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(Texto atualizado com mais informações)
Por Joyce Lee e Heekyong Yang
SEUL, 17 Mai (Reuters) – O principal negociador da Coreia do
Norte chamou nesta quinta-feira o governo sul-coreano de
"ignorante e incompetente", denunciou os exercícios aéreos
realizados por Coreia do Sul e Estados Unidos, e ameaçou
interromper todas as negociações com o Sul a menos que suas
exigências sejam atendidas.
Os comentários de Ri Son Gwon, presidente do norte-coreano
Comitê para Reunificação Pacífica, foram os mais recentes em uma
série de declarações inflamadas marcando uma mudança drástica de
tom após meses de alívio das tensões, com planos de
desnuclearização e uma cúpula marcada com os Estados Unidos.
Ri criticou o Sul por participar dos exercícios militares,
bem como por permitir que "escória humana" falasse em sua
Assembleia Nacional, segundo a agência de notícias norte-coreana
KCNA.
"A menos que a grave situação que levou à suspensão das
negociações de alto nível entre norte e sul seja resolvida,
nunca será fácil sentar-se frente a frente novamente com o atual
regime da Coreia do sul", disse o comunicado, sem dar detalhes.
A KCNA, em seu serviço em inglês, usa deliberadamente
"norte" e "sul" minúsculos para mostrar que reconhece apenas uma
única Coreia.
A Coreia do Norte disse na quarta-feira que pode não
participar da cúpula prevista entre seu líder, Kim Jong Un, e o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Cingapura, no
dia 12 de junho, se Washington continuar exigindo que Pyongyang
abandone unilateralmente seu arsenal nuclear.
Nesta quinta-feira, o jornal japonês Asahi relatou que os
Estados Unidos exigiram que o governo norte-coreanos envie
algumas ogivas nucleares, um míssil balístico intercontinental
(ICBM) e outros materiais nucleares para o exterior no prazo de
seis meses.
Segundo o jornal, que citou fontes familiarizadas com
questões norte-coreanas, o secretário de Estado dos EUA, Mike
Pompeo, teria dito ao líder norte-coreano quando eles se
encontraram neste mês que a Coreia do Norte poderia ser removida
de uma lista de Estados patrocinadores do terrorismo se enviasse
os itens nucleares para fora do país.
O Asahi também informou que, se Pyongyang concordar em
completar uma desnuclearização verificável e irreversível na
cúpula com os EUA em Cingapura, Washington consideraria dar
garantias ao regime de Kim.
Uma autoridade da Casa Azul da Presidência sul-coreana
afirmou que o Sul pretende desempenhar mais ativamente "o papel
de mediador" entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, mas
esse objetivo foi posto em dúvida pelos comentários de Ri.
"Nessa oportunidade, as atuais autoridades sul-coreanas têm
provado claramente que são um grupo ignorante e incompetente,
desprovido do senso elementar da situação atual", disse Ri em
comunicado divulgado pela KCNA.
A declaração não identificou a "escória humana" pelo nome,
mas Thae Yong Ho, um ex-diplomata norte-coreano para a
Grã-Bretanha que desertou para o Sul em 2016, realizou uma
entrevista coletiva na segunda-feira na Assembleia Nacional da
Coreia do Sul por ocasião da publicação de suas memórias.
Em seu livro de memórias, Thae descreve o líder
norte-coreano Kim como "impaciente, impulsivo e violento".
(Reportagem adicional de Kaori Kaneko, em Tóquio; Michael
Martina, em Pequim; e Cynthia Kim, Ju-min Park e Josh Smith, em
Seul)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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