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Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – A Renova Energia ,
uma controlada da estatal mineira Cemig , está sob
investigação da Polícia Civil de Minas Gerais pela aplicação de
milhões de reais em um projeto que nunca saiu do papel e acabou
cancelado há cerca de dois anos, disse à Reuters uma fonte com
conhecimento do assunto.
Estão no alvo das apurações pagamentos a fornecedores do
projeto, incluindo a empreiteira Andrade Gutierrez, que seria
responsável pela obra que mal chegou a começar, adicionou a
fonte, na condição de anonimato porque o caso é mantido sob
sigilo.
Envolvida em acusações de corrupção descobertas por
autoridades na já famosa Operação Lava Jato, a Andrade Gutierrez
era a principal acionista privada da Cemig até dezembro do ano
passado, quando vendeu sua fatia de 12,7 por cento na elétrica.

"Um negócio entre duas empresas que foi malsucedido a
princípio não tem crime, não tem que ter intervenção da polícia,
mas a apuração é para ver se de alguma forma foi causado um
prejuízo de maneira dolosa ao patrimônio da Cemig", disse a
fonte.
A unidade de geração e transmissão de energia da Cemig,
Cemig GT, acertou em 2014 a compra junto à Renova Energia de uma
participação de 50 por cento no chamado "Projeto Zeus", que
previa a construção de 25 usinas eólicas na Bahia com uma
capacidade total de 676 megawatts.
O negócio envolveu 113,4 milhões de reais, e a produção dos
parques foi vendida para a própria Cemig GT por meio de um
contrato no mercado livre de eletricidade.
Mas o empreendimento nunca avançou –a Renova acabou
envolvida em uma crise financeira após ver fracassar uma
tentativa de parceria com a norte-americana SunEdison e não
chegou a iniciar obras nas usinas.
Em 2016, o contrato para a compra da energia do futuro
complexo eólico foi cancelado pela Cemig GT e a implementação do
empreendimento foi descartada, em meio a cortes de investimentos
pela Renova.
No ano seguinte, a Renova realizou uma baixa contábil de
todo o valor aportado no projeto, 181 milhões de reais, devido
ao fato de "não haver expectativa para realização do
investimento", segundo informação de seu balanço.
No segundo trimestre de 2017, a Renova colocou em suas
demonstrações financeiras que os investimentos realizados no
projeto Zeus deviam-se "basicamente ao custo de aquisição do
projeto e adiantamentos a fornecedores".
Segundo a fonte, está no radar das investigações, por
exemplo, um pagamento de 65 milhões de reais que teria sido
feito pela Renova à empreiteira Andrade Gutierrez.
A fonte disse que um dos fatores que têm chamado a atenção
das autoridades é a falta de esforços de Renova e Cemig para
recuperar valores investidos no projeto, mesmo em uma situação
de crise financeira nas companhias.
Ainda de acordo com essa pessoa, a polícia já solicitou
diversos documentos e informações às empresas para apoiar os
trabalhos, que ainda não têm prazo previsto para serem
concluídos.
Procurada, a Andrade Gutierrez recusou-se a comentar o
assunto.
Já a Renova Energia não respondeu a um pedido de comentário.
A Cemig e sua controlada Light, que são as principais
acionistas da Renova, também não responderam a pedidos de
comentário sobre a investigação.
A assessoria de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerais
confirmou a existência das investigações. Contudo, segundo a
assessoria de imprensa, a polícia não pode divulgar detalhes
para não atrapalhar o andamento da apuração.

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BNDES QUESTIONA
Em uma assembleia de acionistas realizada em 30 de abril
pela Cemig, o braço de participações do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) questionou o
andamento das investigações na Renova.
O BNDESPar tem fatias de 5,5 por cento tanto na Renova
quanto na Cemig.
Segundo a ata do encontro, a representante do BNDES na
companhia "apresentou reservas" em relação a números do balanço
da Cemig relacionados à Renova e "recomendou à companhia atentar
ao andamento das investigações em curso em suas investidas, de
modo a refletir adequadamente, nas suas contas e demonstrações
financeiras, impactos resultantes da conclusão de tais
investigações".
O BNDESPar também pediu à Cemig que "faça com que suas
investidas busquem o ressarcimento de eventuais danos causados
por terceiros, se, porventura, comprovados".
Procurado, o banco estatal não respondeu a um pedido de
comentário sobre as apurações policiais na Renova.

VENDA DE ATIVOS
A canadense Brookfield, que negociava a aquisição de um
complexo de parques eólicos em construção da Renova, anunciou na
semana passada o cancelamento do negócio um dia após a Cemig ter
revelado à SEC, reguladora do mercado de ações dos EUA, a
existência de investigações em andamento em sua controlada de
energia limpa.
Antes, a Brookfield havia chegado a apresentar uma oferta
para capitalizar a Renova e se tornar sua sócia, mas o negócio
mudou para uma oferta apenas de compra de ativos antes de ser
definitivamente cancelado.
Uma fonte que acompanhou as negociações disse que a
Brookfield "segregou" ativos que interessavam e não eram vistos
como problemáticos, mas "não foi possível chegar a bons termos
comerciais".
A fonte adicionou que o complexo Alto Sertão III, que estava
no radar da Brookfield, ainda exigiria investimentos
significativos para ser concluído, incluindo retrabalhos, uma
vez que as obras estão abandonadas por falta de recursos da
Renova.
Procurada, a Brookfield disse que não iria comentar.

(Por Luciano Costa; edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
Reuters Messaging: [email protected]
– Twitter: @AnaliseEnergia))


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