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(Texto atualizado com mais informações)
Por Alexandra Ulmer e Roberta Rampton
CARACAS/WASHINGTON, 21 Mai (Reuters) – Críticos dentro da
Venezuela e de fora do país denunciaram a eleição que reelegeu o
presidente socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, como uma
farsa que cimenta a autocracia, enquanto o governo dos Estados
Unidos impôs novas sanções sobre o país produtor de petróleo.
Maduro, de 55 anos, que sucedeu o falecido líder esquerdista
Hugo Chávez, celebrou sua conquista na eleição de domingo como
uma vitória contra o "imperialismo". Mas seus principais
opositores alegaram irregularidades e se negaram a reconhecer o
resultado.
A votação foi amplamente condenada no exterior. O presidente
dos EUA, Donald Trump, emitiu um decreto que restringe a
capacidade da Venezuela de liquidar ativos e dívidas estatais
nos EUA.
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge
Arreaza, classificou as mais recentes sanções norte-americanas
como "medidas ilegais".
A principal oposição da Venezuela boicotou a eleição, uma
vez que dois de seus líderes mais populares foram impedidos de
disputar, autoridades barraram diversos partidos políticos e o
conselho eleitoral é composto por apoiadores de Maduro.
Maduro ganhou com 68 por cento dos votos – três vezes mais
do que seu principal rival, Henri Falcón. O comparecimento foi
baixo, de 46 por cento, ante 80 por cento na última eleição
presidencial, em 2013.
"A revolução chegou para ficar!", disse Maduro do lado de
fora do palácio presidencial de Miraflores em Caracas. Ele se
comprometeu a resgatar uma economia que sofre com estagnação,
hiperinflação e uma escassez crônica de produtos, e que se
depara com grandes compromissos de dívida enquanto sua produção
de petróleo despenca.
"Não devemos nos curvar a nenhum império, ou ir correndo ao
Fundo Monetário Internacional (FMI), como fez a Argentina",
disse a apoiadora do governo Ingrid Sequerra, de 41 anos. Ela
usava uma camiseta com um logo dos olhos de Chávez, mentor de
Maduro.
O petróleo dos Estados Unidos alcançou seu maior nível desde
2014 nesta segunda-feira em meio a crescentes preocupações de
que a produção de petróleo da Venezuela poderia cair após a
eleição e que o país pudesse ser atingido por mais sanções.

EUA CRITICAM ELEIÇÃO "FRAUDADA"
O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, chamou a
eleição de "uma fraude – nem justa, nem livre".
Ao explicar as novas sanções, autoridades dos EUA disseram
que o governo Maduro manipulou a eleição e estava usando a fome
como arma.
Nos últimos meses, Washington tem colocado uma série de
sanções sobre companhias e indivíduos ligados ao governo de
Maduro.
"O decreto de hoje fecha uma outra avenida para corrupção
que nós observamos sendo usada: ela nega a autoridades corruptas
da Venezuela a capacidade de avaliar e vender indevidamente
ativos públicos em troca de propinas", disse uma
autoridade-sênior do governo a repórteres em Washington.
Em nota, Trump pediu ao governo venezuelano que “restaure a
democracia e realize eleições livres e justas”.
Outros países também deram indicativos de sanções, com a
Espanha liderando as críticas da União Europeia à eleição.
"O processo eleitoral da Venezuela não respeitou os padrões
democráticos mais básicos. A Espanha e seus parceiros europeus
estudarão medidas apropriadas", disse o primeiro-ministro
Mariano Rajoy pelo Twitter.
O "Grupo Lima", de 14 países das Américas, desde o Canadá ao
Brasil, disse em uma declaração crítica que não reconhece a
votação e rebaixaria as relações diplomáticas. O grupo deplorou
a "grave situação humanitária" da Venezuela por trás do êxodo de
imigrantes.
Em contraste, aliados esquerdistas regionais da Venezuela,
como Cuba e Bolívia, enviaram seus parabéns.
Maduro também pode contar com o apoio de China e Rússia, que
deram bilhões de dólares em financiamentos nos últimos anos.
(Reportagem adicional de Maria Ramirez, Andrew Cawthorne,
Vivian Sequera, Girish Gupta, Luc Cohen, Felipe Iturrieta, Marco
Aquino, Ben Blanchard, Lisa Lambert, Rodrigo Campos, Daniel
Bases e Jessica Resnick-Ault)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS LM TR

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