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(Texto atualizado com mais detalhes)
Por Steve Holland e Soyoung Kim e Jack Kim
CINGAPURA, 12 Jun (Reuters) – O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, disse que o líder norte-coreano, Kim Jong
Un, se comprometeu, durante uma cúpula histórica nesta
terça-feira, a trabalhar pela completa desnuclearização da
península coreana, enquanto Washington prometeu garantias de
segurança a seu antigo inimigo.
O início das negociações que visam acabar com o que Trump
descreveu como o "muito substancial" arsenal nuclear da Coreia
do Norte pode ter ramificações abrangentes para a região e, em
uma das maiores surpresas do dia, Trump disse que irá
interromper exercícios militares com a aliada Coreia do Sul.
Mas, Trump e Kim deram poucos detalhes em um comunicado
conjunto assinado no fim de sua cúpula em Cingapura, e diversos
analistas colocaram em dúvida o quão efetivo o acordo será a
longo prazo em conseguir que a Coreia do Norte abra mão de suas
armas nucleares.
"O presidente Trump se comprometeu a fornecer garantias de
segurança à RPDC e o presidente Kim Jong Un reafirmou seu firme
e inabalável compromisso com a completa desnuclearização da
península coreana", disse o comunicado, fazendo referência ao
nome formal da Coreia do Norte –República Popular Democrática
da Coreia.
Os dois líderes pareciam cautelosos e sérios quando chegaram
para a cúpula no hotel Capella, em Sentosa, uma ilha turística
com hotéis luxuosos, um cassino e um parque de diversões dos
estúdios Universal, em Cingapura.
Especialistas em linguagem corporal disseram que ambos
tentaram projetar postura de domínio quando se encontraram, mas
também exibiram sinais de nervosismo.
Após um aperto de mão, os dois líderes estavam logo
sorrindo, antes de Trump guiar Kim até uma biblioteca onde se
reuniram apenas com seus tradutores. Trump havia dito no sábado
que saberia um minuto após encontrar com Kim se chegaria a um
acordo.
Mais tarde, Trump disse em coletiva de imprensa que espera
que o processo de desnuclearização comece "muito, muito
rapidamente" e que as ações serão verificadas "tendo muitas
pessoas na Coreia do Norte".
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, e
autoridades norte-coreanas irão continuar as negociações "o mais
cedo possível", disse o comunicado.
Apesar de Kim ter anunciado que a Coreia do Norte estava
destruindo uma importante unidade de testes de motores para
mísseis, Trump disse que as sanções contra Pyongyang continuarão
em vigor por enquanto.
O projeto de monitoramento da Universidade John Hopkins
sobre a Coreia do Norte, 38 North, informou na semana passada
que Pyongyang havia destruído uma instalação para testes de
mísseis balísticos.
Trump disse também que os frequentes exercícios militares
que os Estados Unidos realizam com a Coreia do Norte são caros e
provocativos, mas, a interrupção das simulações pode irritar a
Coreia do Sul e o Japão, que dependem do guarda-chuva de
segurança de Washington.
Trump disse que os exercícios não serão retomados "a menos
que e até que nós vejamos que a negociação futura não está indo
como deveria".
Antes, Kim disse que ele e Trump "decidiram deixar o passado
para trás. O mundo verá uma grande mudança".
Entretanto, diversos especialistas disseram que a cúpula não
conseguiu garantir nenhum compromisso concreto de que Pyongyang
irá acabar com seu arsenal nuclear. Analistas também observaram
que o comunicado não fez nenhuma referência a direitos humanos
em uma das nações mais repressoras do mundo.

ACORDO DESIGUAL
Anthony Ruggiero, membro sênior do grupo de pesquisa
Fundação para Defesa das Democracias, de Washington, disse não
ter ficado claro se as negociações irão levar a
desnuclearização, ou se terminarão com promessas quebradas como
aconteceu no passado.
"Isso parece como uma reafirmação de onde nós deixamos as
negociações há mais de 10 anos e não como um grande passo para
frente", disse.
Daniel Russel, que ocupou o cargo de principal diplomata
para a Ásia do Departamento de Estado norte-americano, disse que
a falta de qualquer referência aos mísseis balísticos da Coreia
do Norte no documento é "gritante".
"Trocar nossa defesa da Coreia do Sul por uma promessa é um
acordo desigual que ex-presidentes poderiam ter feito mas se
recusaram", disse.
A Coreia do Norte tem há muito tempo rejeitado o
desarmamento nuclear unilateral, ao invés disso se referindo à
desnuclearização da península coreana. Isso sempre foi
interpretado como um pedido para os Estados Unidos removerem seu
"guarda-chuva nuclear" que protege a Coreia do Sul e o Japão.
O documento também não mencionou as sanções contra a Coreia
do Norte ou fez qualquer referência a um tratado de paz para
encerrar formalmente a Guerra da Coreia, que acabou em uma
trégua depois de deixar milhões de mortos entre 1950 e 1953.
(Reportagem de Dewey Sim, Aradhana Aravindan, Himani Sarkar,
Miral Fahmy, John Geddie, Joyce Lee, Grace Lee, Matt Spetalnick
e David Brunnstrom, em Cingapura, e Christine Kim, em Seul)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 22237141))
REUTERS MCP AC

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