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Estamos começando 2017, um ano novamente complicado para os investimentos de risco. Um ano de ajustes em todo o mundo, com algumas nuances de imponderável, onde duas variáveis maiores podem definir os caminhos a serem trilhados pelos investimentos. Selecionamos falar da mudança de governo nos EUA, e também das reformas a serem implementadas no Brasil.

Donald Trump toma posse no próximo dia 20/01/2017, com ventos inicialmente favoráveis, já que acenou com estímulos fiscais e novos investimentos no país. Dessa largada de seu governo vai depender as reações dos investidores em todo o mundo, o comportamento dos preços de commodities e políticas monetária e cambial. Daí pode derivar a atuação mais dura ou suave do FOMC do FED na determinação dos juros básicos: quanto maiores forem os estímulos concedidos, maior a reação do FED sobre juros.

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Está colocado pelo FED a possibilidade de três elevações de juros por ano até 2019/20. Caso os estímulos sejam mais brandos, abre-se a possibilidade de recuo para dois aumentos de juros somente, o que deixaria os mercados mais leves. Por via de consequência o mercado de câmbio poderia ficar mais controlado, facilitando decisões de investimento em todo o mundo. Postura dessa natureza mexeria também com os preços das commodities. Não podemos desprezar a força motriz da economia americana exercida sobre outras regiões, especialmente países produtores de matérias primas básicas (commodities minerais e agrícolas) e produtos intermediários.

Há ainda a boca aparentemente incontida de Donald Trump, cujos maiores exemplos estão em seus discursos de campanha e algumas tiradas pós-eleição. Há quem indique outro risco no domínio republicano nas duas casas do Congresso americano, mas isso pode até funcionar como um freio, já que Trump ciou alguns desafetos políticos em sua trajetória de candidato, apesar de alguns já estarem compondo o novo governo.

Por aqui Michel Temer inicia o novo ano com aprovação muito baixa, o que de certa forma pode facilitar proposições de mudanças e reformas. Porém, não é exatamente nessa situação que a reforma crucial da Previdência terá facilidade de trânsito. Isso mesmo considerando a habilidade política do presidente e as concessões que tem feito na reformulação de seu ministério, acalentando demandas do centrão, PSDB,PMDB e até do PT.

Periga termos uma reforma da Previdência parcial que não traga efeitos recomendados. O risco maior seria de transformar um “cavalo puro sangue em um dromedário”, deixando muito para ser feito pelo próximo presidente. Há ainda o risco de procrastinação por parte do Congresso, dado o conteúdo explosivo das matérias que mexem com o bolso de toda a sociedade.

Caso se vislumbre esse conteúdo negativo e certa inação do governo e Legislativo, os investimentos serão adiados e a recuperação da economia alongada. Hoje no mundo começa a existir forte competição para investimentos em infraestrutura e, nesse caso, a atração pelo Brasil seria mais problemática. Nesse estágio os investidores já estariam questionando os novos pleiteantes ao cargo de presidente em 2018 e teríamos aberto brecha para o surgimento de um “salvador da Pátria” de larga nocividade e poder de destruição para os destinos do País.

Temos que considerar ainda que o ano será dominado por delações e acordos de leniência de grandes empresas, denúncias de corrupção envolvendo pessoas próximas do presidente ou membros do estamento e empresas endividadas e baixa utilização de capacidade instalada, ambiente ruim para novos investimentos.
Concomitante ao ajuste fiscal já votado e aprovado e a reforma da essencial da Previdência, o governo terá que explorar outras vertentes igualmente importantes como a reforma trabalhista e tributária; sem as quais a competitividade e ampliação da produtividade estariam comprometidas.

Disso deriva também a atuação do Bacen na política monetária. Aparentemente está havendo boa convergência da inflação para o centro da meta e existem pressões para redução mais rápida da Selic. A sensação é que o Bacen está sendo tímido e correndo atrás da curva de juros. Mas temos que lembrar que com tantas coisas acontecendo é inevitável lembrar daquele dito popular que diz: “prudência e canja de galinha nunca fez mala ninguém”.


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