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Por Nidal al-Mughrabi
GAZA, 13 Out (Reuters) – Não levou muito tempo depois de a
fumaça dos fogos de artifício se dissipar em Gaza para alguns
palestinos começarem a questionar se um acordo de união entre
suas duas facções mais importantes vingará.
Milhares foram às ruas na noite de quinta para comemorar o
pacto firmado entre Fatah e Hamas no Cairo. Alto-falantes
tocaram canções nacionalistas enquanto jovens dançavam e se
abraçavam acenando com bandeiras palestinas e egípcias.
"Estou feliz, não, sou o mais feliz", disse Ali Metwaly,
engenheiro de computação de 30 anos, na manhã seguinte. "Mas
ainda estou com medo de que acabe em uma decepção. Meus líderes
me ensinaram que podem nos decepcionar com muita facilidade.
Espero que não o façam desta vez".
Conforme o acordo de reconciliação, o Hamas entregará o
controle administrativo de Gaza, incluindo a passagem de
fronteira de Rafah –que no passado foi a principal via de
acesso dos dois milhões de palestinos do território ao mundo– a
um governo apoiado pelo partido majoritário Fatah.
Uma década atrás, forças do Hamas tomaram a Faixa de Gaza de
forças do Fatah em uma guerra civil breve. Tentativas de
mediação anteriores do Egito para reconciliar os dois rivais não
proporcionaram resultados duradouros. A mais recente obteve o
acordo ainda incerto depois de uma pressão econômica sobre o
Hamas.
Analistas disseram que o pacto tem mais chance de vingar do
que anteriores, dado o isolamento crescente do Hamas e o
reconhecimento de quão difícil é administrar e reconstruir Gaza,
cuja economia foi afetada por bloqueios na fronteira e que teve
sua infraestrutura arrasada pelas guerras com Israel.
Para Huwaida al-Hadidi, uma mãe de sete filhos que tem 34
anos de idade, o alívio econômico é mais do que bem-vindo. Como
cerca de 250 mil outros habitantes do território, seu marido
está desempregado. Incapaz de pagar o aluguel, a família está
morando em uma barraca desde que foi expulsa por seu locador
três dias atrás.
Com o controle das passagens de fronteira de Gaza com Israel
e o Egito, a Autoridade Palestina –que é dominada pelo Fatah e
exerce um governo limitado na Cisjordânia ocupada– pode
permitir uma movimentação mais livre de pessoas e bens pela
divisa.
Ainda segundo o acordo, cerca de 3 mil seguranças do Fatah
devem se unir à força policial de Gaza, mas o Hamas continuará
sendo a facção palestina armada mais poderosa com seus cerca de
25 mil militantes bem equipados.
Hamas e Fatah também estão debatendo uma data em potencial
para eleições presidenciais e legislativas e reformas na
Organização pela Libertação da Palestina, responsável pelos
esforços de paz há muito estancados com Israel.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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