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Por Lizbeth Diaz e Gustavo Palencia
TEGUCIGALPA, 5 Dez (Reuters) – Os hondurenhos encheram as
ruas da capital do país na noite de segunda-feira, batendo
panelas e se juntando a policiais rebeldes, para desafiar um
toque de recolher imposto depois de uma eleição presidencial
muito criticada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
Alguns policiais abandonaram seus postos e se uniram a
manifestações quase carnavalescas que irromperam na cidade horas
depois de anoitecer e do toque de recolher supostamente ter
entrado em vigor.
Um comunicado emitido em nome da Polícia Nacional disse que
os agentes estão contrariados com o governo devido a uma crise
política que não é de sua responsabilidade.
"Nosso povo é soberano", disse um membro do batalhão de
choque Cobra, unidade de elite da polícia, ao ler o comunicado.
"Não podemos confrontar e reprimir seus direitos'."
As autoridades terminaram a contagem dos votos na
segunda-feira, depois de uma semana de críticas cada vez mais
generalizadas à eleição de 26 de novembro, e a OEA deu crédito
às reivindicações da oposição, segundo a qual o governo
manipulou os resultados para garantir uma vitória.
"A margem estreita, assim como as irregularidades, erros e
problemas sistemáticos que cercaram esta eleição, não permite
que a missão tenha certeza dos resultados", disse o
ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, que liderou a missão de
observação da OEA no país da América Central.
As autoridades eleitorais disseram que o presidente Juan
Orlando Hernández obteve 42,98 por cento dos votos e seu rival
opositor, Salvador Nasralla, outros 41,39 por cento com 99,96
por cento das urnas apuradas.
Mas elas não chegaram a declarar um vencedor, e a Aliança de
Oposição contra a Ditadura de centro-esquerda de Nasralla exigiu
uma ampla recontagem de quase um terço dos votos, demanda
apoiada pela OEA e por observadores eleitorais da União
Europeia.
Um líder dos agentes rebelados da unidade Cobra reforçou
essa visão ao dizer a repórteres que o país quer uma recontagem
voto a voto para esclarecer os resultados, e pediu que as Forças
Armadas manifestem apoio ao protesto policial.
A Aliança, que afirma que os resultados das urnas foram
adulterados, deve contestar formalmente o desfecho da votação.
Hernández tampouco se declarou vencedor na segunda-feira,
apesar de tê-lo feito diversas vezes desde a eleição.
"Faço um apelo pela paz, pela irmandade, pela sanidade, pela
união nacional", disse aos repórteres.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759))
REUTERS ES


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