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Por Steve Holland
WASHINGTON, 13 Out (Reuters) – O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, abalou o acordo nuclear firmado com o Irã
em 2015 nesta sexta-feira, desafiando outras potências mundiais
ao decidir não confirmar que Teerã está cumprindo o pacto e
alertando que pode terminar cancelando-o.
Trump anunciou a grande mudança na política norte-americana
em um discurso no qual detalhou uma abordagem mais agressiva com
o Irã devido a seus programas nuclear e de mísseis balísticos e
seu suposto apoio a grupos extremistas do Oriente Médio.
O presidente acusou Teerã de "não estar no espírito" do
pacto nuclear e disse que seu objetivo é fazer com que o regime
jamais obtenha uma arma nuclear. Ele insinuou que o Irã pode
estar trabalhando com a Coreia do Norte em seus programas de
armas, acusação por ora sem embasamento.
"Não continuaremos por um caminho cuja conclusão previsível
é mais violência, mais terror e a ameaça muito real de um surto
nuclear no Irã", disse.
Embora Trump não tenha retirado os EUA do acordo, que visa a
impedir que o Irã desenvolva uma bomba nuclear, ele deu 60 dias
para o Congresso norte-americano decidir se retoma ou não as
sanções econômicas contra Teerã que foram suspensas devido ao
pacto.
Isso aumenta a tensão com os iranianos, além de colocar
Washington em choque com outros signatários do acordo, como
China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha e a União
Europeia.
Se o Congresso ressuscitar as sanções, os EUA estariam
violando os termos do pacto e este provavelmente desmoronaria.
Se os parlamentares não fizerem nada, ele continua em vigor.
Trump alertou que, se "não conseguirmos encontrar uma
solução trabalhando com o Congresso e nossos aliados, o acordo
será encerrado".
o presidente iraniano, Hassan Rouhani afirmou que seguirá
empenhado em um acordo nuclear multinacional, desde que sirva
aos interesses do país, e seu programa de mísseis balísticos se
expandirá apesar da pressão dos EUA.
Em resposta ao discurso do presidente de Trump, no qual
Rouhani disse que não continuaria a certificar o acordo
multinacional, o iraniano afirmou ao vivo na televisão que o
anúncio de Trump estava cheio de "insultos e falsas acusações"
contra os iranianos.
A posisão dos EUA foi saudada por Israel.
O ministro de Inteligência israelense descreveu o discurso
de Trump como "muito significativo" e disse que pode levar à
guerra, dadas as ameaças iranianas que o antecederam.
A medida é parte da abordagem "A América Primeiro" de Trump
para acordos internacionais, que o levou a retirar os EUA do
acordo climático de Paris e das negociações comerciais da
Parceria Transpacífico.
Também nesta sexta-feira o presidente republicano deu ao
Departamento do Tesouro ampla autoridade para impor sanções
econômicas à Guarda Revolucionária do Irã, ou entidades de sua
propriedade, em resposta ao que Washington chamou de esforços
para desestabilizar ou minar os adversários do regime no Oriente
Médio.
(Reportagem adicional de Makini Brice, Patricia Zengerle,
Jonathan Landay, Justin Mitchell, Tim Ahmann e Arshad Mohammed
em Washington, Andrea Shalal em Berlim, Dmitry Solovyov em
Moscou, Parisa Hafezi em Ancara e Dan Williams em Jerusalém)
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447505))
REUTERS MPP


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