Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

(Texto atualizado com novas informações)
Por Steve Holland e Tom Perry
WASHINGTON/BEIRUT, 14 Abr (Reuters) – Forças
norte-americanas, britânicas e francesas bombardearam a Síria
com mais de 100 mísseis neste sábado nos primeiros ataques
ocidentais coordenados contra o governo de Damasco, tendo como
alvo o que disseram ser centros de armas químicas em retaliação
a um suposto veneno ataque de gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a
ação militar da Casa Branca, dizendo que os três aliados haviam
"organizado seu poder justo contra a barbárie e a brutalidade".
Mais tarde, ele tuitou: "Missão cumprida".
O atentado representa uma grande escalada no confronto do
Ocidente com a Rússia, aliado de Assad, mas é improvável que
altere o curso de uma guerra multifacetada que matou pelo menos
meio milhão de pessoas nos últimos sete anos.
Isso, por sua vez, levanta a questão de para onde os países
ocidentais vão a partir daqui, depois de uma série de ataques
classificados por Damasco e Moscou como imprudentes e inócuos.
Pela manhã, os países ocidentais disseram que seu bombardeio
havia sido encerrado por ora. A Síria divulgou um vídeo dos
escombros de um laboratório de pesquisa bombardeado, mas também
do presidente Bashar al-Assad chegando ao trabalho como de
costume, com a legenda "Manhã de resistência".
Não houve relatos imediatos de vítimas. Os aliados de
Damasco disseram que os edifícios atingidos haviam sido
esvaziados com antecedência.
A Rússia prometeu responder a qualquer ataque contra seu
aliado e disse no sábado que as defesas aéreas sírias haviam
interceptado 71 dos mísseis disparados.
Mas o Pentágono disse que os EUA mantinham contatos para
evitar conflitos com a Rússia antes e depois dos ataques, que os
sistemas de defesa aérea síria haviam sido ineficazes e que não
havia indicação de que os sistemas russos tivessem sido usados.
Em entrevista coletiva nesta manhã, o Pentágono disse que os
ataques durante a noite atingiram todos os alvos e tinham como
objetivo dar um sinal inequívoco ao governo sírio e impedir o
uso futuro de armas químicas.
Segundo autoridades, os ataques enfraqueceram
significativamente a capacidade do presidente sírio Bashar
al-Assad de produzir armas químicas e o Pentágono não estava
ciente de nenhuma morte civil resultante das greves.

"UM TIRO SÓ"
A primeira-ministra britânica, Theresa May, descreveu o
ataque como "limitado e direcionado", sem intenção de derrubar
Assad ou intervir mais amplamente na guerra. Ela disse que
autorizou a ação britânica depois que a inteligência indicou que
o governo Assad era culpado de ter usado gás venenoso em Douma,
subúrbio de Damasco, há uma semana.
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os ataques
foram limitados até agora às instalações de armas químicas da
Síria. Paris divulgou um dossiê que, segundo o jornal, mostra
que Damasco é culpada pelo ataque com gás venenoso em Douma, a
última cidade que abriga um território controlado por rebeldes
perto de Damasco que as forças do governo recapturaram este ano.
Washington descreveu seus alvos como um centro perto de
Damasco para pesquisa, desenvolvimento, produção e testes de
armas químicas e biológicas, um local de armazenamento de armas
químicas perto da cidade de Homs e outro local perto de Homs que
armazenava equipamentos de armas químicas e abrigava um posto de
comando.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis,
classificou os ataques como "um tiro só", embora Trump tenha
levantado a possibilidade de mais ataques se o governo Assad
usar novamente armas químicas.
"Estamos preparados para sustentar essa resposta até que o
regime sírio pare de usar agentes químicos proibidos", disse o
presidente dos Estados Unidos em um discurso televisionado.
O Pentágono disse que havia agentes de armas químicas em um
dos alvos e que por isso, embora haja outros locais do sistema
de armas químicas da Síria, os ataque tinham enfraquecido
significativamente sua capacidade de produzir tais armas.
O presidente russo, Vladimir Putin, pediu uma reunião do
Conselho de Segurança da ONU para discutir o que Moscou
denunciou como um ataque injustificado contra um Estado
soberano. Diplomatas disseram que a reunião acontecerá em Nova
York às 12h (horário de Brasília).
A mídia estatal síria chamou o ataque de "violação flagrante
do direito internacional". O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali
Khamenei, chamou isso de crime e os líderes ocidentais de
criminosos.
Inspetores da Organização para a proibição de Armas Químicas
(Opaq) deveriam visitar Douma no sábado para inspecionar o local
do ataque a gás em 7 de abril. Moscou condenou os Estados
ocidentais por se recusarem a esperar por suas descobertas.
A Rússia, cujas relações com o Ocidente se deterioraram a
níveis de hostilidade da era da Guerra Fria, negou qualquer
ataque com gás ocorrido em Douma.
Mas apesar de responder exteriormente com fúria ao ataque de
sábado, Damasco e seus aliados também deixaram claro que
consideravam um caso isolado, que provavelmente não prejudicará
Assad.
Uma autoridade de uma aliança regional que apoia Damasco
disse à Reuters que os locais visados ??foram esvaziados dias
atrás graças a um alerta da Rússia.
"Se isso estiver terminado e não houver uma segunda (de
ataques), será considerado limitado", disse a autoridade.
Dmitry Belik, membro do Parlamento russo que esteve em
Damasco e testemunhou os ataques, disse à Reuters: "O ataque foi
mais de natureza psicológica do que prático. Felizmente não há
perdas ou danos substanciais."
Pelo menos seis explosões foram ouvidas em Damasco e havia
fumaça na cidade, segundo uma testemunha da Reuters. Uma segunda
testemunha disse que o distrito de Barzah em Damasco foi
atingido.
Um laboratório de pesquisa científica em Barzah parece ter
sido completamente destruído, segundo imagens da TV estatal
al-Ikhbariya. Havia fumaça vinda dos escombros e um ônibus
estacionado do lado de fora estava muito danificado.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

ASSAD FORTE
Mas a intervenção ocidental praticamente não tem chance de
alterar o equilíbrio militar de poder em um momento em que Assad
está em sua posição mais forte desde os primeiros meses da
guerra.
Em Douma, local do suposto ataque a gás, os últimos ônibus
devem sair no sábado para transportar os rebeldes e suas
famílias que concordaram em entregar a cidade, informou a TV
estatal. Isso efetivamente acaba com toda a resistência nos
subúrbios de Damasco, conhecida como Ghouta oriental, marcando
uma das maiores vitórias do governo Assad durante toda a guerra.
A ajuda militar russa e iraniana nos últimos três anos
permitiu a Assad esmagar a ameaça rebelde de derrubá-lo.
Estados Unidos, Reino Unido e França têm participado do
conflito sírio durante anos, armando rebeldes, bombardeando
combatentes do Estado Islâmico e enviando tropas para combater
esse grupo. Mas os três países têm evitado atacar diretamente o
governo Assad, além de uma saraivada de mísseis norte-americanos
no ano passado.
Apesar de todos os países ocidentais terem dito durante sete
anos que Assad deve deixar o poder, eles se negaram a atacar seu
governo, faltando-lhe uma estratégia mais ampla para derrotá-lo.
As potências ocidentais se esforçaram no sábado para evitar
qualquer nova escalada, incluindo qualquer conflito inesperado
com a Rússia. A ministra da Defesa francesa, Florence Parly,
disse que os russos "foram avisados ??de antemão" para evitar
conflitos.
O ataque conjunto envolveu mais mísseis, mas parece ter
atingido alvos mais limitados, do que um ataque similar que
Trump ordenou no ano passado, em retaliação a outro suposto uso
de armas químicas. Aquele ataque não teve impacto na guerra.
(Reportagem adicional de Phil Stewart, Tim Ahmann, Eric
Beech, Lesley Wroughton, Lucia Mutikani, Idrees Ali, Patricia
Zengerle, Matt Spetalnick e John Walcott, em Washington; Samia
Nakhoul, Laila Bassam, Ellen Francis e Angus McDowall, Beirute;
Michael Holden e Guy Faulconbridge, em Londres; Jean-Baptiste
Vey, Geert de Clerq e Matthias Blamont, em Paris; e Polina
Ivanova, em Moscou)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702))
REUTERS AC


Assuntos desta notícia

Join the Conversation