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(Texto atualizado com declarações e novas informações)
Por Steve Holland e Tom Perry
WASHINGTON/BEIRUTE, 14 Abr (Reuters) – Potências ocidentais
disseram neste sábado que um ataque com mísseis atingiu o
coração do programa de armas químicas da Síria, mas é improvável
que a ofensiva atrapalhe o progresso do presidente sírio, Bashar
al-Assad, na guerra civil de 7 anos.
Estados Unidos, França e Grã-Bretanha lançaram 105 mísseis
durante a noite em retaliação a um ataque suspeito de gás
venenoso na Síria há uma semana, atingindo o que o Pentágono
disse serem três instalações de armas químicas, incluindo uma
pesquisa e desenvolvimento em Damasco e duas perto de Homs.
O bombardeio foi a maior intervenção de países ocidentais
contra Assad e sua aliada Rússia, mas os três países disseram
que os ataques se limitaram à capacidade síria de armas químicas
e não visaram a derrubar Assad ou intervir na guerra civil.
O ataque aéreo, denunciado por Damasco e seus aliados como
ato ilegal de agressão, não deve alterar o curso de uma guerra
que já matou pelo menos meio milhão de pessoas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no Twitter:
"Missão cumprida", ecoando o ex-presidente George W. Bush, que
usou a mesma frase em 2003 para descrever a invasão do Iraque
pelos EUA, o que foi amplamente ridicularizado à medida que a
violência se arrastou por anos.
"Acreditamos que ao atacar Barzeh em particular, atacamos o
coração do programa de armas químicas da Síria", disse o
tenente-general Kenneth McKenzie no Pentágono.
Mas McKenzie reconheceu que elementos do programa permanecem
e ele não podia garantir que a Síria seria incapaz de realizar
um ataque químico no futuro.
A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse na reunião
de emergência do Conselho de Segurança da ONU que Trump disse a
ela que se a Síria usar gás venenoso novamente, os Estados
Unidos estarão prontos para agir.
Os países ocidentais disseram que os ataques visavam impedir
mais ataques com armas químicas da Síria, após um suspeito
ataque com gás venenoso em Douma em 7 de abril matar até 75
pessoas. Eles culpam o governo de Assad pelo ataque.
Em Washington, um alto funcionário do governo disse haver
evidências de que foram usados tanto cloro quanto gás sarin.

'RESILIÊNCIA' DE ASSAD
Dez horas após a explosão dos mísseis, a fumaça ainda subia
dos destroços de cinco prédios destruídos do Centro de Pesquisa
Científica da Síria, em Barzeh, onde um empregado sírio disse
que remédios eram desenvolvidos.
Não houve relatos imediatos de mortos.
A Síria divulgou um vídeo dos destroços de um laboratório de
pesquisas bombardeado, mas também de Assad indo ao trabalho
normalmente, com a legenda "manhã de resiliência".
A ajuda dos exércitos da Rússia e do Irã nos últimos três
anos permitiu a Assad esmagar a ameaça rebelde para derrubá-lo.
EUA, Reino Unido e França participam do conflito sírio anos
atrás, armando rebeldes, bombardeando soldados do Estado
Islâmico e colocando tropas no campo de batalha para enfrentar
este grupo. Mas resistiram a encarar o governo de Assad, com
exceção de uma salva de mísseis dos EUA ano passado.
Embora os países ocidentais digam há sete anos que Assad
precisa deixar o poder, eles evitaram no passado atacar o seu
governo, sem uma estratégia mais ampla para derrotá-lo.
A Síria e seus aliados também deixaram claro que consideram
o ataque algo pontual, que não deve causar danos importantes.
Uma fonte oficial em uma aliança regional que apoia Damasco
disse à Reuters que os alvos dos bombardeios haviam sido
evacuados dias atrás, graças a um aviso da Rússia.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov,
disse que os ataques eram "inaceitáveis e ilegais".
A imprensa estatal da Síria classificou-os como "violações
flagrantes de lei internacional", enquanto o líder supremo do
Irã, o aiatolá Ali Khamenei, usou a palavra "crime" e chamou os
líderes ocidentais de criminosos.
A Rússia havia prometido responder a qualquer ataque contra
seus aliados, mas o Pentágono afirmou que nenhum sistema de
defesa aéreo russo foi usado. A Síria emitiu 40 mísseis, mas
apenas após o fim dos ataques ocidentais, disse o Pentágono.
A primeira-ministra britânica Theresa May descreveu o ataque
como "limitado e direcionado", sem intenção de derrubar Assad ou
intervir mais amplamente na guerra.
Washington descreveu os alvos do ataque como um centro de
pesquisa, desenvolvimento, produção e testes de armas químicas e
biológicas próximo de Damasco, um depósito de armas químicas
próximo da cidade de Homs, e outro próximo a Homs que reunia
equipamentos de armas químicas e abrigavam um posto de comando.

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INSPEÇÃO DE ARMAS
Inspetores do grupo global de vigilância de armas químicas
OPCW deveriam visitar Douma neste sábado para investigar o local
do suposto ataque com gás. Moscou condenou os estados ocidentais
por se recusarem a esperar o resultado das investigações.
A Rússia, cujas relações com o Ocidente se deterioraram a
níveis de hostilidade da Guerra Fria, negou que qualquer ataque
a gás tenha acontecido em Douma e acusou o Reino Unido de ter
armado a situação para aumentar a histeria anti-Rússia.
Os países ocidentais tomaram precauções para evitar um
conflito inesperado com a Rússia. O ministro de Defesa da
França, Florence Parly, disse que russos foram avisados para
evitar um conflito.
Dmitry Belik, membro russo do parlamento que estava em
Damasco e testemunhou os ataques, disse à Reuters: "O ataque foi
de natureza mais psicológica que prática. Felizmente, não houve
perdas ou danos substanciais".
A Síria aceitou, em 2013, abrir mão de suas armas químicas
depois que gás nervoso foi usado para matar centenas de pessoas
em Douma. Damasco ainda tinha permissão de portar cloro para uso
civil, embora o seu uso como arma tenha sido banido.
Alegações do uso de cloro por Assad foram frequentes durante
a guerra, embora, ao contrário de agentes nervosos, o cloro não
produz assassinatos em massa como os vistos semana passada.
(Reportagem adicional de Jeff Mason, Steve Holland, Idrees
Ali, Yara Bayoumy, Joel Schectman, Michelle Nichols, Samia
Nakhoul, Tom Perry, Laila Bassam, Ellen Francis, Angus McDowall,
Kinda Makieh, Michael Holden, Guy Faulconbridge, Jean-Baptiste
Vey, Geert de Clerq and Matthias Blamont e Polina Ivanova)
((Tradução Redação São Paulo; + 55 11 5644-7712))
REUTERS AAAP


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