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(Texto atualizado com mais detalhes e declarações)
Por Steve Holland e Maayan Lubell
WASHINGTON/JERUSALÉM, 5 Dez (Reuters) – O presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, disse a líderes árabes nesta
terça-feira que pretende transferir a embaixada dos EUA em
Israel para Jerusalém, medida que romperia com décadas de
política norte-americana e que pode estimular novas
instabilidades no Oriente Médio.
Autoridades seniores dos EUA disseram que Trump deve
reconhecer na quarta-feira Jerusalém como capital de Israel,
enquanto adia a realocação da embaixada por mais seis meses,
ainda que ele deva ordenar a seus assistentes que comecem a
planejar a mudança de Tel Aviv imediatamente.
O endosso dos EUA à reivindicação de Israel de que toda
Jerusalém é considerada capital reverteria uma política
norte-americana de longa data de que o status da cidade deve ser
decidido em negociações com os palestinos, que querem o leste de
Jerusalém como capital de seu futuro Estado. A comunidade
internacional não reconhece a soberania de Israel sobre a cidade
toda, que é casa de locais sagrados aos muçulmanos, judeus e
cristãos.
O presidente palestino Mahmoud Abbas, rei Abdullah da
Jordânia e o presidente do Egito Abdel Fattah al-Sisi, que
receberam ligações de Trump na terça-feira, se juntaram a um
coro de vozes que afirmam que qualquer medida unilateral dos EUA
sobre Jerusalém pode desencadear tumultos.
Trump notificou Abbas "de sua intenção de mudar a embaixada
norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém", disse o porta-voz
de Abbas, Nabil Abu Rdainah.
Abbas, em resposta, "alertou sobre as perigosas
consequências que tal decisão teria para o processo de paz e
para a paz, segurança e estabilidade da região e do mundo" e
também apelou ao papa e líderes de Rússia, França e Jordânia
para intervirem.
O monarca da Jordânia disse a Trump que mudar a embaixada
teria "repercussões perigosas" para a região que obstruiriam os
esforços dos EUA de promover as negociações de paz entre Israel
e palestinos, de acordo com um comunicado do palácio.
Sisi, do Egito, alertou Trump contra "tomar medidas que
prejudicariam as chances de paz" e complicariam questões no
Oriente Médio, disse um comunicado presidencial divulgado no
Cairo.
Nenhum dos comunicados dos líderes informou se Trump, que
também deve negociar com o primeiro-ministro de Israel Benjamin
Netanyahu, especificou o tempo para a mudança da embaixada.
As autoridades norte-americanas, no entanto, falando sob
condição de anonimato, disseram que Trump assinaria uma renúncia
de segurança nacional – como fizeram seus predecessores –
mantendo a embaixada em Tel Aviv por mais seis meses, mas que se
comprometeria em acelerar a mudança. Não ficou claro, no
entanto, se ele havia estipulado uma data.
Trump, que prometeu em sua campanha presidencial de 2016
mudar a embaixada para Jerusalém e que anunciará sua decisão em
discurso na quarta-feira, segundo a Casa Branca, parece
empenhado em satisfazer a base pró-Israel de direita, que o
ajudou a vencer as eleições.
O Ministro da Inteligência de Israel, Israel Katz, que se
encontrou na semana passada com autoridades norte-americanas em
Washington, disse à rádio do Exército de Israel: "Minha
impressão é a de que o presidente irá reconhecer Jerusalém, a
eterna capital do povo judeu por 3 mil anos, como capital do
Estado de Israel."
Perguntado se Israel estava se preparando para uma onda de
violência caso Trump reconhecesse Jerusalém como capital
israelense, ele disse: "Estamos nos preparando para todas as
opções. Qualquer coisa desse tipo pode sempre explodir. Caso Abu
Mazen (o presidente palestino Mahmoud Abbas) vá nessa direção,
ele estará cometendo um grande erro."
A Turquia ameaçou nesta terça-feira romper laços
diplomáticos com Israel caso Trump reconheça Jerusalém. "Sr.
Trump, Jerusalém é linha vermelha para os muçulmanos", disse o
presidente turco Tayyip Erdogan em reunião parlamentar de seu
partido AK.
Autoridades seniores dos EUA disseram à Reuters que algumas
autoridades no Departamento de Estado também estavam
profundamente preocupadas e que a União Europeia, a Autoridade
Palestina, a Arábia Saudita e a Liga Árabe todas alertaram que
tal declaração teria repercussões pela região.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS TR


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