcântara (MA) que, por
sua localização na linha do Equador exige 30 por cento menos
combustível que outras regiões.
Pelo menos cinco empresas norte-americanas demonstraram
interesse depois de uma visita à base. SpaceX, Lockheed Martin
e Boeing estiveram em Alcântara, além da Vector
Space Systems, que lança pequenos satélites, e da Microcosm.
Todas elas, no entanto, só podem usar a base depois de assinado
um acordo de salvaguardas de tecnologia entre os dois países,
por exigência das leis norte-americanas.
"A própria Boeing tem pressionado o governo americano para
resolver essa questão porque eles têm muito interessem no uso da
base", disse uma das fontes.
O Brasil abandonou planos de construir seu próprio foguete
para transportar grandes satélites após uma explosão em 2003 em
Alcântara que matou 21 pessoas e dizimou o programa espacial
brasileiro. Depois disso, ainda no governo de Luiz Inácio Lula
da Silva, foi feito um acordo com a Ucrânia para desenvolvimento
conjunto de um veículo lançador de satélites.
O país europeu, no entanto, nunca pagou sua parte no
investimento nem entregou a tecnologia combinada. O acordo foi
rompido em 2015.
A intenção agora é encontrar uma forma de receber dividendos
e também tecnologia. O uso da base foi oferecido não apenas para
os Estados Unidos e outros países interessados poderão usar
também.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; +55.61.34267000;
Reuters Messaging:
[email protected]))

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