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YANGON, 14 Fev (Reuters) – Um policial que afirma ter feito
parte de uma equipe que deteve dois repórteres da Reuters em
Mianmar em dezembro disse a um tribunal nesta quarta-feira que
não está familiarizado com os procedimentos para se registrar
prisões.
O segundo-tenente Myo Ko foi a testemunha de acusação mais
recente de um julgamento que decidirá se os repórteres Wa Lone,
de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27, devem ser acusados sob a Lei
de Segredos Oficiais dos tempos coloniais de Mianmar.
Depois da audiência, o advogado de defesa, Khin Maung Zaw,
disse aos jornalistas que durante a inquirição Myo Ko Ko
confessou não estar familiarizado com as regras processuais do
manual da polícia de Mianmar. "Então ele não pode ser uma
testemunha confiável para a acusação", disse Khin Maung Zaw.
Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram presos em 12 de dezembro por
supostamente terem obtido documentos confidenciais depois de
serem convidados para se encontrar com policiais para um jantar
em Yangon.
Os dois contaram a familiares que foram presos quase
imediatamente depois de receberem alguns papéis de dois
policiais que nunca haviam encontrado antes em um restaurante.
Indagado sobre o local em que as prisões ocorreram, Myo Ko
Ko respondeu que foi em uma rua repleta de fábricas — o que
contradiz um mapa apresentado anteriormente pela polícia, e que
foi incluído nos documentos da corte, que mostrou lojas e casas
de chá, mas não fábricas.
Myo Ko Ko disse ao tribunal que fez parte da equipe que
efetuou as prisões, mas que não viu os documentos que, segundo a
polícia, os dois repórteres tinham em mãos.
Os dois repórteres trabalhavam em uma investigação da
Reuters sobre a morte de 10 muçulmanos rohingyas que foram
enterrados em uma cova coletiva no Estado de Rakhine, no norte
do país, após serem assassinados por moradores budistas de
Rakhine e soldados.
(Redação de Mianmar)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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